Em uma lavoura comercial, o controle de plantas daninhas é essencial para diminuir a competição das mesmas com as plantas cultivadas. As plantas daninhas competem com as plantas cultivadas por água, nutrientes do solo e radiação solar.

O aumento da produtividade de uma cultura ou da área cultivada são alternativas para o aumento da produção. Entretanto a conservação do potencial produtivo da cultura possibilitando condições adequadas para o seu crescimento e desenvolvimento e diminuindo eventuais perdas de produtividade também é uma alternativa para o aumento da produção.



A matocompetição pode ocasionar perdas significativas da produtividade de uma cultura, principalmente se tratando de espécies anuais como soja e milho. Sendo assim, é fundamental realizar o manejo adequado das plantas daninhas para diminuir a interferência dessas na produtividade das culturas agrícolas.

Na cultura da soja, duas plantas daninhas vem se destacando como potenciais fontes de diminuição da produtividade da cultura, sendo elas a Buva (Conyza spp.) e o capim-amargoso (Digitaria insularis). Essas duas plantas daninhas apresentam difícil controle em meio ao cultivo da soja, a alta adaptabilidade e alta capacidade de produção e dispersão de sementes, fazem das daninhas indivíduos persistentes nos cultivos agrícolas.

Figura 1. Buva em meio ao cultivo da soja.

Foto1: Imagem ilustrando lavoura de soja com infestação de buva. Fonte: https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ah

Figura 2. Campim-amargoso.

A perda de produtividade causada por essas plantas daninhas pode variar de acordo com o estádio de infestação na cultura e população de plantas daninhas. Trabalhos conduzidos pelo grupo Supra Pesquisa demonstram que as perdas de produtividade da soja ocasionadas pela presença da buva ou capim amargoso são significativas, podendo variar de 14% com populações de 1 planta de buva por metro quadrado até 59% com populações de 10 plantas.m².

Já com relação ao capim-amargoso, os resultados encontrados pelo grupo evidenciam perdas de produtividade da soja de 21% com uma planta de capim-amargoso por metro quadrado e 59% com populações de 8 plantas.m², demonstrando a potencial interferência das plantas daninhas na produtividade da soja.

Figura 3. Interferência de diferentes densidades populacionais de Buva sob a produtividade da soja.

Gráfico 1. Produtividade média da soja sob interferência de populações de buva. Palotina, PR, 2017 e 2018.

Figura 4. Interferência de diferentes densidades populacionais de Capim-amargoso sob a produtividade da soja.

Gráfico 2. Produtividade média da soja sob interferência de populações de amargoso. Palotina, PR, 2016 e 2017.

Tendo em vista os aspectos observados e a importância do controle dessas plantas daninhas no cultivo da soja, é fundamental atentar para alguns aspectos referentes ao manejo das plantas daninhas. Definições como PCPI, PAI e PTPI podem auxiliar o produtor ou técnico no manejo das plantas daninhas.

Segundo Agostinetto et al. (2008), no início do desenvolvimento de uma cultura, as plantas podem conviver em conjunto sem que haja danos à produtividade da cultura cultivada, período esse denominado de PAI (período anterior a interferência). Já o perídio em que as plantas necessitam crescer livres de interferência desde a emergência para que a produtividade não seja afetada, é denominado período total de prevenção a interferência (PTPI). Á diferença entre o PTPI e o PAI, Agostinetto et al. (2008) atribuem o período crítico de prevenção a interferência (PCPI).

O PCPI é o período em que as práticas de manejo e controle das plantas daninhas devem ser efetivadas, para minimizar as perdas de produtividade decorrentes da competição com as plantas daninhas.

Apesar da determinação desses períodos variar de acordo com a densidade populacional de plantas e cultivar de soja, parâmetros gerais podem embasar o manejo de plantas daninhas da cultura.  Avaliando o período de interferência de plantas daninhas na cultura da soja, Nepomuceno et al. (2007) observaram que para a cultivar CD 201 no sistema de semeadura direta (SSD), o período anterior a interferência foi observado aos 33 dias após a emergência das plantas, já o período total de prevenção a interferência foi observado aos 66 dias após a emergência (figura 5).

Figura 5. Produtividade em grãos de soja, do cultivar CD 201, no SSD, em resposta aos períodos de controle e de convivência com as plantas daninhas, considerando uma perda de 5% na produtividade. UNESP/Jaboticabal, 2004.

Fonte: Nepomuceno et al. (2007).

Conforme observado na figura 5, caso não seja realizado o controle de plantas daninhas no início do PCPI, perdas significativas de produtividade podem ocorrer, comprometendo o rendimento da cultura. Se tratando do plantas daninhas como a Buva e o Capim-amargoso, perdas ainda maiores podem ser observadas em altas populações conforme observado nas figuras 3 e 4.

Veja também: Controle de capim amargoso com diferentes herbicidas pré-emergentes na soja

Sendo assim, o controle dessas plantas daninhas é fundamental para evitar a matocompetição e as perdas de produtividade da soja, proporcionando condições adequadas ao crescimento e desenvolvimento da soja, sem que seja necessário as plantas competir por recursos como água, nutrientes e radiação solar.



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Referências:

AGOSTINETTO, D. et al. PERÍODO CRÍTICO DE COMPETIÇÃO DE PLANTAS DANINHAS COM A CULTURA DO TRIGO. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 26, n. 2, p. 271-278, 2008.

NEPOMUCENO, M. et al. PERÍODOS DE INTERFERÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DA SOJA NOS SISTEMAS DE SEMEADURA DIRETA E CONVENCIONAL. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 25, n. 1, p. 43-50, 2007.

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