A crescente expansão do território infestado pelo caruru (Amaranthus spp.) vem preocupando técnicos e produtores brasileiros. As plantas do gênero Amaranthus crescem e de desenvolvem rapidamente, produzem elevada quantidade de sementes e possuem grande habilidade competitiva, causando drásticas reduções na produtividade de culturas como soja e milho.

Segundo Penckowski et al. (2020), uma planta de Amaranthus hybridus pode produzir até 600.000 sementes. Já Gazziero e Silva (2017) destacam que dependendo da espécie, é possível observara relatos na literatura de produção de mais de 1 milhão de sementes por planta de caruru.

De modo geral, as sementes de caruru-palmeri são pequenas, lisas, normalmente, entre 1 e 2 mm, arredondadas ou em forma de disco e coloração marrom-avermelhadas a pretas (Silva & Gazziero, 2017). O formato e peso das sementes dificultam sua dispersão pelo vento, entretanto, pássaros, bovinos, máquinas e equipamentos agrícolas, assim como canais de irrigação, atuam como bons agentes dispersores das sementes de caruru.

Figura 1. Sementes de caruru.

Conforme destacado pelo professor da Universidade Federal de Santa Maria, André Ulguim, como as sementes são a principal fonte de propagação do caruru, atuar com métodos preventivos que impeçam a dispersão dessas sementes contribui significativamente para a redução das infestações de caruru. Realizar a colheita de diferentes áreas/talhões utilizando a mesma colhedora pode ser uma das principais formas de dispersar sementes de caruru.

Colhedoras que realizam a colheita de culturas agrícolas em áreas infestadas com caruru e posteriormente são conduzidas para a colheita de áreas sem a presença dessa planta daninha, podem servir como veículo para o transporte de sementes do caruru. Ulguim destaca que dependendo da colhedora e área colhida, o volume de propágulos/sementes de plantas daninhas retidos na colhedora pode chegar a 10 kg.


Veja Mais: MISSÃO CARURU – Episódio 20 – A palha e o caruru


Ao entrar em uma nova área para colheita, as sementes retidas na colhedora serão liberadas, dando origem a novas infestações de plantas daninhas. Dessa forma, a limpeza da colhedora é de suma importância para reduzir as infestações de caruru, atuando de forma preventiva.

Outra forma comum de dispersão do caruru, é através de bovinos vindos de áreas infestadas. Nesse caso, para evitar a disseminação de sementes de caruru e a propagação da espécie, recomenda-se a quarentena dos animais antes de realocá-los em áreas livres da presença do caruru. Como as sementes são a principal forma de propagação do caruru, práticas de manejo preventiva, visando impedir a entrada de sementes em área de cultivo são de extrema importância para um manejo eficiente do caruru, atuando de forma conjunta ao manejo cultural e químico, para melhor controle dessa planta daninha.

Confira abaixo mais um episódio do MISSÃO CARURU com as dicas e contribuições do professor da UFSM, André Ulguim.


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Referências:

GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa, Documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/159778/1/Doc-384-OL.pdf >, acesso em: 27/08/2021.

PENCKOWSKI, L. H. et al. ALERTA! CRESCE O NÚMERO DE LAVOURAS COM Amaranthus hybridus RESISTENTE AO HERBICIDA GLIFOSATO NO SUL DO BRASIL: O PRIMEIRO PASSO É SABER IDENTIFICAR ESSA ESPÉCIE! Revista FABC – Abril/Maio 2020. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/ebook/REVISTA-Fabc.pdf >, acesso em: 27/08/2021.

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