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Oídio em soja

O oídio é uma doença causada pelo fungo Erysiphe difusa, a qual pode ocasionar perdas de até 30%. Os sintomas dessa doença podem manifestar-se em qualquer parte da planta e em qualquer estágio de desenvolvimento da cultura. O fungo sobrevive em plantas voluntárias de soja e em hospedeiros alternativos, como feijão, tremoço-branco, feijão-de-porco e mucuna-branca (Seixas et al., 2022).

Embora a doença possa ocorrer em qualquer estágio de desenvolvimento da planta, Henning et al. (2014) destacam que é mais comum no início da floração. Condições como baixa umidade relativa do ar e temperaturas moderadas, variando entre 18 e 24 °C, são propícias para o desenvolvimento do fungo. De acordo com Guterres (2021), em anos de déficit hídrico, o oídio é considerado uma das doenças mais comuns. É importante notar que o oídio é uma das poucas doenças fúngicas que não requerem a presença de água livre na superfície da folha para a infecção ocorrer.

Figura 1. Sintomas de oídio (Erysiphe difusa) em soja.
Fonte: Godoy et al. (2022).

O fungo se desenvolve em toda a parte aérea da soja, como folhas, hastes, pecíolos e vagens, embora seja raramente observado nas vagens (Seixas et al., 2020). Os sintomas característicos do oídio, segundo Seixas et al. (2022), consistem em uma fina camada esbranquiçada de micélio e esporos do fungo, que podem surgir em pequenas manchas ou cobrir completamente a parte aérea da planta, especialmente as folhas, em ambas as faces. O fungo coloniza os tecidos da planta superficialmente e extrai nutrientes através de haustórios nas células da epiderme. A disseminação ocorre principalmente através do vento. Trata-se de um fungo biotróficos, o qual necessita de hospedeiros vivos para sobreviver, crescer e se reproduzir (Prestes et al., 2022).

Figura 2. Ciclo de desenvolvimento do Oídio (Macrosphaera difusa). Com a presença de oídio na lavoura, folhas doentes produzem muitos esporos que são dispersos e gerarem novas infecções. Em condições favoráveis, o oídio evolui rapidamente na planta.
Fonte: Prestes et al. (2022).

Em casos de infecção moderada a severa, a expansão do micélio e a frutificação do fungo reduzem a área fotossinteticamente ativa, dificultando a absorção de energia solar. Isso resulta na redução da produção de fotoassimilados e energia para a planta, levando ao ressecamento e queda precoce das folhas, o que prejudica o rendimento da cultura. A ocorrência de oídio é mais comum em ambientes com baixa umidade relativa do ar e períodos sem ocorrência de chuvas (Prestes et al., 2022).

Com a presença de fenômenos climáticos como La Niña ou El Niño, certas condições podem afetar o desenvolvimento de doenças na cultura da soja. Durante o La Niña, caracterizado por baixa disponibilidade e volume de chuvas no Sul do Brasil, o clima seco, combinado com temperaturas amenas, pode propiciar um ambiente favorável ao crescimento do oídio na região.

Figura 3. Influência do fenômeno climático na favorabilidade de Oídio para a região de atuação do grupo ABC, Paraná e São Paulo.
Fonte: Prestes et al. (2022).

Além disso, Grigolli (2015) ressalta que outros fatores, como a época de semeadura e a fase de desenvolvimento da planta, exercem uma influência significativa na severidade da doença. Como resultado, algumas cultivares que são consideradas resistentes podem se tornar suscetíveis quando plantadas fora da época adequada.



Estratégias para o controle da doença

A recomendação para o controle do oídio na cultura da soja é agir no aparecimento dos primeiros sintomas da doença na lavoura, que normalmente começam a surgir no estágio fenológico de V5/V6. Devido à elevada taxa de evolução da doença em condições favoráveis, o controle se torna mais difícil, especialmente após o fechamento das entrelinhas (Prestes et al., 2022).

De acordo com Godoy et al. (2022), as estratégias de controle do oídio envolvem o uso de cultivares que apresentem resistência à doença, além do emprego de controle químico. As aplicações de fungicidas para o controle do oídio são geralmente realizadas após a detecção dos sintomas iniciais, com um limiar de ação estabelecido em 20% de severidade no terço inferior da planta, com uma média de 20 plantas selecionadas aleatoriamente dentro da lavoura.

No entanto, os autores ressaltam que essa recomendação não possui suporte em dados específicos nem é baseada em limiares de dano ou em grupos químicos de fungicidas. É indicado que as aplicações não sejam realizadas após o estágio R5.5 da planta. Além disso, o uso de fungicidas deve ser realizado dentro de um sistema de manejo, considerando todas as doenças que incidem na cultura e priorizando sempre a rotação de fungicidas com diferentes modos de ação para atrasar o aparecimento de resistência do fungo aos fungicidas.


Veja mais: Míldio (Peronospora manshurica) em soja



Referências:

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DO OÍDIO, NA SAFRA 2021/2022: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, circular técnica, 184. Londrina – PR, 2022. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/doc/1145700/1/Circ-Tec-184.pdf >, acesso em: 13/03/2024.

GRIGOLLI, J. F. J. MANEJO DE DOENÇAS NA CULTURA DA SOJA. Tecnologia e produção: soja 2014/2015, cap. 8. Fundação MS, 2015. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/wp-content/uploads/2021/02/Tecnologia-Producao-Soja-20142015.pdf >, acesso em: 13/03/2024.

GUTERRES, C. W. OÍDIO NA SOJA. Rede Técnica Cooperativa – RTC, 2021. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=k5miqc4Rs6g >, acesso em: 13/03/2024.

HENNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, documentos, 256. Londrina – PR, 2014. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/105942/1/Doc256-OL.pdf >, acesso em: 13/03/2024.

PRESTES, S. et al. OÍDIO E MOFO-BRANCO EM SOJA: LA NIÑA FAVORECE O DESENVOLVIMENTO DESSAS DOENÇAS. Fundação ABC, Fitopatologia2022. Disponível em: < https://fundacaoabc.org/wp-content/uploads/2022/11/202211revista-pdf.pdf  >, acesso em: 13/03/2024.

SEIXAS, C. D. S. et al. BIOINSUMOS PARA O MANEJO DE DOENÇAS FOLIARES NA CULTURA DA SOJA. Embrapa, Bioinsumos na Cultura da Soja, cap. 19. Brasília – DF, 2022. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/234840/1/Bioinsumos-na-cultura-da-soja.pdf >, acesso em: 13/03/2024.

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Equipe Mais Soja
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