O objetivo do trabalho é avaliar a eficiência do uso de gesso agrícola em superfície sobre a qualidade fisiológica de sementes de trigo produzidas.

Autores: Monique T. Hoppen1; Márcio Zilio2; Tamara Pereira3; Analu Mantovani4; Fernanda Thais Rosa5; Priscila Bulla6

Introdução

O incremento na produtividade de trigo no Brasil é resultado de diversos fatores incluindo a maior qualidade das sementes oferecidas ao produtor. O município de Campos Novos, SC, conta atualmente com uma área de aproximadamente 7 mil ha de trigo, com uma produtividade média de 2100 kg ha-1, contando com chuvas bem distribuídas o ano todo, temperaturas amenas no período da colheita e clima mais seco, baixa umidade relativa do ar e baixas temperaturas no armazenamento, favorecendo a preservação das sementes (IBGE, 2017). Devido ao alto uso do sistema de semeadura direta o solo passa um longo período sem revolvimento, essas áreas podem apresentar impedimentos físicos e químicos para o aprofundamento do sistema radicular das culturas. Nesse sistema a calagem também é realizada na superfície do solo.

O corretivo de acidez mais utilizado no Brasil é o calcário. A aplicação de gesso agrícola em superfície é apontada como uma alternativa para a melhoria do ambiente radicular. A relação gesso agrícola e calcário pode compensar o efeito reduzido do calcário apenas no local de aplicação, pois o gesso agrícola chega no subsolo, nos primeiros anos de cultivo, sem necessidade de incorporação prévia (CAIRES et al., 2003). Solos com boa disponibilidade de nutrientes proporcionam plantas bem nutridas e com isto existem grandes chances de uma produção de sementes de alta qualidade fisiológica. Portanto o objetivo do trabalho é avaliar a eficiência do uso de gesso agrícola em superfície sobre a qualidade fisiológica de sementes de trigo produzidas.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido a campo na safra 2016 em Campos Novos SC, em Nitossolo Vermelho Distrófico. O experimento foi implantado em área com SSD consolidada, em DBC com parcelas subdivididas e quatro repetições. Nas parcelas foram avaliados dois tratamentos de calcário dolomítico definidos de acordo com a necessidade de calagem para elevação do pH a 6,0, na camada de 0-20 cm: com e sem calcário. As subparcelas foram as doses de 0, 1.000, 2.000, 4.000 e 8.000 kg ha-1 de gesso. A aplicação do gesso agrícola foi realizada em superfície e dose única previamente ao cultivo da soja seguindo com o cultivo do trigo. A semeadura do trigo foi realizada em 14/06/2016 e a cultivar utilizada foi a TBIO Toruk. A parcela foi composta de 5 linhas de 6 metros com espaçamento entre linhas de 0,17 metros.

A adubação de base e cobertura para a cultura de trigo foi realizada de acordo com as recomendações do Manual de adubação e calagem para os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul (CQFS – RS/SC, 2016), baseada na análise inicial do solo. A densidade de sementes e os tratos culturais durante os ciclo da cultura seguiram a recomendação pra mesma. Os dados de precipitação e temperatura média ocorridos durante o experimento estão demonstrados na figura 1. As plantas da área útil da parcela foram colhidas em 30/11/2016, as quais foram trilhadas e suas sementes foram armazenadas em sacos de papel em condição ambiente durante 12 meses. A partir desta amostra foram realizadas as análises de qualidade fisiológica: percentual de germinação e vigor (comprimento de plantas, condutividade elétrica e envelhecimento acelerado).

Figura 1. Dados de precipitação e temperatura média de Campos Novos (SC) do período do experimento.

Os dados foram submetidos às análises de variância e análise de regressão. Na análise de variância quando observada diferença significativa, aplicou-se o teste Tukey ao nível de 5% de probabilidade.

Resultados e Discussão

O percentual de germinação e vigor por condutividade elétrica não diferiram entre as doses de gesso e também em relação ao uso de calcário pelo teste Tukey 5% (Tabela 1). O percentual médio de germinação foi de 63% o que é inferior ao mínimo exigido pela legislação brasileira, que requer 80% (BRASIL, 2013). De forma similar, Vieira et al. (1986) não observou influência das doses de calcário dolomítico (0,5; 1,5 e 4,0t ha-1) sobre a percentagem de germinação das sementes de amendoim. Em contrapartida, Maeda, Lago e Tella (1986) obteve o maior percentual de germinação (94,9%) em sementes de amendoim produzidas com o uso de calcário, as quais foram superiores e diferente da testemunha, que apresentou apenas 70% de germinação.

Já Spindola e Cicero (2002) observaram um incremento de 6% no percentual de germinação em sementes de amendoim com uso de gesso agrícola. O percentual de vigor pelo teste de envelhecimento acelerado com uso de calcário foi superior (53%) aos tratamentos sem uso de calcário (39%) independente da dose de gesso (Tabela 1). A dose de gesso agrícola também não apresentou resposta em trabalho realizado por Spindola e Cicero (2002) para o vigor por envelhecimento acelerado em sementes de amendoim. O comprimento de plântulas de trigo foi superior aos demais tratamentos na dose de 2000 kg há de gesso com o uso de calcário (Tabela 1), o que favorece o desenvolvimento inicial de plântulas a campo. O calcário disponibiliza alguns nutrientes importantes para boa nutrição da planta e consequentemente da semente o que gerou maior vigor pelo teste de comprimento de plântula e envelhecimento acelerado.


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Em estudos Prado e Natale (2004) concluíram que a calagem aumenta a disponibilidade e absorção de Ca pela planta, proporcionando maior desenvolvimento do sistema radicular da goiabeira. A cultura da cana também obteve respostas à calagem quanto a produtividade em experimento realizado por Rossetto et al. (2004). Para Pauletti et al. (2014) a aplicação de gesso aumenta a produtividade de milho e trigo e influencia leguminosas como a soja em safra com baixa disponibilidade de água. Schmidt, Tomelero e Bona (2016) concluíram que o calcário combinado com o gesso agrícola é a melhor opção para atingir produções elevadas de grãos de soja e trigo em plantio direto.

Tabela 1. Percentual de germinação (G), envelhecimento acelerado (EA), condutividade elétrica (C) e comprimento de plântulas (CP) de sementes de trigo produzidas na safra 2016 com e sem calcário e com doses de gesso aplicadas em superfície sem incorporação.

Conclusões

A aplicação de gesso agrícola em áreas com e sem calcário na cultura da trigo, não interferiu na no percentual de germinação e no vigor por condutividade elétrica das sementes de trigo. O uso da dose de 2000 kg ha-1 de gesso agrícola em parcelas calcário possibilitaram um maior comprimento de plântulas de trigo. O percentual de vigor por envelhecimento acelerado foi maior em sementes produzidas com a utilização de calcário e não diferiu em relação as doses de gesso agrícola.

Referências

Brasil. Instrução Normativa. Do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Sistema integrado de legislação, 2013.

Caires, E. F. et al. Alterações químicas do solo e resposta da soja ao calcário e gesso aplicados na implantação do sistema plantio direto. R. Bras. Ci. Solo, 27:275-286, 2003.

Comissão de Química e Fertilidade do Solo – CQFS RS/SC. Manual de calagem e adubação para os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 11. ed. Porto Alegre, SBCS/NRS, 2016. 376 p.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, Campo Grande: IBGE, 2017.

Maeda, J. A; Lago, A. A. do; Tella, R. de. Efeito da calagem e adubação com NPK na qualidade de sementes de amendoim. Campinas: Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 21, n.9, p.941-944, 1986.

Pauletti, V. et al. Efeitos em longo prazo da aplicação de gesso e calcário no sistema de plantio direto. R. Bras. Ci. Solo, 38:495-505, 2014. Prado, R. M; Natale, W. Calagem na nutrição de cálcio e no desenvolvimento do sistema radicular da goiabeira. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.39, n.10, p.1007-1012, out. 2004.

Rossetto, R. et al. Calagem para a cana-de-açúcar e sua interação com a adubação potássica. Bragantia, Campinas, v.63, n.1, p.105-119, 2004.

Schmidt, F; Tomelero, V; bona, F. D. Gesso agrícola e calcário aplicados no sistema de plantio direto com e sem revolvimento do solo. Agropecuária Catarinense, Florianópolis, v.29, n. 1, p.86-93, jan./abr.2016.

Spinola M. C. M; Cicero E. S. M. Qualidades física e fisiológica de sementes de amendoim submetidas a doses de gesso agrícola combinadas a épocas e modos de aplicação: ii. Área sem calagem. São Paulo: Revista Brasileira de Sementes, vol. 24, nº 1, p.229-236, 2002.

Tedesco, Marino José et al. Análise de solo, plantas e outros materiais. 2. ed. Porto Alegre: Departamento de Solos da UFRGS, 1995. 174 p. (Boletim Técnico, 5).

Vieira, R.D.; Fornasieri, D.; Fornasieri, J.L.; Decaro, S.; Ferrera, M.E. Efeito da aplicação de calcário e gesso na qualidade de sementes de amendoim. Revista Brasileira de Sementes, v.8, n.2, p.99-108, 1986.

Informações dos autores

1Estudante, Universidade do Oeste de Santa Catarina;

2Professor, Universidade do Oeste de Santa Catarina, SC 135, Km 180, número 2500, Campos Novos-SC, 89620-000;

3Professora, Universidade do Oeste de Santa Catarina;

4Professora, Universidade do Oeste de Santa Catarina;

5Estudante, Universidade do Oeste de Santa Catarina; (6)Eng. Agrônoma, Universidade do Oeste de Santa Catarina

Disponível em: Anais da XII Reunião Sul-Brasileira de Ciência do Solo. Xanxerê – SC, Brasil.

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