A Embrapa Territorial apresentou estudos e soluções tecnológicas desenvolvidos para a cadeira da cotonicultura durante o 16º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado de 27 a 29 de agosto, em Goiânia / GO.

O levantamento das dimensões territorial e econômica de áreas dedicadas à vegetação nativa pelos produtores da fibra e a macrologística até os mercados de destino foram dois dos trabalhos destacados. Os participantes do evento também puderam conhecer o projeto de monitoramento da favorabilidade à ocorrência de doenças no Oeste da Bahia e o estudo que embasou a retirada de Rondônia da zona de exclusão de algoodoeiros transgênico.

As equipes de pesquisa e transferência de tecnologias da Embrapa Territorial recebeu, no evento, empresas e organizações de produtores interessados em parcerias para estudos e projetos.

Trabalhos científicos e premiação

Três pesquisadores do Grupo de Monitoramento Estratégico da Embrapa Territorial apresentaram resultados de trabalhos científicos no Congresso. O estudo da capacidade de sequestro de carbono em diferentes sistemas de produção de algodão, milho e soja no cerrado baiano foi um dos que receberam o Prêmio Inovação do evento, na categoria “Áreas temáticas”. O pesquisador Júlio Bogiani é o autor principal do trabalho, realizado junto com colegas da Embrapa Algodão (Campina Grande, PB).

Para chegar aos resultados apresentados no evento científico, Bogiani realizou experimentos durante cinco anos em Luís Eduardo Magalhães, BA. Ele mensurou a quantidade de Carbono fixada na biomassa dos grãos e fibras e também no solo, comparando três cenários de monocultura em plantio convencional – algodão, milho e soja – e três diferentes combinações de rotação de culturas em sistema plantio direto: soja e milho + Brachiaria ruziziensis; milho+Brachiaria ruziziensis, algodão e soja+Crotalaria ochroleuca; soja+sorgo e algodão.

As análises mostraram que a quantidade de Carbono acumulada na biomassa dos grãos e fibras que são exportados da área por ocasião da colheita variou de 1.394 quilos por hectare (kg/ha) na soja em plantio convencional até 4.171 kg/ha no milho em sistema de plantio direto. Essa prática conservacionista aumentou a fixação de Carbono tanto na biomassa quanto no solo. No caso deste último, os pesquisadores compararam a área do experimento após cinco anos de cultivo com uma área de cerrado nativo. O primeiro apesentava 29,6% mais Carbono.

Bogiani diz que o plantio direto já é conhecido por sua capacidade de preservar matéria orgânica no solo e, com isso, incrementar o sequestro de Carbono, mas pouco se tem considerado a fixação do elemento químico na biomassa dos grãos e fibras produzidos. Para ele, o trabalho mostrou que os cultivos de soja, milho e algodão funcionam como “verdadeiras bombas” que sequestram quantidades consideráveis de Carbono a cada ano, o que normalmente é ignorado quando se faz um balanço do impacto da atividade agrícola. Também na opinião do pesquisador, essa capacidade de retirar o elemento químico da atmosfera é ainda mais relevante no caso do algodão, já que as fibras, nos tecidos, podem mantê-lo aprisionado por anos.

Os outros dois trabalhos divulgados no Congresso foram “Estudo da população de plantas do algodoeiro sobre diferentes espaçamentos entrelinhas de semeadura”, liderado pela pesquisadora Cristiaine Kano, e “Rebrota adventícia a partir de raízes em algodão selvagem e cultivado”, do pesquisador Paulo Barroso.

Fonte: Embrapa

Texto originalmente publicado em:
Embrapa Territorial
Autor: Vivian Chies - Embrapa Territorial

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