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Você aplica Fósforo em superfície?

O Fósforo (P) é considerado um dos nutrientes mais difíceis de se manejar no solo. Ele apresenta uma complexa dinâmica, apresentando algumas particularidades que o diferem da maioria dos nutrientes no solo. A regulação da dinâmica do P no sistema solo-planta ocorre principalmente pela regulação abiótica e biótica.

No solo, o P desloca-se em direção a planta fundamentalmente por difuso (Carmo & Torrent, 2010), entretanto, o P se fixa facilmente nos minerais da argila, ficando frequentemente indisponível na solução do solo para as plantas. Além disso, ao contrário do que observamos com o potássio (K), o Fósforo é considerado um nutriente imóvel no solo, com mobilidade extremamente baixa.

Essa característica torna necessário aportar fósforo na maioria dos solos agrícolas, anualmente para suprir as demandas das culturas agrícolas. No entanto, entre 20% e 30% do fósforo aplicado como fertilizante é aproveitado pelas culturas anuais em solos tropicais, sendo necessária a aplicação de quantidades que, em geral, superam em muito as extrações dessas culturas (Pereira, 2009).

Em função da necessidade de elevadas quantidades de Fósforo para corrigir os teores nutricionais de alguns solos, nem sempre a adubação com P é um processo fácil, requerendo maior capacidade operacional e/ou dificultando a semeadura da cultura quando o Fósforo é distribuído via sulco, no momento da semeadura.

Com limitações operacionais, muitos produtores optam por realizar a adubação fosfatada em cobertura (a lanço) para maior ganho operacional na semeadura. Contudo, em função das limitações de mobilidade do Fósforo no solo, bem como sua facilidade em ficar adsorvido no solo, a adubação a lanço não é uma opção agronomicamente eficiente.

Conforme observado por Barbosa et al. (2015), quando o fósforo é aplicado a lanço, o nutriente concentra-se na camada superficial do solo (0-2,5 cm), limitando a sua distribuição vertical no perfil, comprometendo a distribuição de raízes da planta.



Figura 1. Distribuição de Fósforo no solo em função da profundidade e dos tratamentos.

Fonte: Barbosa et al. (2015)

Atrelado a impossibilidade do Fósforo em se distribuir no perfil do solo, Lana et al. (2003) destacam que não há diferença significativa de produtividade da soja em função da adubação com fertilizante a base de fósforo aplicado a lanço (em superfície), independentemente do período em que ele é fornecido.

Vale destacar que a capacidade do solo em adsorver Fósforo é em média 1.000 vezes superior que a adubação fosfatada geralmente aplicada em culturas agrícolas, resultando que em condições naturais, normalmente se tenha uma tendência a deficiência de Fósforo Vilar & Vilar (2013). Com isso em vista, é necessário adotar estratégias quer permitam aumentar a eficiência do fósforo adicionado ao sistema, possibilitando com que a planta acesse esse nutriente.

Manejo

Por se tratar de um nutriente imóvel no solo, não é recomendada a adubação com Fósforo em superfície. Sob níveis muito baixos, médios ou adequados de disponibilidade do Fósforo no solo, sua adubação deve ocorrer obrigatoriamente via sulco, sendo vedada a adubação de cobertura (em superfície).

No entanto, não quer dizer que a adubação com Fósforo seja proibida. Considerando as limitações citadas anteriormente, e tendo como base que os níveis de P no solo exercerem influência sobre as respostas produtivas da soja (Figura 2), em áreas corrigidas quimicamente com níveis altos ou muito altos, vindos de um bom sistema convencional no passado, e com um bom sistema plantio direto, a adubação fosfatada em superfície pode contribuir para a manutenção da produtividade (Semler et al.).

Figura 2. Representação de uma curva de calibração de resposta de plantas em termos de rendimento relativo em função dos teores de P disponível no solo, adubação fosfatada requerida para as diferentes classes de disponibilidade do nutriente no solo.

Adaptado: CQFS-RS/SC (2004), apud. Rheinheimer et al. (2020)

No entanto, devem ser considerados outros fatores, tais como regularidade climática, cobertura vegetal permanente e ausência atual ou de qualquer possibilidade a longo prazo de escorrimentos superficiais que possam ocasionar erosões. Caso a área atenda todos os critérios citados é possível adotar a prática de adubação fosfatada em superfície sem prejuízos, porém é fundamental que haja a interpretação correta caso a caso, pois outras particularidades podem afetar o posicionamento (Semler et al.).


Veja mais: Potássio no enchimento de grãos da soja



Referências:

BARBOSA, N. C. et al. DISTRIBUIÇÃO VERTICAL DO FÓSFORO NO SOLO EM FUNÇÃO DOS MODOS DE APLICAÇÃO. Biosci. J., Uberlândia, v. 31, n. 1, p. 87-95, 2015. Disponível em: < https://seer.ufu.br/index.php/biosciencejournal/article/view/18196/15850 >, acesso em: 08/04/2024.

CARMO, M.; TORRENT, J. Dinâmica do Fósforo no Solo: Perspectiva Agronómica e Ambiental. Instituto Politécnico de Castelo Branco, 2010. Disponível em: < https://repositorio.ipcb.pt/bitstream/10400.11/1871/1/Dinamica_do_fosfora_no_solo_final.pdf >, acesso em: 08/05/2024.

LANA, R. M. Q. et al. ADUBAÇÃO SUPERFICIAL COM FÓSFORO E POTÁSSIO PARA A SOJA EM DIFERENTES ÉPOCAS EM PRÉ-SEMEADURA NA INSTALAÇÃO DO SISTEMA DE PLANTIO DIRETO. Scientia Agraria, 2003. Disponível em: < https://www.redalyc.org/pdf/995/99518008008.pdf >, acesso em: 08/05/2024.

PEREIRA, H. S. FÓSFORO E POTÁSSIO EXIGEM MANEJOS DIFERENCIADOS. Visão Agrícola, n. 9, 2009. Disponível em: < https://www.esalq.usp.br/visaoagricola/sites/default/files/VA9-Fertilidade04.pdf >, acesso em: 08/04/2024.

RHEINHEIMER, D. S. et al. CICLO BIOGEOQUÍMICO DO FÓSFORO, DISGNÓSTICO DE DISPONIBILDIADE E ADUBAÇÃO FOSFATADA. Porto Alegre, 2020. Disponível em: < https://www.researchgate.net/profile/Danilo-Dos-Santos/publication/345729958_Ciclo_biogeoquimico_do_fosforo_diagnostico_de_disponibilidade_e_adubacao_fosfatada/links/5fabf9b2a6fdcc331b949caa/Ciclo-biogeoquimico-do-fosforo-diagnostico-de-disponibilidade-e-adubacao-fosfatada.pdf >, acesso em: 08/04/2024.

SEMLER, T. et al. MANEJO DA ADUBAÇÃO FOSFATADA (FÓSFORO) EM SOLOS LEVES RESULTADOS CAD PARECIS. Fundação MT, Aprosoja Mato Grosso.

VILAR, C. C.; VILAR, F. M. COMPORTAMENTO DO FÓSFORO EM SOLO E PLANTA. Revista Campo Digital, v. 8, n. 2, dezembro, 2013. Disponível em: < https://www.researchgate.net/publication/267209917_Artigo_de_Revisao_-_COMPORTAMENTO_DO_FOSFORO_EM_SOLO_E_PLANTA_-_PHOSPHORUS_BEHAVIOR_IN_SOIL_AND_PLANT >, acesso em: 08/04/2024.

Equipe Mais Soja
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