A inoculação de plantas com bactérias é uma prática que abrange cada vez mais produtores rurais, sendo empregada em várias culturas de importância agrícolas como soja e milho. Mas além da soja e milho, pode-se realizar a inoculação na braquiária?

Em vídeo no canal Embrapa – Radar da Tecnologia Soja, o pesquisador da área de fertilidade e microbiologia do solo da Embrapa Soja, Marco Antônio Nogueira aborda os benefícios da inoculação com Azospirillum e explica as vantagens de se utilizar a bactéria no cultivo da braquiária.  O pesquisador destaca que no Brasil há aproximadamente 180 milhões de hectares de pastagens, das quais cerca de 120 milhões são degradadas e a inoculação com bactérias do gênero Azospirillum pode ser uma importante ferramenta na recuperação dessas pastagens.

Segundo Marco Antônio, o Azospirillum atua principalmente estimulando o crescimento e desenvolvimento de raízes por meio de fitormônios, o que leva a uma maior absorção de nutrientes pelas plantas, principalmente o Nitrogênio, nutrientes esse exigido em grande quantidade por maior parte das plantas para alcançar boas produtividades.

Figura 1. Efeito da inoculação das sementes de milho com Azospirillum e da aplicação foliar em V4 quando comparados a testemunha.

Adaptado: Embrapa – Radar da Tecnologia Soja.

O pesquisador destaca que o Azospirillum não substitui a adubação nitrogenada, tendo maior participação estimulando o crescimento radicular e proporcionando uma maior eficiência de uso do fertilizante pelas plantas e comenta que em avaliações experimentais, os resultados encontrados demonstram que as plantas de milho inoculadas com Azospirillum das estirpes Ab-V5 e Ab-V6 proporcionaram maior absorção de nitrogênio e menores teores de Amônio e Nitrato, sendo assim mais eficientes.

A maior eficiência do uso dos fertilizantes nitrogenados reflete diretamente na produtividade da cultura, uma vez que quando avaliada a produtividade do milho sob efeito da adubação nitrogenada e a inoculação das sementes ou no sulco de semeadura, maiores produtividades de milho foram observadas com a utilização da bactéria.

Figura 2. Produtividade de milho em função de diferentes doses de nitrogênio, inoculado e não inoculado com Azospirillum.

Fonte: Embrapa – Radar da Tecnologia Soja.

Os resultados apresentador por Marco Antônio corroboram os resultados obtidos por Cavallet et al. (2000) que avaliando a produtividade do milho em resposta à aplicação de nitrogênio e inoculação das sementes com Azospirillum spp. encontraram aumento significativo da produtividade do milho quando inoculado com a bactéria.

O pesquisador ainda destaca que a utilização do Azospirillum não está limitada as gramíneas, podendo ser utilizada na cultura da soja na forma de coinoculante, sendo que a inoculação da soja com bactérias do gênero Bradyrhizobium proporcionam um aumento de produtividade na faixa de 8% e a coinoculação da soja com bactérias do gênero Azospirillum proporcionam mais 8% de incremento de produtividade da soja, somando ao todo 16% a mais de produtividade.

Mas nas braquiárias, qual a contribuição do Azospirillum?

Segundo Marco Antônio quando utilizado na implantação da pastagem, o Azospirillum proporciona maior crescimento da pastagem, e consequentemente um maior recobrimento do solo. Além disso, o pesquisador saliente que pastagens inoculas apresentam maior absorção de nutrientes do solo, maior acúmulo de biomassa e maior produção de raízes.

Conforme destacado por Nogueira, a presença do Azospirillum associado a adubação nitrogenada na cultura da braquiária proporciona o maior acúmulo de biomassa e teor de proteína, em média 15 e 10% respectivamente, melhorando a qualidade da forragem e aumentando o aporte de carbono no solo.

Figura 3. Resposta das B. brizantha e B. ruziziensis à adubação nitrogenada e inoculação com Azospirillum spp.

Fonte: Embrapa – Radar da Tecnologia Soja.

Marco Antônio afirma que as melhores respostas no incremento da produção de forragem para a braquiária são observadas quando associada a inoculação com a adubação nitrogenada, sendo que a bactéria proporciona maior eficiência no uso dos fertilizantes nitrogenado, refletindo diretamente na produção de biomassa da cultura.  O pesquisador comenta que os benefícios da inoculação da forrageira com Azospirillum vão além do aumento na produção de biomassa, sendo observados na maior cobertura do solo, melhoria nas propriedades físicas, biológicas e microbiológicas do solo.

Dessa forma, assim como na inoculação em milho e coinoculação em soja, o Azospirillum é uma ótima opção para uso na braquiária, trazendo resultados satisfatórios, promovendo o aumento da produção de biomassa e melhorando atributos do solo.


Veja também: Milho consorciado com Braquiária vale a pena?


Confira abaixo o vídeo completo com as contribuições do Pesquisador Marco Antônio Nogueira.


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Referências:

CAVELLET, L. E. et al. PRODUTIVIDADE DO MILHO EM RESPOSTA À APLICAÇÃO DE NITROGÊNIO E INOCULAÇÃO DAS SEMENTES COM Azospirillum spp. R. Bras. Eng. Agríc. Ambiental, Campina Grande, v.4, n.1, p.129-132, 2000.

Foto de capa: Fonte: SOESP.

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