Por Equipe: Prof. Dr. Lucilio R. Alves, Dr. André Sanches, Débora Kelen Pereira da Silva, Carolina Sales, Natália Correr Ré, Thaís Bragion Bertoloti, Kaline Lacerda, Natália Guimarães e Maria Clara de Faveri.

Como boa parte da safra 2019/20 já havia sido negociada antecipadamente (ainda em 2019), sojicultores brasileiros consultados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, iniciaram o ano de 2020 resistentes nas vendas envolvendo grandes lotes, voltados ao cumprimento de contratos. O atraso na colheita também trazia incertezas quanto ao volume a ser produzido, que, no fim das contas, foi recorde, de 124,8 milhões de toneladas, segundo a Conab.

A partir do segundo bimestre do ano, o dólar passou a operar acima dos R$ 5,00, o que acirrou a disputa entre compradores domésticos e externos de soja. Esse cenário reduziu a diferença entre os valores pagos no porto de Paranaguá (PR) e no estado do Paraná.

Do lado da demanda interna, indústrias brasileiras adquiriram maiores volumes, no intuito de suprir a aquecida procura por derivados. Além disso, naquele momento, as exportações de farelo e de óleo de soja foram favorecidas pela menor oferta na Argentina – como forma de impedir o avanço da covid-19, o governo argentino limitou o movimento nos portos, ao mesmo tempo em que a quebra de produção naquele país se concretizava.

No segundo trimestre, as exportações brasileiras foram se intensificando, à medida que a China demandava volumes recordes de soja. Já no último semestre, com o baixo excedente e preços recordes, a soja brasileira começou a ficar menos atrativa aos importadores. Assim, compradores internacionais se voltaram ao produto dos Estados Unidos, que passou a ser negociado acima dos US$ 12,00/bushel – cenário não que não era visto desde 2016.

Daí em diante, o pouco volume ofertado no Brasil foi disputado por indústrias locais, que ofereceram preços acima dos da paridade de exportação, algo atípico. Esse contexto fez com que os preços recordes fossem renovados mês a mês e estimulou agentes a negociar a produção das duas próximas safras – sendo a de 2022 ainda de forma incipiente.

Em 2020, os Indicadores da soja ESALQ/BM&FBovespa Paranaguá e CEPEA/ESALQ Paraná registraram respectivas médias anuais de R$ 121,24/sc e de R$ 115,86/sc de 60 kg, com significativos aumentos de 47,5% e 50,9% frente às do ano anterior.

Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, as cotações de 2020 da oleaginosa subiram 45% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 49% no de lotes (negociações entre empresas). Quanto ao dólar, teve média de R$ 5,16 em 2020, 30,3% acima da registrada em 2019.

Diante dos elevados preços e da baixa disponibilidade, em outubro, o governo brasileiro isentou os impostos de importação de soja de países de fora do Mercosul. Com isso, algumas fábricas intensificaram a importação do grão para continuar abastecendo o mercado nacional de farelo e óleo de soja. Atento à firme demanda global por soja, o governo da Argentina reduziu a taxa de exportação, que passou de 33% para 30% no último trimestre do ano.

Derivados – Mesmo com encarecimento nos preços da matéria-prima, as indústrias brasileiras conseguiram repassar o aumento no custo aos derivados, tendo em vista a firme demanda. Esse cenário favoreceu a margem de lucro das indústrias em praticamente todo o ano.

No caso do óleo, a procura para a produção de biodiesel limitou a oferta doméstica e fez com que o setor alimentício tivesse dificuldades na aquisição do derivado. Quanto ao farelo de soja, diante da maior competitividade com os consumidores externos, avicultores e suinocultores domésticos procuraram, em alguns momentos do ano, mudar a composição das rações, no intuito de reduzir o custo. Uma das opções foi o DDG (grãos secos por destilação, na sigla em inglês).

Com isso, o preço pago pelo óleo de soja bruto degomado na cidade de São Paulo foi de R$ 4.782,82/tonelada em 2020, significativos 60,6% superior ao de 2019. Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, os valores do farelo subiram 48,3%.

Front Externo – No agregado do ano, o Brasil exportou 83,03 milhões de toneladas de soja em grão em 2020, 12,1% superior ao volume embarcado em 2019, segundo a Secex. O preço médio nominal, de janeiro a dezembro, foi de R$ 109,46/sc de 60 kg, 30,1% acima do registrado no ano anterior.

Os principais destinos da soja brasileira foram a China (com 73,2%) e Países Baixos (3,93%). Do volume exportado no ano, 25,53% foram escoados pelo porto de Santos (SP), 17,87%, por Paranaguá (PR) e 11,25%, por Rio Grande (RS). Vale observar que, em 2020, houve crescimento de 24,89% nas exportações de soja pelo porto de São Francisco (SC). Quanto às importações de soja em grão, em 2020, foram as mais elevadas desde 2013 – os principais fornecedores do Brasil foram o Paraguai (59%) e o Uruguai (40%).

Já as exportações de derivados foram menores em 2020, influenciadas pelo maior consumo doméstico. O Brasil embarcou 16,02 milhões de toneladas de farelo de soja (3,9% inferior ao escoado em 2019) e 915 mil toneladas de óleo de soja (queda de 3,4%).  Os preços médios recebidos pelas vendas de farelo e óleo de soja subiram 28,6% e 29,2%, respectivamente, em 2020 – conforme dados da Secex.

Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br

Texto originalmente publicado em:
Cepea
Autor: Equipe: Prof. Dr. Lucilio R. Alves, Dr. André Sanches, Débora Kelen Pereira da Silva, Carolina Sales, Natália Correr Ré, Thaís Bragion Bertoloti, Kaline Lacerda, Natália Guimarães e Maria Clara de Faveri.

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