O manejo de plantas daninhas é de extrema importância para reduzir a competição direta e indireta que elas exercem sobre as culturas. De forma direta elas atuam através da competição por recursos essenciais como água, luz, nutrientes e espaço, efeito alelopático. Já de forma indireta, as plantas daninhas também podem desempenhar o papel de hospedeiras de pragas, doenças e nematoides. A presença dessas plantas indesejadas pode resultar em perdas significativas de produtividade, afetar a qualidade dos grãos ou produtos produzidos, interferir na colheita, além disso, o controle adicional de pragas e doenças torna-se necessário, aumentando os custos de produção e reduzindo a eficiência econômica das atividades agrícolas.

Nesse sentido, o controle de plantas daninhas na entressafra assume um papel essencial no sistema de produção, pois tem o objetivo de reduzir o banco de sementes do solo. Dentre as diversas práticas adotadas nesse período, o intuito é reduzir a presença de plantas invasoras no pousio, tais práticas são comumente conhecidas como “manejo entressafra”, “manejo outonal” ou ainda “manejo antecipado”, e em grandes culturas é feito através da aplicação sequencial ou não de herbicidas (Albrecht et al., 2021).

Conforme destacam Gazziero et al. (2020), o período entressafra é importante para o manejo de algumas espécies de difícil controle como o capim-amargoso (Digitaria insularis) e a buva (Conyzza spp.), o controle dessas espécies necessita de um conjunto de ações e de herbicidas aplicados de forma sequencial, os autores destacam que para ser obter um bom controle de plantas daninhas na cultura da soja, é preciso fazer o manejo o ano inteiro, sendo o período entressafra o melhor momento para eliminar algumas espécies.



O caruru (Amaranthus spp.) apresenta alta capacidade de produção de sementes, uma única planta pode produzir até 600.000 sementes. O pico de germinação do Amaranthus hybridus ocorre nos meses de setembro a outubro, compreender esse fluxo de emergência, permite a definição de uma estratégia de manejo eficiente, nesse caso, envolve a aplicação de herbicidas residuais na pré-emergência da cultura da soja (Penckowski et al., 2020). Outra espécie que produz uma grande quantidade de sementes é a buva (Conyzza canadenses), uma única planta pode produzir até 100.000 sementes (Dauer et al., 2006).

A alta produção de sementes por certas espécies de plantas daninhas é um fator significativo para o aumento do banco de sementes no solo. Em alguns casos, essas sementes podem permanecer viáveis ​​por um longo período, aguardando condições adequadas de temperatura, umidade e luz para germinar. Isso significa que o banco de sementes do solo pode representar uma fonte contínua de plantas, mesmo após anos de sua introdução inicial no ambiente.

A seguir podemos observar com ocorre a dinâmica do banco de sementes de plantas daninhas no solo.

Figura 1. Dinâmica do banco de sementes de plantas daninhas no solo.

Fonte: Lima de Lai et al. (2020).

O banco de sementes no solo é regulado por processos de entrada e saída de sementes, tornando essencial a adoção de medidas para sua redução ao longo do tempo. As plantas daninhas apresentam diversas estratégias de sobrevivência, incluindo a capacidade de se reproduzir de maneira alternativa à reprodução por sementes, além de apresentarem adaptações que permitem sua dispersão. Nesse sentido, a implementação de práticas como a rotação de culturas e herbicidas podem contribuir nesse processo de reduzir o banco de sementes e controlar a infestação de plantas daninhas (Lima de Lai et al., 2020).

De acordo com Vivian et al. (2012), as plantas daninhas de entressafra frequentemente surgem durante a cultura de verão, algumas dessas plantas podem completar seu ciclo antes da colheita, produzindo novas sementes. Se essas plantas apresentarem capacidade de rebrota, podem crescer rapidamente após a colheita e produzir ainda mais sementes.  Essas sementes produzidas pelas plantas no final do ciclo e as presentes no banco de sementes, produzem um novo ciclo de germinação. É importante que alguns dias após a colheita, os produtores observem a área em busca de possíveis rebrotas e novas germinações de plantas, quando identificadas, é importante identificar as espécies e providenciar as medidas de controle.

O período de entressafra ajuda na redução do banco de sementes das plantas daninhas, e no manejo de algumas espécies de difícil controle. Algumas espécies não são controladas com a aplicação de produtos isolados, mas por um conjunto de ações e de produtos aplicados de forma sequencial (Gazziero et al., 2020).

A presença de plantas daninhas resistentes aos herbicidas, pode tornar o controle mais trabalhoso e caro. No entanto, os autores destacam que existem práticas que podem auxiliar no controle, como o uso de culturas que produzem palhada na entressafra, especialmente as de trigo e aveia no Sul e as braquiárias no Centro-Oeste. O uso de cobertura morta tem auxiliado na redução no uso de herbicidas em semeadura direta e reduzido entre 60% e 90% a emergência das plantas daninhas quando comparado com áreas não cultivadas na entressafra.

O pesquisador Albrecht (2022), fala sobre algumas estratégias para o controle de plantas daninhas na entressafra, destacando sobre a importância de manejo antecipado das plantas daninhas, sendo o ideal que uma cultura saia no limpo, para que outra comece no limpo, no entanto, isso nem sempre acontece. Quando isso não for possível, algumas alternativas incluem realizar dessecações o mais cedo possível, nas condições ideais, realizar aplicações sequenciais se necessário e garantir um acabamento eficaz das aplicações durante o cultivo da soja. Para isso, ferramentas como aplicar e plantar, e plantar e aplicar, são fundamentais para o manejo adequado das plantas daninhas na entressafra. Tais estratégias são essenciais para garantir o sucesso no controle das plantas daninhas e preservar a produtividade das culturas agrícolas.


Veja mais: Desafios no manejo da Buva (Conyza spp.)



Referências:

ALBRECHT, L. MANEJO DE PLANTAS DANINHAS APÓS MILHO SEGUNDA SAFRA. Professores Alfredo & Leandro Albrecht, Youtube, 2022. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=YBlEk80BxZ8 >, acesso em: 14/09/2023.

ALBRECHT, L. P. et al. MÉTODOS DE CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS. Matologia: estudos sobre plantas daninhas, cap. 5. Jaboticabal, 2021.

DAUER, J. T. et al. DINÂMICA TEMPORAL E ESPACIAL DA DISPERSÃO DE SEMENTES DE Conyza canadensis A LONGA DISTÂNCIA. Revista de Ecologia Aplicada, v, ed. 1, p. 105-114, 2006. Disponível em: < https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/j.1365-2664.2006.01256.x >, acesso em: 14/09/2023.

GAZZIERO, D. L. P. et al. CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS NA ENTRESSAFRA. Revista cultivar, Grandes culturas, ed. 207, 2020. Disponível em: < https://revistacultivar.com.br/artigos/controle-de-plantas-daninhas-na-entressafra >, acesso em: 14/09/2023.

LIMA DE LAI, R. L. D. et al. ECOLOGIA DE POPULAÇÕES E COMUNIDADES DE PLANTAS DANINHAS. Matologia: estudos sobre plantas daninhas, cap. 2. Jaboticabal, 2021.

PENCKOWSKI, l. h. et al. ALERTA! CRESCE O NÚMERO DE LAVOURAS COM Amaranthus hybridus RESISTENTE AO HERBICIDA GLIFOSATO NO SUL DO BRASIL. Revista FABC, Herbologia, p. 11-14, 2020. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/ebook/REVISTA-Fabc.pdf >, acesso em: 14/09/2023.

VIVIAN, R. et al. IMPORTÂNCIA DO MANEJO DE ENTRESSAFRA. Campo & Negócios, daninhas, p. 12- 14, 2012. Disponível em:  < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/57789/1/Importancia-manejo.pdf >, acesso em: 14/09/2023.

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