O monitoramento das pragas que atacam a cultura do milho começa desde a emergência das plantas ou até mesmo antes disso. Nesse contexto, os percevejos ganham destaque visto que são pragas de sistema e que atacam já no estabelecimento do milho. A ocorrência do percevejo-marrom e percevejo verde tem sido monitorada, porém o percevejo barriga-verde (Diceraeus sp.) tem notória importância dentro do complexo de pragas do milho. 

Existem duas espécies desse percevejo: D. furcatus (comum no sul do PR, SC e RS) e D. melacanthus (ocorrência em regiões mais quentes, como oeste e norte do PR e restante do país). Não obstante, o manejo de controle das duas espécies é o mesmo, embora a identificação seja importante para compreendermos a sua dinâmica populacional.

As plantas de milho nos estádios iniciais de crescimento são mais sensíveis ao ataque do percevejo barriga-verde. A alimentação desse inseto acontece com a introdução do estilete e sucção da seiva da planta, além de injetar toxinas no local. Se a intensidade do ataque for alta, ocorre murcha e morte da planta. Além disso, ataques severos provocam alongamento celular desordenado, podendo ocorrer emissão de perfilhos e redução da produtividade. 

Após o período de estabelecimento, as plantas que resistiram ao ataque podem apresentar folhas com pontuações e orifícios arredondados em linha reta de forma transversal da folha, podendo até se romperem com ação do vento. Somado a isso, pode ocorrer o “encharutamento” das folhas e redução do porte das plantas (Figura 1).

Figura 1. Danos de percevejos em milho.

Fotos: Oderlei Bernardi.

O monitoramento de percevejos do milho deve iniciar-se na fase reprodutiva das culturas antecessoras, como soja e trigo, visto tratar-se de uma praga de sistema. Monitorar a palhada e manejar as plantas daninhas também é fundamental. Outro ponto importante é priorizar o monitoramento na emergência das plantas de milho, avaliando-as a cada três dias. A atenção nessa fase inicial é fundamental por tratar-se do momento em que ocorrem os danos mais significativos; após esse período, as plantas de milho tornam-se mais tolerantes ao ataque devido ao desenvolvimento do colmo (Bianco, 2004). 

A tomada de decisão para pulverização é de 1 percevejo a cada 10 plantas ou ainda 0,8 percevejos/m2 (Duarte et al., 2015). Quando necessária a pulverização, deve-se procurar fazer com que atinja diretamente os percevejos; ou seja, é preciso entender seu hábito para definir o horário de aplicação. Os percevejos barriga-verde se abrigam sob a palhada quando não estão se alimentando; por isso, deve-se evitar períodos do dia mais quentes e também dias com previsão de chuva. A aplicação é recomendada em horas com temperaturas amenas, ou seja, de manhã e ao final da tarde, conforme a figura abaixo (Bianco, 2016).

Figura 2. Variação no número de percevejos em 4 m lineares de milho (20 plantas), em função do horário do dia.

Fonte: Iapar, 2009. Imagem original disponível  aqui.

Para controlar essa praga-chave deve-se pensar de forma conjunta, passando desde a cultura antecessora até a fase inicial do milho. Além disso, é imprescindível que se realize a eliminação de plantas daninhas como a trapoeraba, o capim-carrapicho e o capim-amargoso, as quais podem servir de abrigo para os percevejos. Outro manejo complementar, no caso de altas densidades populacionais serem detectadas previamente à semeadura, consiste em associar a dessecação pré-plantio com o uso de inseticidas químicos.

Por fim, um dos principais manejos recomendados é a utilização do tratamento de sementes (TS) para proteção durante a emergência e estabelecimento das plantas, seja com neonicotinoides, diamidas ou carbamatos. Porém, deve-se atentar para períodos com excesso de chuva, a qual pode “lavar” as sementes e diminuir o residual do TS. Somado a isso, o TS por si só pode não ser suficiente em anos de alta infestação por percevejos, demandando pulverizações em parte aérea logo após a emergência da cultura. Nesses casos, recomenda-se a associação de piretroides com neonicotinoides, aliando efeito de choque com longo residual, além de monitoramento constante.

Revisão: Henrique Pozebon, Mestrando PPGAgro  e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM



Referências

BIANCO, R. Manejo integrado de pragas da cultura do milho. Apresentação. Iapar – Emprapa, 2009. Disponível em < https://www.embrapa.br/documents/1355291/19411096/Rodolfo+Bianco+-+MIP+Milho_24nov2016+Passo+Fundo.pdf/86102b0b-67b7-491f-9048-e6525303840d?version=1.0 > Acesso em: 20.07.21.

BIANCO, R. Nível de dano e período crítico do milho ao ataque do percevejo barriga verde Dichelops melacanthus. In: CONGRESSO NACIONAL DE MILHO E SORGO, 25.; SIMPOSIO BRASILEIRO SOBRE A LAGARTA-DO-CARTUCHO, SPODOPTERA FRUGIPERDA,1., 2004, Cuiabá, MT. Resumos. Sete Lagoas: ABMS: Embrapa Milho e Sorgo: Empaer, 2004. p. 172

DUARTE, M. M. ; ÁVILA, C. J.; SANTOS, V. Danos e nível de dano econômico do percevejo barriga verde nacultura do milho. Revista Brasileira de Milho e Sorgo, v.14, n.3, p. 291-299, 2015.

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