A colheita é uma das práticas mais esperadas por técnicos a agricultores durante o cultivo da soja. Contudo, assim como os demais períodos de cultivo da soja, a colheita necessita de uma série de cuidados para evitar perdas produtivas e qualitativas, principalmente se tratando da produção de sementes.

Dentre as perdas observadas, uma das principais é a perda decorrente do processo de colheita mecânica (perdas de colheita). Ainda que o desenvolvimento de máquinas colhedoras esteva em constante processo de evolução e aperfeiçoamento, perdas de colheita podem ser observadas até mesmo com a utilização de colhedoras modernas, seja por sua regulagem inadequada, e/ou velocidade de colheita incompatível com a recomendada pelo fabricante ou regulagem realizada.

Embora haja uma variação nas perdas de colheita decorrentes da tecnologia empregada na colhedora, operação e critérios inadequados de colheita como variação do teor de umidade dos grãos, avaliando “Perdas na colheita mecanizada da soja na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba”, Cunha & Zandberger (2007) observaram que em 14 propriedades rurais analisadas, as perdas médias de colheita foram de aproximadamente 80,86 kg.ha-1 quando utilizado o método de mensuração proposto pela Embrapa (copo medidor) e de 50,93 kg.ha-1 quando utilizado o método de pesagem. Isso reflete em uma perda média de aproximadamente 1,35 sc.ha-1 e 0,84 sc.ha-1 respectivamente. Contudo, os autores observaram perdas de até 130,5 kg.ha-1 (2,17 sc.ha-1), destacando a problemática trazida pelas perdas de colheita.



Dentre os principais fatores que contribuem para o aumento das perdas de colheita, podemos destacar a umidade dos grãos, a regulagem da colhedora a velocidade de colheita. Embora Cunha & Zandberger (2007), em seu trabalho, não tenham observado relação entre a velocidade de colheita e o ano de fabricação da colhedora com o aumento das perdas de colheita, Bandeira (2017) avaliando “perdas na colheita da soja em diferentes velocidades de deslocamento da colhedora”, observou que à medida que a velocidade da colhedora aumenta, tem-se o incremento nas perdas de colheita. O autor avalio as velocidades de 3,5 km.h-1; 4,5 km.h-1 e 5,5 km.h-1.

Tabela 1. Perdas de colheita (kg.ha-1) em função de diferentes velocidades de colheita (km.h-1). Área de coleta de 2m².

* Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem entre sí pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.
Adaptado: Bandeira (2017)

Segundo Silveira et al. (2016), perdas de colheita na ordem de 0,5 sc.ha-1 (30 kg.ha-1), são consideradas aceitáveis, entretanto, o que tem-se observado a medida em que são realizados trabalhos avaliando essas perdas, é que normalmente a nível de campo as perdas de colheita são superiores ao limite considerado aceitável.

Conforme observado por Holtz & Reis (2013), normalmente as perdas oriundas da plataforma de corte da colhedora são superiores às perdas oriundas dos mecanismos internos da colhedora, além disso, os autores destacam que as perdas totais decorrentes do processo de colheita mecânica aumentam com o tempo de permanência da cultura no campo, assim como é observado o aumento das perdas totais quando realizada a colheita em períodos noturnos.

Quanto aos métodos para quantificação das perdas de colheita, pode-se utilizar o método de pesagem e o método proposto pela Embrapa (copo medidor). Para ambos os métodos é necessário determinar uma área de coleta de grãos ou sementes, sendo a mais utilizada por convenção 2m².

Figura 1. Área de coleta para análise de perdas de colheita.

Foto: Bandeira (2017)

Cabe destacar que a largura e comprimento da área de coleta pode ser ajusta para comportar a largura de corte da colhedora, contudo, deve conter área conhecida (2m²). Os grãos devem ser coletados, pesados e sua umidade deve ser preferencialmente corrigida para 13%. Após, realiza-se o cálculo para mensuração da perda de colheita por hectare.

Já o método do copo medidor proposto pela Embrapa, apresenta maior praticidade, entretanto não dispensa a definição da área de coleta, contudo, a estimativa da perda de colheita é feita de forma visual, com base em uma escala descrita no copo medidor.

Figura 2. Copo medidor para avaliação de perdas de colheita para a cultura da soja.

Foto: HORIKAWA, Marisa Yuri

Para maiores informação sobre o método de estimativa de perdas de colheita utilizando o copo medidor clique aqui!



Referências:

BANDEIRA, G. J. PERDAS NA COLHEITA DA SOJA EM DIFERENTES VELOCIDADES DE DESLOCAMENTO DA COLHEDORA. Universidade Federal da Fronteira Sul, Trabalho de Conclusão de Curso, 2017. Disponível em: < https://rd.uffs.edu.br/bitstream/prefix/1895/1/BANDEIRA.pdf >, acesso em: 20/01/2021.

CUNHA, J. P. A. R.; ZANDBERGER, H. P. PERDAS NA COLHEITA MECANIZADA DA SOJA NA REGIÃO DO TRIÂNGULO MINEIRO E ALTO PARANAÍBA, BRASIL. Biosci. J., Uberlândia, v. 23, n. 4, p. 61-66, Oct./Dec. 2007. Disponível em: < http://www.seer.ufu.br/index.php/biosciencejournal/article/download/6662/4388/ >, acesso em: 20/01/2021.

EMBRAPA. KIT PERDAS: MONITORAMENTO DAS PERDAS DE GRÃOS DURANTE A COLHEITA DE SOJA. Embrapa. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/178963/1/folder-copo-medidor.pdf >, acesso em: 20/01/2021.

HOLTZ, V; REIS, E. F. PERDAS DE COLHEITA MECANIZADA DE SOJA: UMA ANÁLISE QUANTITATIVA E QUALITATIVA. Rev. Ceres, Viçosa, v. 60, n.3, p. 347-353, mai/jun, 2013. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/rceres/v60n3/07.pdf >, acesso em: 20/01/2021.

SILVEIRA, J. N. et al. DIAGNÓSTICO PRELIMINAR DE PERDAS DE GRÃOS NA COLHEITA DE SOJA EM CAMPO NOVO DO PARECIS (MT) NA SAFRA 2015/2016. Resumos expandidos da XXXV Reunião de Pesquisa de Soja, jul. 2016. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/146876/1/RPS2016-36-38.pdf >, acesso em: 20/01/2021.

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