As plantas de caruru, pertencentes ao gênero Amaranthus, se destacam pela elevada capacidade competitiva, rápido crescimento e desenvolvimento vegetal, grande produção de sementes, resistência conhecia a alguns herbicidas entre outros fatores. O manejo e controle eficiente do caruru pode ser extremamente complexo dependendo da espécie, principalmente pela resistência a herbicidas, em especial ao glifosato.


Veja mais: MISSÃO CARURU – Episódio 13 – Casos de Resistência no Brasil


Tendo em vista a dificuldade de controlar o caruru, medidas de manejo devem ser integradas a fim de reduzir os fluxos de emergência da daninha e evitar a disseminação das espécies. Dentre as principais medidas, podemos destacar a utilização de sementes certificadas, com alto nível de pureza; o controle cultural e a boa cobertura do solo; a limpeza de máquinas e equipamentos agrícolas e o uso de herbicidas pré-emergentes.

Contudo, nem sempre essas medidas asseguram o total controle do caruru, sendo necessário realizar o controle dessa planta daninha em pós-emergência da soja. Em virtude das características morfológicas da soja e do caruru, nem sempre o controle da daninha em pós-emergência é uma tarefa fácil, havendo pouca disponibilidade de herbicidas para isso.

Conforme destacado por Aldo Merotto – UFRGS, os herbicidas inibidores da enzima protoporfirinogenio oxidase (PROTOX), podem ser as principais alternativas para o controle do caruru em pós-emergência. Os inibidores da PROTOX pertencem ao grupo E conforme a classificação dos grupos químicos por letra, adotado pelo HRAC-Internacional, e os principais herbicidas pertencentes a esse mecanismo de ação são: Acifluorfen; Fomesafen; Lactofen; Oxyfluorfen; Flumioxazin; Flumiclorac; Oxadiazon; Sulfentrazone e Carfentrazone (Gazziero et al., 2004).

Os herbicidas inibidores da PROTOX controlam plantas daninhas de folhas largas seletivamente. As folhas de plantas sensíveis tornam-se brancas ou cloróticas, murcham e necrosam em até dois dias após a aplicação. A metabolização dos difeniléteres é o mecanismo mais importante na tolerância de plantas cultivadas ao herbicida. Na cultura da soja por exemplo, ocorre o rompimento da ligação éter entre os grupos fenil, produzindo metabólitos sem atividade herbicida (Vidal et al., 1997; Apud. Marchi; Marchi; Guimarães, 2008).

Figura 1. Sintomas típicos de fitotoxidez causada por lactofen em soja.

Fonte: Marchi; Marchi; Guimarães (2008)

Tendo em vista a capacidade desses herbicidas em causar fitotoxicidade na cultura da soja, o controle do caruru em pós-emergência utilizando esse tipo de herbicida deve ser realizado com cautela, sendo essencial o monitoramento da área para melhor assertividade do momento de controle. Conforme destacado por Merotto, o controle em pós emergência do caruru deve ocorrer nos estádios iniciais do desenvolvimento da daninha, preferencialmente quando a planta apresente de duas a três folhas.

Figura 2. Estádio limite para o controle em pós-emergência do caruru.

Embora alguns cuidados necessitem ser tomados com a utilização dos herbicidas inibidores da PROTOX, cabe destacar que existem alternativas para o controle em pós-emergência do caruru, especialmente as espécies com resistência conhecia aos herbicidas inibidores da ALS e glifosato, sendo essencial para um controle eficiente a assertividade do momento de aplicação do herbicida.

Confira abaixo mais um episódio do MISSÃO CARURU com as dicas e contribuições do professor e pesquisador Aldo Merotto.

Referências:

GAZZIERO, D. L. P. et al. TABELA PERIÓDICA DOS HERBICIDAS. Embrapa, 2004. Disponível em: < https://www.embrapa.br/documents/1355202/1529289/Tabela_peri%C3%B3dica_herbicidas.pdf/5c2b3f01-6fa7-49eb-89a3-c26bc7ac3193 >, acesso em: 19/11/2021.

MARCHI, G.; MARCHI, E. C. S.; GUIMARÃES, T. G. HERBICIDAS: MECANISMOS DE AÇÃO E USO. Embrapa, Documentos, n. 227, 2008. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CPAC-2010/30295/1/doc-227.pdf >, acesso em: 19/11/2021.

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