Bicudo, ramulária, nematoide, Amaranthus Palmeri, spodoptera, ácaro, mosca branca… No dia a dia da lavoura do algodão são muitos os desafios que os agricultores têm de enfrentar para obter uma boa produtividade. Para auxiliar os cotonicultores no manejo da lavoura, durante o Congresso Brasileiro do Algodão, que acontece de 27 a 29 de agosto, no Centro de Convenções de Goiânia, GO, os pesquisadores da Embrapa estarão participando de diversas mesas-redondas, apresentado alternativas para que a cultura seja uma opção rentável ao produtor. O evento será realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, com apoio da Embrapa e do Instituto Brasileiro do Algodão.

O controle químico tem sido a principal alternativa para o manejo de insetos praga do algodoeiro, no entanto, o aumento do número de aplicações tem elevado o custo de produção devido à maior pressão de pragas e à resistência de algumas espécies. “Antes, pragas que eram praticamente exclusivas do algodão ou da soja ou do milho acabaram estabelecendo-se sobre os três cultivos. É o caso da Spodoptera frugirperda, praga conhecida comumente por lagarta do cartucho do milho, mas que há alguns anos ataca indistintamente milho, soja e algodão, além de outros cultivos”, observa o pesquisador da Embrapa Algodão Fábio Aquino de Albuquerque, que participa da mesa-redonda sobre Panorama e potencial uso de agentes de controle biológico na cultura do algodoeiro, no dia 27 de agosto.

Controle biológico
Segundo o entomologista, o controle biológico poderá contribuir significativamente para redução do uso de produtos fitossanitários, preservação das tecnologias Bt e reduzir os impactos ambientais. “Isto já está acontecendo em algumas fazendas que estão utilizando vírus, bactérias e fungos entomopatogênicos para o controle de lagartas, mosca branca e ácaros. Estima-se que em breve fungos entomopatogênicos para o controle de bicudo-do-algodoeiro estarão no mercado. Essa tecnologia poderá ser utilizada no início dos plantios para reduzir a população da praga”, afirma.

Ramulária
A mancha de ramulária é hoje a principal doença da cultura do algodão no Brasil, responsável por até 12 pulverizações durante uma safra em regiões mais suscetíveis ao patógeno. No dia 28, o pesquisador Alderi Emídio de Araújo apresentará os resultados da Rede de Pesquisa da Ramulária, que reúne instituições de pesquisa e empresas multinacionais para testar os fungicidas disponíveis no mercado nas principais regiões produtoras do país. “Vamos apresentar a performance dos principais fungicidas utilizados no controle da mancha de ramulária, os problemas que têm havido com a resistência destes fungicidas e estratégias de manejo para minimizar esses problemas. Com essas informações esperamos permitir ao produtor melhorar o seu programa de controle da doença e reduzir os custos com aplicações”, adianta o coordenador da Rede na Embrapa, pesquisador Alderi Araújo.

Daninhas e resistentes
Como evitar o aparecimento de plantas daninhas resistentes na lavoura? E depois que elas aparecem, como é possível manejar? O pesquisador da Embrapa Algodão Alexandre Cunha de Barcellos Ferreira vai responder a essas e outras questões na mesa-redonda Manejo das plantas daninhas no cultivo do algodoeiro, também no dia 28. “Nenhum herbicida sozinho vai conseguir controlar as plantas daninhas nos sistemas produtivos que envolvem as culturas da soja, milho e algodão. É importante envolver vários herbicidas pré-emergentes, pós-emergentes e mais do que isso, adotar o manejo integrado de plantas daninhas”, orienta o pesquisador.

Ele faz ainda um alerta para o cuidado com o trânsito de máquinas colheitadeiras, que podem transportar plantas daninhas resistentes e infestar as lavouras sadias. “Considerando que do passado para cá nós tivemos um crescimento de área de cerca de 35% e as colheitadeiras não aumentaram na mesma proporção, haverá uma grande transferência de máquinas de um estado para o outro, de uma fazenda para outra. É um risco de se levar plantas daninhas por meio de máquinas, se não forem tomados os devidos cuidados de limpeza”, adverte.
Segundo ele, as plantas de cobertura também são aliadas do produtor no manejo de plantas daninhas, inclusive, as resistentes. Mas é preciso ter cuidado com a procedência das sementes. “Tem sementes de plantas de cobertura como milheto e braquiária que estão vindo infestadas”, avisa.

Nematoides
O manejo de nematoides nos sistemas de cultura dos cerrados é o tema de outra mesa-redonda no dia 28. Na ocasião, o fitopatologista da Embrapa Algodão Fabiano Perina apresentará um estudo realizado nas duas últimas safras que mapeou a ocorrência de nematoides em 250 mil hectares de áreas produtoras de algodão do Oeste Baiano, onde se concentra a maior área de produção da pluma no estado. “Também vamos falar sobre manejo, principalmente de manejo cultural, ou seja, uso de cultivares resistentes, rotação de culturas, uso de matéria orgânica para a redução de nematoides, a exemplo do esterco bovino e da cama de frango, e também sobre as plantas de cobertura que auxiliam no manejo”, adianta.

Outras pragas
Níveis populacionais elevados de Spodoptera frugiperda, ácaro rajado e mosca branca têm sido frequentes nos cultivos de algodão do Cerrado. Num cenário de cultivos predominantes de plantas transgênicas resistentes a outras lagartas, o controle químico de Spodoptera ainda é necessário. Neste contexto, fatores ambientais e de manejo de outras pragas como o bicudo, ácaro rajado e mosca branca passam a se constituir em pragas de maior importância. Mensurar os danos, entender os aspectos que podem estar relacionados com os surtos e discutir medidas de manejo integrado destas pragas-chave do algodoeiro compõem o objetivo da mesa-redonda sobre a situação atual e alternativas de controle de Spodoptera, ácaro rajado e mosca branca no contexto do MIP (Manejo Integrado de Pragas), que acontece dia 28.

“Vamos apresentar o resultado de uma pesquisa sobre a situação atual de pragas nos cultivos de algodão, elaborada através de questionário preenchido por técnicos, consultores, pesquisadores e produtores. Os entrevistados são profissionais com amplo domínio no tema do manejo fitossanitário, de associações, grupos empresariais e instituições de pesquisa diretamente ligados à atividade cotonícola e que atuam nas diversas regiões produtoras de algodão do Cerrado, representando cerca de 30% da área plantada na safra 2018/2019”, conta o entomologista José Ednilson Miranda, do Núcleo de Pesquisa do Cerrado da Embrapa Algodão.

Para conferir a programação científica completa, clique aqui.

Fonte: Embrapa

Texto originalmente publicado em:
Embrapa
Autor: Embrapa

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