Autores: Caroline Wesp Guterres – Doutora em fitotecnia com ênfase em fitopatologia Pesquisadora da CCGL; Elaine Deuner – Bióloga e Engenheira Agrônoma Encarregada de Laboratório CCGL

ESPÉCIES MAIS COMUNS E SINTOMATOLOGIA

Nematoides são vermes fitoparasitas que afetam o fluxo de absorção e translocação de água e nutrientes na planta, podendo causar perdas na produtividade de soja que variam entre 15 e 20%. Em situações de ambiente favorável, uso de cultivares suscetíveis e altos níveis populacionais, as perdas podem ser ainda maiores. No Rio Grande do Sul os problemas com nematoides vêm crescendo em importância.

Isto se deve ao sistema intensivo de cultivo de soja, sem rotação de culturas, mas principalmente, ao desconhecimento sobre a ocorrência do problema nas áreas. Por serem, de certa forma, desconhecidos dos produtores, os sintomas causados por nematoides geralmente são creditados a outras causas, como estresses hídricos, problemas nutricionais, compactação ou encharcamento de solo e, até mesmo, fungos de solo.

As espécies mais importantes no Rio Grande do Sul são dos nematoides de galhas (Meloidogyne javanica e M. incognita), nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus) e nematoide de cisto (Heterodera glycines) (Quadros et al., 2003).  De acordo com levantamento realizado por Ghissi-Mazzetti et al., (2016) em amostras de 116 municípios do RS, Meloidogyne spp. e Pratylenchus spp. são os gêneros mais frequentes. Dentre os nematoides de galha, a espécie mais frequente no RS é javanica, encontrada em 82% das amostras avaliadas por Kirsch et al. (2016) nas regiões Norte, Noroeste e Sul do RS.

Os sintomas mais comuns do ataque de nematoides ocorrem em reboleiras e se caracterizam pela redução no crescimento de raízes e parte aérea, amarelecimento de plantas e abortamento de vagens. Porém, os sintomas podem variar de acordo com a espécie ocorrente. Por exemplo, o engrossamento do sistema radicular e a presença de folhas carijós é característico dos nematoides de galhas, gênero Meloidogyne spp.; a presença de cistos superficialmente nas raízes, é característica do nematoide de cisto, gênero Heterodera e a presença de lesões escuras nas raízes, do nematoide das lesões radiculares, gênero Pratylenchus spp. (Figura 1) Dias et al. (2010).



ESTRATÉGIAS DE MANEJO

O controle de nematoides é complexo e envolve diversas práticas integradas a fim de reduzir os níveis populacionais. Sendo assim, é fundamental evitar a introdução do patógeno em áreas não infestadas, já que após a infestação, é praticamente impossível erradicar os nematoides da área. Devido ao desconhecimento, não há um cuidado específico, como no trânsito de máquinas e implementos agrícolas de áreas infestadas, para áreas não infestadas, contribuindo para a disseminação do patógeno. Quando o problema com nematoides já existe, o primeiro passo é identificar qual espécie está presente na lavoura e quais seus níveis populacionais para, a partir daí, direcionar as melhores práticas de manejo.

As principais estratégias incluem a utilização de cultivares de soja resistentes ou com baixo fator de reprodução e a rotação bem planejada com espécies não hospedeiras (Quadro 1) (Matsuo et al., 2012, Dias et al, 2010).

Outras ações importantes são a eliminação de plantas daninhas (que podem multiplicar nematoides); a manutenção de bons níveis de potássio; a melhoria do pH em todo o perfil do solo; o aumento nos teores de matéria orgânica;


Quadro 1. Diferentes espécies de plantas e suas respectivas reações ás principais espécies de nematoides da soja encontradas no Rio Grande do Sul. Adaptado de Inomoto & Asmus (2014) e Santos (2019).A adoção de práticas que desfavoreçam a compactação de solos; a utilização de tratamento químico nas sementes ou no sulco de plantio (abamectina, cadusafós, fluensulfona, fluazinam + tiofanato-metílico, imidacloprido + tiodicarbe e tiodicarbe); o controle biológico (Bacillus spp., Pasteuria spp., Paecilomyces lilacinus e Trichoderma spp.) e a limpeza de máquinas e implementos agrícolas utilizados em áreas infestadas, que devem sempre ser manejadas por último (Quadros et al., 2003).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para a correta identificação de qual espécie de nematoides predomina em uma área afetada, deve-se realizar amostragem de solo e raízes e enviar a laboratório capacitado na realização destas análises. A partir do início de 2020 o Laboratório de Fitopatologia da CCGL irá realizar análises nematológicas. Com esta informação, os produtores terão mais subsídios para determinar as melhores estratégias de manejo a serem utilizadas em suas áreas, reduzindo os prejuízos com nematoides e maximizando a produtividade da soja.

Fonte: CCGL


Foto de capa: TMG

Texto originalmente publicado em:
Boletim Técnico nº 76
Autor: CCGL

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