Durante o ciclo de desenvolvimento da soja, uma série de doenças podem acometer a cultura, causando perdas quantitativas e qualitativas dos grãos ou sementes produzidas. Algumas doenças como a ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi (Godoy et al., 2022) podem reduzir em até 90% a produtividade da soja sob condições de manejo fitossanitário ineficiente. Com isso em vista, é essencial adotar um manejo fitossanitário eficiente que permita o controle de doenças de forma efetiva, reduzindo as perdas produtivas e qualitativas.
Entretanto, com a grande variedade de produtos e soluções fitossanitárias ofertadas atualmente no mercado, estabelecer um manejo fitossanitário eficiente requer maior perícia no posicionamento de produtos e soluções, bem como na definição da tomada de decisão. Para facilitar o entendimento e reduzir as dúvidas do produtor no momento da tomada de decisão, o Mais Soja conversou com o Consultor de Marketing de Cultivos e Portfólio Soja para Soluções de Agricultura da BASF, Daniel Pinto Holzhausen.
Quando questionado quais doenças podem ser classificadas como as maiores inimigas do produtor, Daniel destaca que hoje as principais doenças da soja são a mancha alvo (figura 1), causada pelo fungo Corynespora cassiicola e a ferrugem-asiática (figura 2), cujo agente causal é o fungo Phakopsora pachyrhizi. A mancha alvo, presente em todo território, mas com maior incidência no cerrado e norte do país, é uma doença que vem tirando o sono do agricultor devido ao aumento da resistência contra os principais defensivos, com destaque para as carboxamidas, com o problema da resistência cruzada. A desfolha promovida pela mancha alvo pode gerar danos de até 40% da produtividade, comprometendo a rentabilidade do agricultor.
Figura 1. Sintomas de mancha alvo em folhas de soja.

Figura 2. Folhas de soja severamente afetas pela mancha alvo.

Já com relação a ferrugem-asiática, Daniel explica que é uma doença de abrangência nacional, porém aparece com mais intensidade no sul do país. Para que ocorra o desenvolvimento da ferrugem, além de condições adequadas de temperatura e umidade, e é fundamental a presença de água livre na folha sendo necessárias no mínimo seis horas, com um máximo de infecção ocorrendo com 10 a 12 horas de molhamento foliar (Henning et al., 2014).
Figura 3. Folíolo de soja afetado pela Ferrugem-asiática.

Figura 4. Folhas de soja afetadas pela Ferrugem-asiática.
Dentre os principais danos ocasionados pela doença, podemos destacar a desfolha. A desfolha promovida pela ferrugem pode causar prejuízos na ordem de 80% da produção dependendo da severidade, chegando a 90% em cultivares mais suscetíveis (Godoy et al., 2022). Por ser uma doença altamente agressiva e causar danos irreversíveis, ela é a mais lembrada pelos produtores brasileiros.
Tendo em vista que a ferrugem-asiática é uma doença de alta agressividade, quais dicas podemos dar aos agricultores para que estejam preparados para enfrentá-la? O que já aprendemos ao longo destes 20 anos de convívio?
Segundo Daniel Holzhausen a ferrugem-asiática foi um grande divisor de águas no que tange o manejo da soja, anteriormente muito orientado ao controle de ervas daninhas, promovendo perdas severas e causando grande prejuízos nunca vistos até então para a cultura da soja. Após 20 anos, chegamos em um nível em que podemos falar que temos agricultores muito mais preparados e instruídos para lidar com a doença e uma indústria mais modernizada para trazer facilidade para o controle, com diversos mecanismos de ação em mistura. No começo dos anos 2000, a BASF trouxe para o mercado o Opera, a primeira mistura de triazol e estrobilurinas dentro do mesmo produto, ficando na vanguarda do manejo da doença. Desde então, a BASF vem trazendo soluções inovadoras e eficientes como o fungicida Blavity® para que o agricultor sempre disponha de uma excelente ferramenta para controle da doença que tirou seu sono por tantos anos.
Conforme recomendações do Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas, todo programa de controle da ferrugem-asiática deve ser iniciado de forma preventiva à ocorrência da doença; dando preferência para o uso de fungicidas com atuação em diferentes locais de ação, permitindo além do controle da doença, o manejo da resistência da ferrugem a fungicidas. Dentre os principais, destacam-se Estrobilurinas, Triazóis, Triazolintione e Carboxamidas (FRAC-BR, 2022).
Nos últimos anos as manchas foliares, especialmente a mancha alvo, têm ganho a atenção dos agricultores e tornando-se também um dos fatores chaves para a escolha de fungicidas para produtores de diferentes regiões, não apenas no cerrado. Quais condições climáticas favorecem sua ocorrência e onde devemos ficar atentos para obtermos sucesso no controle?
Segundo Daniel, além das condições climáticas com temperaturas amenas entre 20º-30ºC e umidade relativa acima de 80%, o grande desafio para o manejo da mancha alvo é o fato dela ser necrotrófica, isto significa que o patógeno causador da doença consegue sobreviver nos restos culturais, podendo também sobreviver associados a outras culturas ou em sementes, logo, a rotação de culturas não é uma medida 100% eficiente para o controle da mancha alvo.
O fungo é encontrado em praticamente todas as regiões de cultivo de soja do Brasil (Henning et al., 2014). A doença é favorecida por chuvas bem distribuídas, em cultivares suscetíveis, os danos podem chegar a 40% (Godoy et al., 2022). Como não há tempo hábil entre as safras de soja para que os restos culturas sejam decompostos, os agricultores devem estar sempre atentos aos primeiros sintomas, como a presença de manchas circulares, com um ponto negro no centro e mais amarelada nas extremidades para que possam fazer o controle químico preventivamente, evitando maiores perdas produtivas. Logo, o monitoramento intensivo da área de cultivo é determinante para o sucesso no manejo da mancha-alvo.
A escolha de um fungicida com mecanismos de ação altamente eficazes, mas com espectro amplo, facilita o manejo do agricultor? Qual a importância do espectro de controle no momento da escolha?
O posicionamento dos defensivos agrícola, em especial dos fungicidas é de suma importância para o sucesso do manejo fitossanitário na cultura da soja. Daniel destaca que apesar das principais doenças do Brasil ainda serem a ferrugem e a mancha alvo, outras doenças já são alvo de discussão dos principais fitopatologistas que mapeiam a evolução e os danos causados para a cultura da soja. Desta maneira, o espectro de controle aparece como um atributo importantíssimo na hora da escolha de seu fungicida para manejar as futuras doenças.
O Blavity®, fungicida inovador da BASF, consegue controlar com alta eficiência a ferrugem e a mancha alvo além de controlar oídio, antracnose e a cercóspora. Ao utilizar o Blavity®, o agricultor contribui para que as doenças secundárias não cheguem ao protagonismo no futuro, além de proporcionar um ótimo desenvolvimento do cultivo, visando a alta lucratividade da sua lavoura.
Também pode-se inferir importante contribuição do posicionamento dos fungicidas sobre o manejo da resistência dos fungos aos fungicidas, sendo recomendado para tanto, a rotação de mecanismos de ação, bem como o emprego de fungicidas protetores e multissítios, reduzindo a pressão de seleção de fungicidas sítio-específicos exercida sobre determinados patógenos.
Crestamento-foliar, causado por Cercospora kikuchii tem crescido em importância, seja em quantidade de hectares impactados, seja na severidade das doenças. As DFCs normalmente apresentam seus sintomas na fase final do ciclo, mas quando devemos manejá-las? Como devemos pensar em um programa de uso de fungicidas para controle de mancha alvo, ferrugem, DFCs que permita o agricultor produzir mais?
Embora com sintomas visuais observados principalmente no final do ciclo de desenvolvimento da soja, algumas doenças conhecidas como DFCs (doenças de final de ciclo da soja) podem causar significativas perdas quantitativas e qualitativas para a cultura, causando depreciação de grãos e/ou sementes produzidas. Daniel explica que um grande engano dos agricultores é associar as doenças de final de ciclo com aplicações de final de ciclo da soja. Um bom manejo das DFCs parte das aplicações de preventivas ainda no estádio vegetativo em V7-V8, ou seja, nas primeiras aplicações de fungicidas. Logo, o controle ideal para as doenças de final de ciclo deve levar em consideração todo programa de aplicação de fungicidas, atuando sempre de forma preventiva.
Então quais medidas o produtor deve adotar para manter sua lavoura protegida por mais tempo, tanto na prevenção quanto no combate às doenças fúngicas?
Se tratando de doenças fúngicas, além uso de sementes com boa qualidade sanitária, resistência genética, integridade física e bom potencial fisiológico, o tratamento de sementes com fungicidas registrados para a cultura assim como o bom posicionamento de fungicidas na pós-emergência da cultura, atuando de forma preventiva, constituem algumas das principais medidas de controle de doenças na soja.
Levando em consideração as diferentes necessidades ambientais dos distintos patógenos para o desenvolvimento das doenças, o monitoramento das áreas e cultivo é de suma importância para balizar o manejo químico, em especial em áreas com o histórico de ocorrência de doenças.
Daniel Holzhausen conclui explicando que além de realizar o vazio sanitário, utilizar variedades mais resistentes, realizar monitoramento preventivo das doenças, promover a rotação de cultivos e a rotação de ativos e a utilização de multissítios, o Agricultor sempre poderá contar com as soluções de alta performance da BASF. A BASF tem o programa de aplicação mais completo do mercado, com cinco diferentes ingredientes ativos, promovendo mais longevidade e sustentabilidade para o manejo de doenças – além disso, fomos a primeira empresa a posicionar fungicidas multissítios para manejo eficiente de resistência. Na soja, esse pioneirismo significa confiança para o produtor, já que nosso portfólio de soluções reforça o nosso compromisso de sermos parceiros do sojicultor em todas as etapas do cultivo. Confiança que cresce ano após ano e que se solidifica no fortalecimento do Legado de cada agricultor.
O fungicida Blavity®, assim como todas as outras soluções de ponta desenvolvidas pela BASF, fazem parte do forte investimento de mais de € 900 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para agricultura. Até 2030, a empresa deve trazer mais de 30 novas soluções e tecnologias para os agricultores brasileiros entre proteção de cultivos e traits de sementes, além de dezenas de variedades de sementes de soja, algodão, arroz e diversas ferramentas digitais.
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Referências:
COMITÊ DE AÇÃO A RESISTÊNCIA A FUNGICIDAS. NOVAS RECOMENDAÇÕES PARA O MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. FRAC-BR, 2022. Disponível em: < https://www.frac-br.org/soja >, acesso em: 18/11/2022.
GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2021/2022: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 187, 2022. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/doc/1145904/1/Circ-Tec-187.pdf >, acesso em: 18/11/2022.
GODOY, C. V. Et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA MANCHA-ALVO, Corynespora cassiicola, NA CULTURA DA SOJA, NA SAFRA 2021/2022: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 182, 2022. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/240082/1/Circ-Tec-182-.pdf >, acesso em: 18/11/2022.
HENNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/105942/1/Doc256-OL.pdf >, acesso em: 18/11/2022.