O percevejo é uma das principais pragas de culturas produtoras de grãos como soja, milho e arroz, seus danos vão desde a redução da produtividade das culturas até a transmissão de doenças agindo como vetores de transmissão. Das espécies de percevejos que atacam cultivos agrícolas, o percevejo marrom (Euschistus heros) e o percevejo barriga-verde (Dichelops melacanthus) se destacam por atacarem principalmente as culturas de soja e milho, causando danos significativos no sistema de produção agrícola, especialmente nos cultivos de milho safrinha em sucessão a soja.

Figura 1. Percevejo marrom (Euschistus heros).

Foto Percevejo – Marrom: Euschistus heros
Foto: Alessandro Tadeu.

Figura 2. Percevejo barriga-verde (Dichelops melacanthus).

Foto: Antônio R. Panizzi.

Dos principais danos causados pelos percevejos, destacam-se a redução da produtividade da cultura e da qualidade das sementes. Segundo FERNANDES (2017), a densidade populacional dos percevejos assim como o estádio de desenvolvimento das plantas atacadas apresenta relação direta com o potencial de dano dos insetos.

O Autor avaliou o potencial de dano causado por Euschistus heros na cultura da soja e de Dichelops melacanthus na cultura do milho.  Para a cultura da soja, FERNANDES (2017) realizou avaliações com diferentes níveis populacionais da praga (0, 2, 4, 6, 8 e 10 percevejos adultos.gaiola-1) e observou os danos causados por essas populações em diferentes estádios do desenvolvimento da soja, sendo avaliados os estádios vegetativo (V8) e reprodutivos (R2, R4 e R5). No experimento, foi avaliado o dano em duas fileiras de soja
medindo 1,00 metro de comprimento cada, onde foi colocada uma gaiola em estrutura
de PVC com as dimensões de 1,0 m de comprimento por 0,90 de largura e 1,2 m de
altura, a qual abrangia as duas fileiras de soja totalizando 20 plantas.

Figura 3. Gaiolas de PVC cobertas com tecido “tule” instaladas nas parcelas da área experimental do ensaio de danos de E. heros na soja. Dourados-MS, 2014.

Fonte: FERNANDES (2017).

Conforme observado por FERNANDES (2017), para a cultura da soja nas condições do estudo, a presença dos percevejos independentemente da densidade populacional para a soja em estádio V8, não comprometeu a produtividade da cultura. No entanto, para as avaliações no período reprodutivo da soja, FERNANDES (2017) observou que nos estádios R4 e R5 a presença dos percevejos em densidades iguais ou superiores a 2 percevejos.m-2 pode comprometer a produtividade da soja.

Quer conferir o trabalho completo? clique aqui.

Figura 4. Densidade populacional de percevejos versus rendimento de grãos de soja dos ensaios conduzidos nos diferentes estádios fenológicos de desenvolvimento da soja (V8, R2, R4 e R5). Dourados, MS. 2016.

Fonte: FERNANDES (2017).

No que diz respeito ao potencial de dano causado pelo percevejo barriga-verde em milho, FERNANDES (2017) avaliou os danos causados em plantas de milho em diferentes estádios de desenvolvimento, submetidas à presença do percevejo barriga-verde em diferentes estádios do seu desenvolvimento (ninfas pequenas, ninfas medianas, ninfas grandes, adultos e sem percevejo) e diferentes populações da praga, compondo assim, uma série de três ensaios experimentais.

O autor observou que ninfas médias, grandes e adultos do percevejo barriga-verde apresentam maior potencial de causar danos em milho no estádio de desenvolvimento V1, podendo causar redução da produtividade e matéria seca da parte aérea da planta.

Figura 5. Notas de dano segundo a escala de Bianco (2004) em plantas de milho submetidas às infestações de diferentes estágios de desenvolvimento do percevejo barriga-verde Dichelops melacanthus, em casa-de-vegetação. Dourados, MS.

Fonte: FERNANDES (2017).

Com base nas observações de FERNANDES (2017), pode-se concluir que para evitar perdas de produtividade no milho em decorrência do ataque do percevejo barriga-verde, deve-se atentar para o monitoramento da pragas nos estádios iniciais da cultura, dando importância para o controle do percevejo no estádio de ninfas pequenas, pois após esse período há um aumento significativo nos danos causados pela praga. Além disso, os danos causados pelo Dichelops melacanthus no início do desenvolvimento do milho representam maiores perdas de produtividade da cultura (figura 6).

Figura 6. Diâmetro do colmo, rendimento de grãos e notas de danos nas plantas de milho quando infestadas em diferentes estádios de desenvolvimento por adultos de Dichelops melacanthus em condições de campo. Dourados, MS, 2015.

Adaptado: FERNANDES (2017).

Cabe destacar que o trabalho realizado por FERNANDES (2017) nos dá uma boa base quanto aos danos caudados pelos percevejos marrom e barriga-verde nas culturas da soja e milho respectivamente. Sendo assim, é fundamental atentar para o manejo da praga, integrando práticas no manejo integrado que possibilitem a diminuição da população e a persistência da praga no campo. Com relação ao cultivo de culturas “safrinhas”, onde há um pequeno intervalo de tempo para o manejo entressafra, práticas como a utilização de inseticidas para o controle do percevejo em conjunto com a dessecação da área pode proporcionar bons resultados quanto a diminuição da incidência da praga nos estádios iniciais da cultura.

Veja também: Quantos dias vive um percevejo?

Referências:

AGRO BAYER BRASIL. PERCEVEJO-BARRIGA-VERDE. Agro Bayer Brasil, disponível em: < https://www.agro.bayer.com.br/alvos/percevejo-barriga-verde#tab-3>, acesso em: 25/06/2020.

FERNANDES, P. H. R. DANOS E CONTROLE DO PERCEVEJO MARROM (Euschistus heros) EM SOJA E DO PERCEVEJO BARRIGA-VERDE (Dichelops melacanthus) EM MILHO. Tese: Doutorado em Entomologia e Conservação da Biodiversidade, Universidade Federal da Grande Dourados, 2017, disponível em: < http://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/MESTRADO-DOUTORADO-ENTOMOLOGIA/Paulo%20Henrique%20Ramos%20Fernandes.pdf>, acesso em: 25/06/2020.

 

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