Para diminuir a interferência negativa causada por plantas daninhas nas culturas agrícolas, competindo por água, radiação solar e nutrientes do solo, é fundamental realizar o controle das plantas daninhas. No cultivo da soja, algumas plantas daninhas como a Buva (Conyza spp.) e o Caruru (Amaranthus spp.) interferem significativamente na produtividade da cultura e apresentam controle relativamente complicado pela tolerância e resistência a alguns herbicidas utilizados no manejo da plantas daninhas da soja, além disso, o elevado fluxo de emergência e produção de sementes dessas plantas daninhas dificultam sua eliminação das áreas de cultivo.



O glifosato, herbicida mais utilizado no controle de plantas daninhas no cultivo da soja com a tecnologia RR, já não é tão eficiente para controlar algumas plantas daninhas pois algumas delas apresentarem resistência a ele (figura 1), sendo assim, é necessário pensar em estratégias e tecnologias que possibilitem o controle eficiente dessas plantas daninhas. Uma delas é a tecnologia Xtend® que confere a soja tolerância ao Dicamba, herbicida muito utilizado no controle de plantas daninhas, tornando-o uma alternativa interessante para uso na cultura da soja.

Figura 1. Plantas daninhas com resistência simples e múltipla ao glifosato.

Fonte: Fernando Adegas, Embrapa Radar da Tecnologia Soja (2020).

Entretanto, casos de resistência do Amaranthus hybridus aos herbicidas glyphosate, imazethapyr e dicamba foram relatados em território Argentino, além da conhecida resistência da planta daninha ao glifosato, relatos de resistência ao chlorimuron também foram observados no Brasil.   A nível mundial já são 32 casos registrados da espécie a herbicidas. Já com relação ao Amaranthus palmeri que é considerada uma planta exótica, o primeiro relato da planta daninha em solo brasileiro ocorreu em 2015, no estado do Mato Grosso.

Confira aqui: Caruru (Amaranthus hybridus) resistente a herbicidas

Em território brasileiro, a maior preocupação com relação as espécies de caruru é com o Amaranthus hybridus, entretanto, em território Norte-Americano o Amaranthus palmeri se destaca.

Figura 2. Amaranthus palmeri

Foto: https://goo.gl/29xMhA

Embora ambas as espécies sejam parecidas, algumas característica as distinguem. Na tabela 1 é possível observar características das espécies de caruru que podem auxiliar na identificação da planta daninha.

Tabela 1. Características morfológicas entre espécies do gênero Amaranthus que podem auxiliar na identificação do caruru-palmeri.

Fonte: Gazziero & Silva (2017).

Em um material disponibilizado pela Embrapa sob autoria de Gazziero & Silva (2017) e intitulado “Caracterização e manejo de Amaranthus palmeri” é possível consultar mais características de identificação da planta daninha, assim como práticas de manejo que auxiliam no seu controle, Confira o material completo clicando aqui!

Em território americano, boa parte da soja e algodão cultivados contam com a tecnologia Xtend®, sendo utilizado o Dicamba para o controle de plantas daninhas, especialmente Amaranthus palmeri. Entretanto, a notícia da resistência da planta daninha ao Dicamba recentemente confirmada soa como um alerta aos produtores. Conforme dados disponíveis em Progressive Farmer, não é o primeiro caso de resistência da planta daninha ao herbicida registrado (confira o relato do estado do kansas em 2019), entretanto, é o primeiro caso de populações de plantas resistentes ao Dicamba que estão disseminadas o suficiente para atrapalhar as operações/práticas agrícolas de forma a impor mudanças no manejo das plantas daninhas.  A resistência foi observada no Tennessee por cientistas e pesquisadores da área.  Os pesquisadores da Universidade do Tennessee, da Universidade do Arkansas e da Texas Tech University através de estudos, testes em estufas e a campo concluíram a resistência do Amaranthus palmeri ao Dicamba. As populações de plantas para o estudo foram coletadas em vários municípios do Tennessee (Progressive Farmer).

Anteriormente a confirmação da resistência do Amaranthus palmeri ao Dicamba, um outro estudo realizado por Larry Steckle, especialista em plantas daninhas da Universidade do Tennessee avaliando o controle de Amaranthus palmeri com a utilização de Dicamba em diferentes populações de plantas demonstrou certa tolerância das plantas daninhas ao herbicida. Para o estudo, Larry Steckle utilizou sementes de Amaranthus palmeri coletadas em 2001 e 2019, (antes a após a comum utilização do herbicida para o controle de plantas daninhas nas lavouras americanas).

 “É oficial”, disse o cientista de ervas daninhas da Universidade do Tennessee, Larry Steckel. “Temos resistência ao dicamba, e alguns resultados preliminares sugerem que a tolerância ao 2,4-D também está acompanhando”.

Figura 3. A esquerda, plantas de Amaranthus palmeri (sementes de 2001) sob efeito do controle com Dicamba, à direita, plantas de Amaranthus palmeri (sementes coletadas em 2019) sob efeito do controle com Dicamba.

Foto: Larry Steckle.
Fonte: AgFax Weed Solutions.

O estudo demonstra certa tolerância das plantas daninhas ao Dicamba, ou seja, um alerta já havia sido dado com relação a possíveis casos de resistência.  Sendo assim, é importante atentar para novas práticas de manejo que evitem a aumento da resistência da planta daninhas ao herbicida.

Uma informação preocupante que exige certa reflexão quanto a situação brasileira. O mesmo pode acontecer no Brasil com o cultivo da soja resistente? O que devemos fazer para evitar? Exemplos de outros países podem nos suportar para as melhores tomadas de decisão.

É importante buscar alternativas que possibilitem a manutenção da eficiência dos herbicidas, assim como para os demais defensivos agrícolas, a rotação de culturas e um manejo eficiente na safra e entressafra são essenciais para isso.



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 Referências:

ADEGAS, F. Palestra online – Plantas daninhas resistentes: situação atual e manejo. Embrapa – Radar da Tecnologia Soja, disponível em: https://youtu.be/-HPHU1wHWfE>, acesso em: 29/07/2020.

AGFAX SEED SOLUTIONS. PIGWEED RESISTENTE A DICAMBA? SUPERFÍCIE DE SINAIS AINDA NÃO PREOCUPANTE. AgFax Seed Solutions, disponível em: < https://agfaxweedsolutions.com/2020/04/14/dicamba-resistant-pigweed-not-yet-but-troubling-signs-surface/>, acesso em: 29/07/2020.

AGFAX SEED SOLUTIONS. TENNESSEE: SCREENING PALMER PIGWEED FOR DICAMBA RESISTANCE – REASONS TO STOP AND THINK. AgFax Seed Solutions, disponível em: < https://agfaxweedsolutions.com/2020/03/27/tennessee-results-of-the-2019-palmer-amaranth-dicamba-screen/>, acesso em: 29/07/2020.

GAZZIERO, D. L. P; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa, Documentos, n. 384, Londrina, 2017, disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/159778/1/Doc-384-OL.pdf>, acesso em: 30/07/2020.

PROGRESSIVE FARMER. DICAMBA-RESISTANT PIGWEED DICAMBA-RESISTANT PALMER AMARANTH CONFIRMED IN TENNESSEE. Progressive Farmer, disponível em: < https://www.dtnpf.com/agriculture/web/ag/crops/article/2020/07/27/dicamba-resistant-palmer-amaranth>, acesso em: 29/07/2020.

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