O controle químico de plantas daninhas é feito com o uso de herbicidas, mas nem sempre é utilizado apenas um ingrediente ativo. Um estudo feito por Gazziero (2015), mostrou que 97% das propriedades brasileiras realizam a mistura de defensivos.

Como é feita a aplicação de produtos nas propriedades? Fonte: Gazziero (2015).

Em muitos casos são utilizadas as misturas de fábricas, ou seja, aquelas que já vem prontas pela empresa. Porém, também são feitas misturas no campo, para reduzir o número de entradas na área.

Entretanto, as misturas de ingredientes ativos requerem cuidados, é preciso conhecer as interações que podem ocorrer entre os produtos, para que a eficácia não seja reduzida. No estudo realizado por Gazziero (2015), os produtores relataram os principais problemas observados quando utilizam a mistura em tanque.

Frequência de ocorrência de problemas quando da utilização de misturas em tanque. Fonte: Gazziero (2015).

Vantagens do uso de misturas de defensivos agrícolas

A aplicação de misturas de herbicidas possui algumas vantagens como:

  • controle de maior número de espécies de plantas daninhas;
  • reduz o risco de desenvolvimento de biótipos de plantas daninhas resistentes;
  • redução de custos.

Quando dois ou mais herbicidas são combinados, eles podem ser aplicados:

  • separadamente (um após o outro);
  • juntos (misturados no tanque);
  • formulados juntos (comercializados numa mesma embalagem). 

Como vimos, as misturas em tanque precisam de uma atenção maior, isso porque podem ocorrer incompatibilidades. A incompatibilidade de dois ou mais produtos pode ser física ou biológica.

Incompatibilidade física 

A incompatibilidade física é causada pela formulação e suas interações. Resulta em formação de precipitados e separação de fase, que acabam inviabilizando sua aplicação.

Um exemplo de mistura que pode resultar em incompatibilidade física é a mistura de um herbicida formulado como pó-molhável, com outro formulado como concentrado emulsionável, pois pode ocorrer sedimentação dos produtos.

Fonte: Infobibos.

Efeitos observados quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos

Quando dois ou mais herbicidas são aplicados juntos, podem ser observados os seguintes efeitos sobre as plantas:

  • Efeitos sinérgicos: quando o efeito dos herbicidas aplicados juntos é maior que a soma dos efeitos isolados;
  • Efeitos aditivos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é igual à soma dos seus efeitos quando aplicados separados;
  • Efeitos antagônicos: quando o efeito dos herbicidas em mistura é menor que a soma dos seus efeitos quando aplicados separadamente.

O melhor resultados será aquele que apresenta efeitos antagônicos para a cultura e sinergísticos para as plantas daninhas.

Exemplos de antagonismo químico:

  • paraquat e o MCPA dimetilamina;
  • Inibidores de lipídios com 2,4-D, MCPA, bentazon, chlorsulfuron, chlorimuron, imazaquin, imazethapyr;
  • herbicida de contato aplicado com glyphosate ou com herbicidas auxínicos; 
  • inseticidas organofosforados com nicosulfuron.

Fonte: Elevagro.

Como adicionar os produtos no tanque de pulverização

Abaixo, segue a sequência de acordo com a Andef, para a adição de produtos no tanque de pulverização:

  1. Colocar água no tanque ou misturador;
  2. Ligar agitação;
  3. Colocar adjuvantes condicionadores de calda, surfactantes e emulsionantes;
  4. Colocar substâncias altamente solúveis em água (sólidas ou líquidas);
  5. Colocar líquidos concentrados;
  6. Colocar adubos, micronutrientes e outros adjuvantes;
  7. Colocar produtos de base oleosa.

Conclusão

No texto de hoje você viu que a mistura de defensivos no tanque de pulverização é uma prática utilizada por muitos produtores. Vimos que a mistura de produtos tem muitas vantagens, como a redução de custos, porém deve-se ter um cuidado maior devido às incompatibilidades.

Você também aprendeu que as misturas podem ter efeitos sinérgicos, aditivos ou antagônicos, e alguns exemplos de produtos que não devem ser misturados.

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre mistura de defensivos agrícolas? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Sobre a Autora: Ana Ligia Girardeli, Sou Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar) e Doutora em Fitotecnia (USP/ESALQ). Atualmente, estou cursando MBA em Agronegócios.

 



 

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