Em meio ao cultivo de espécies produtoras de grãos, em algumas vezes os resíduos culturais deixados pela cultura não são suficientes para garantir uma boa cobertura do solo. Segundo BORGHI & CRUSCIOL (2007), um dos principais problemas enfrentados pelo plantio direto é a permanência da cobertura do solo por tempo suficiente até o próximo cultivo, problema esse agravado principalmente quando a palhada residual é oriunda de culturas como soja ou feijão, que por degradarem rapidamente proporcionam pouco tempo de cobertura do solo.

Visando solucionar esse problema, principalmente quando cultivado o milho verão e milho safrinha, uma alternativa interessante mostra-se como forte aliada. Trata-se do consorcio entre Milho e Braquiária. Contudo, cabe destacar que alguns cuidados são importantes para o correto manejo do consorcio, e é fundamental segundo BORGHI (2014), definir claramente o objetivo do cultivo da Braquiária para orientar práticas de manejo. O autor destaca que a Braquiária em consórcio com o milho pode servir como fonte de cobertura vegetal para o solo e palhada até o cultivo sucessor, como fonte de alimentação para o gado ou mesmo as duas atividades.

Figura 1. Milho consorciado com Brachiária.

Foto: Gessi Ceccon.

Alguns cuidados devem ser tomados para garantir o melhor aproveitamento do sistema de produção. É desejável que a variedade ou cultivar de milho escolhida para o consorcio apresente maior altura de inserção da espiga, fato este que beneficia o desenvolvimento da Braquiária após a colheita do milho, já que uma altura maior de corte para colheita pode ser utilizada e com isso diminui-se os danos decorrentes do corte da Braquiária na colheita do milho.

A Braquiária pode ser semeada no momento da semeadura do milho ou a lanço quando realizada a primeira adubação nitrogenada no milho. Para a semeadura no momento de implantação da cultura do milho, pode-se utilizar de semeadoras de soja, optando por semear em uma das linhas milho e na linha ao lado a Brachiária, dessa forma a Braquiária fica semeada nas entrelinhas do milho.

Outra forma é realizar a semeadura da Braquiária nas mesmas linhas da semeadura do milho, o que pode ser realizado misturando as sementes da forrageira com o fertilizante utilizado para semeadura do milho. Segundo BARROS & BROCH (2012), também é possível utilizar semeadoras que possuam a “terceira caixa acoplada”, ou seja, uma caixa de sementes destinada a sementes “finas” de forrageiras para o cultivo do milho em consorcio (figura 2).

Figura 2. Semeadora contendo a terceira caixa.

Fonte: BARROS & BROCH (2012).

Mas a produtividade do Milho não é comprometida pela competição com a Braquiária?

Avaliando o rendimento de grãos e silagem de milho para diferentes cultivares em consórcio com Brachiária, ALVARENGA et al. (2016), encontraram resultados que demonstram satisfatória produtividade de milho grão e silagem, além de trazerem boas quantidades de forragem produzida durante o consórcio (figura 3).

Figura 3. Estande, produtividade média de milho grão, silagem e de Braquiária para diferentes cultivares de milho sob sistema de consórcio.

Adaptado: ALVARENGA et al. (2016).

Além disso, BORGHI & CRUSCIOL (2007) demonstraram que o cultivo da Braquiária em consórcio com o milho tende a beneficiar o milho, aumentando sua produtividade quando comparado ao cultivo do milho solteiro (figura 4).

Figura 4. Produtividade média de milho grão cultivado solteiro e em consórcio com Braquiária.

Fonte: BORGHI & CRUSCIOL (2007).

Os autores ainda relatam maiores produtividade de milho quando semeada a Braquiária na semeadura do milho, sendo que este apresentou produtividade 712 kg.ha-1 superior a produtividade do milho cultivado em sistema de consórcio onde a Braquiária foi semeada a lanço quando realizada a adubação de cobertura do milho.



 

Quando o objetivo do consórcio é fornecer a Braquiária para a alimentação animal, é interessante que se realize o primeiro pastejo logo após a colheita do milho, estimulando o perfilhamento da Braquiária, já se o objetivo é a cobertura do solo, deve-se retardar a dessecação da Braquiária o maior tempo possível, visando o maior tempo de desenvolvimento da cultura até o cultivo sucessor.

Figura 5. Colheita do Milho em consórcio com Braquiária.

Foto: Gessi Ceccon.

A medida que o milho tende a atingir a maturidade fisiológica, maiores quantidades de radiação solar tendem a alcançar a Braquiária e em conjunto com a diminuição da evapotranspiração do milho, o desenvolvimento da Braquiária é estimulado.

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Referências:

ALVARENGA, R. C. et al. CONSÓRCIO MILHO-BRAQUIÁRIA NUM SISTEMA de INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA: RENDIMENTOS DO DÉCIMO PRIMEIRO ANO. XXXI Congresso Nacional de Milho e Sorgo, Bento Gonçalves, 2016.

BARROS, R; BROCH, D. L. MANEJO DE MILHO SAFRINHA EM CONSÓRCIO COM FORRAGEIRAS NO MATO GROSSO DO SUL.  Tecnologia e Produção: Milho safrinha e culturas de inverno, 2012.

BORGHI, E. COMO CONSORCIAR FORRAGEIRAS COM MILHO SAFRINHA.

BORGHI, E.; CRUSCIOL, C. A. C. PRODUTIVIDADE DE MILHO, ESPAÇAMENTO E MODALIDADE DE CONSORCIAÇÃO COM BRACHIARIA BRIZANTHA NO SISTEMA PLANTIO DIRETO. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 42, n. 2, 163-171, fev. 2007.

 Fronteira Agrícola nº2, Informativo Técnico, Núcleo de sistemas agrícolas Embrapa Pesca e Aquicultura, 2014.

Redação: Maurício Siqueira dos Santos – Eng. Agrônomo, equipe Mais Soja.

 

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