O milho (Zea mays) é uma gramínea de alto potencial produtivo, mas requer um bom manejo para que possa responder a esse potencial, sendo um cereal usado mundialmente para consumo humano, ração animal e produção de etanol. A cultura tem uma grande importância econômica para o país, a FAO (2019) aponta que o Brasil consolidou sua rápida ascensão na produção de milho, tornando-se o segundo maior exportador mundial do cereal, onde segundo a CONAB (2019) o brasil teve uma produção de mais de 102 milhões de toneladas de milho.

O milho (zea mays) é uma cultura muito suscetível e infestada por algumas pragas, sendo uma das principais a lagarta-do-cartucho (spodoptera frugiperda). A fim de evitar o ataque dessas pragas foi desenvolvido e existem no mercado algumas tecnologias nos híbridos como a Leptra® da Pioneer, a VT PRO™ da Dekalb, com a tecnologia YieldGard VT PRO™, e a Corteva também possui a tecnologia PowerCore™. Porém a campo, já pode-se perceber a perda de eficiência das principais tecnologias no controle das lagartas devido a resistência, como já ocorre com a lagarta-do-cartucho (spodoptera frugiperda). Essa resistência ocorre devido ao mau uso das tecnologias, ou seja, onde não é implantado e respeitado a área de refúgio com implantação de parte da área e/ou lavoura com milho convencional. De acordo com a recomendação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a área de refúgio deve ser de 10% do total da lavoura, independentemente da tecnologia do híbrido. Além disso, o aumento da área plantada com plantas hospedeiras, maior número de cultivos durante o ano, a falta de rotação de culturas e o uso indiscriminado de inseticidas favorecem a indução de resistência. Recomenda-se fazer o monitoramento nas lavouras mesmo que seja um híbrido com tecnologia de controle de lagartas.

A lagarta-do-cartucho ou lagarta-militar (spodoptera frugiperda) é uma praga polífaga, ou seja, consegue se alimentar de várias plantas além do milho, por isso, está associada a maioria das culturas anuais de importância econômica. As lagartas preferem alimentar-se de folhas novas e dirigem-se para o interior do cartucho começando a fazer buracos na folha e, quando estão entre o quarto e o sexto ínstar (8 a 14 dias), podem destruir completamente pequenas plantas ou causar severos danos em plantas maiores potencializando até 20% de perdas. Os sintomas típicos de seu ataque no milho são folhas raspadas ou desfolhadas no cartucho, mas vale lembrar que é necessário uma pequena raspagem inicial para tecnologia de controle inclusa no híbrido seja eficiente.

O ciclo da spodoptera frugiperda inicia-se com os ovos que possuem coloração verde-clara tornando-se alaranjados próximos a maturação. As lagartas são inicialmente claras, passando para pardo escuro a esverdeadas até quase pretas, apresentam um “Y” invertido na parte frontal da cabeça e que caracteriza a espécie. Possuem três pares de pernas no tórax e cinco pares de falsas pernas no abdome, podendo atingir 50 mm de comprimento. Após o desenvolvimento da lagarta, estas se tornam pupas com cerca de 15 mm de comprimento, de coloração avermelhada ou amarronzada que dão origem aos adultos, mariposas com alta mobilidade, que medem cerca de 35 mm de envergadura, coloração das asas anteriores é pardo-escuras e as posteriores branco-acinzentadas. A longevidade do adulto é de cerca de 12 dias onde as fêmeas apresentam elevado potencial reprodutivo, com capacidade de ovipositar mais de 1000 ovos e o ciclo completo da praga ocorre em pouco mais de 30 dias.

Fases do ciclo da spodoptera frugiperda – Créditos: Katiane Sartori

É recomendado realizar o monitoramento da lavoura semanalmente para que não se tenha redução de produtividade. Os períodos em que a lavoura está mais suscetível e que as plantas terão maior dificuldade em se recuperar do ataque de lagartas vão desde a emergência das plântulas até 30 dias após a semeadura (estádios fenológicos VE até V6), quando há grandes danos iniciais nas folhas e no colmo do milho; e o segundo momento é de uma semana antes, até duas semanas após o florescimento (V15 até R2), com ocorrência de grandes perdas não provocada pelo desfolhamento, mas por danos na espiga.

O monitoramento pode ser por meio do uso de armadilhas do tipo delta contendo uma pastilha de feromônio, que faz com que os machos (em fase de mariposa) sejam atraídos. O ideal é instalar uma armadilha por hectare e quando 3 ou mais adultos forem capturados, pode-se iniciar o controle. Outra forma de realizar o monitoramento é através de amostragem no campo com caminhamento em zigue-zague observando pelo menos 5 pontos por talhão e 20 plantas. A partir da observação das plantas, se faz a mensuração do nível de dano utilizando a escala de Davis. Quando for detectado 20% de plantas atacadas com nota igual ou maior do que 3 na escala, deve-se entrar com controle.

Escala Davis para avaliação do nível de ação para lagarta-do-cartucho (de 0 a 9). Fonte: Bayer CropScience

O monitoramento feito de forma correta é fundamental para maior segurança na tomada de decisão sobre a aplicação de produtos químicos, para se evitar desperdícios de produto e indução de resistência da praga ao inseticida. Deve-se optar pelo uso de inseticidas seletivos ao invés de inseticidas de amplo espectro, para que o organismo afetado seja apenas a praga e não inimigos naturais, preservando espécies que são benéficas na lavoura. As aplicações devem ser direcionadas para o cartucho usando bicos de pulverização do tipo leque, com volume de calda para aplicações terrestres de 150 a 200 L/ha, para que o alvo possa ser atingido, uma vez que as lagartas ficam escondidas dentro do cartucho, por este mesmo motivo também se recomenda fazer a aplicação de inseticida de manhã, na caída do orvalho, quando o cartucho apresenta água em seu interior e a lagarta fica mais exposta.

Nas últimas semanas, percebeu-se na região noroeste do Rio Grande do Sul um surto da lagarta-do-cartucho nos híbridos, justificado pelo aumento da temperatura, sendo uma média de 25ºC, condição adequada para o desenvolvimento da Spodoptera frugiperda.

Orientamos aos produtores que fiquem atentos e realizem semanalmente o monitoramento de suas áreas de milho, pois o ciclo da lagarta-do-cartucho é relativamente rápido e a praga causa muitos prejuízos, causando desfolhas que diminuirão o índice de área foliar (IAF) que é um indicativo de produtividade, pois a fotossíntese depende da área foliar, o rendimento da cultura será maior quanto mais rápido a planta atingir o índice foliar máximo e quanto mais tempo a área foliar permanecer viva e sem danos.

Autores: Katiane Abling Sartori e Marcelo Damaceno da Silva – Membros do Grupo PET Ciências agrárias – UFSM FW.

Referências:

EMBRAPA. Manejo da lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, em milho. EMBRAPA milho e sorgo.

MARTIN, T. N. et all. Cartuchos no alvo: estratégias de manejo da lagarta do cartucho no milho. Revista Cultivar grandes culturas.

SCARPIN, J. Como fazer o controle spodoptera frugiperda na sua lavoura de milho. Aegro, 2018.

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