O sistema de produção soja–algodão é amplamente utilizado no Brasil, especialmente nos estados de Mato Grosso, Goiás, Bahia e Maranhão. Ele ocupa aproximadamente 1,3 milhão de hectares (CONAB, 2025), o que corresponde a cerca de 70% da área cultivada com algodão no país. Nesse sistema, realiza-se inicialmente a semeadura da soja (geralmente em setembro) seguida pela semeadura do algodão entre dezembro e janeiro, logo após a colheita da oleaginosa.

A elevada rentabilidade do algodão faz dessa cultura o componente central do sistema, o que torna o cultivo da soja mais desafiador. A janela de semeadura da soja é curta e exige planejamento preciso para garantir altas produtividades em ambas as culturas. Para viabilizar a semeadura do algodão no início de janeiro, produtores que adotam esse sistema precisam ajustar tanto a época de semeadura quanto a escolha da cultivar de soja. Esse ajuste, porém, frequentemente leva à antecipação da semeadura da soja, mesmo sem condições ideais de umidade no solo, prática conhecida como “semeadura no pó”. Essa estratégia aumenta o risco produtivo da soja, devido à irregularidade no volume e na distribuição das chuvas durante os meses de semeadura precoce (agosto e setembro) (Figura 1).

Figura 1. Acúmulo de chuva mensal (mm), média histórica (2006-2021) para Sapezal/MT- Brasil.
Fonte: Equipe FieldCrops

Quando a semeadura do algodão ocorre de forma tardia (no final de janeiro ou início de fevereiro), a cultura se desenvolve sob condições menos favoráveis. Isso pode resultar em encurtamento do ciclo, maior abortamento de botões florais e frutos, além de concentrar a formação e o enchimento dos capulhos em períodos de menor disponibilidade hídrica. Esses fatores reduzem tanto a produtividade quanto a qualidade da fibra (AMPA, 2018). A Figura 2 ilustra a queda na produtividade de fibra à medida que a semeadura é postergada (Lamas et al., 2020).

Figura 2. Produtividade da fibra de algodão em função da época de semeadura de cultivares de algodoeiro. Adaptado de: Lamas, Ferreira & Yamaoka (2020).
Fonte: Equipe FieldCrops
Referências:

AMPA. Manual de qualidade da fibra da AMPA. 2 ed. Red. e ampl. Cuiabá, MT: IMAmt, 2018.

CONAB. COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Acompanhamento da safra brasileira 5to levantamento. 2025. Disponível em: < https://www.gov.br/conab/pt-br/atuacao/informacoes-agropecuarias/safras/safra-de-graos/boletim-da-safra-de-graos/5o-levantamento-safra-2024-25/e-book_boletimzdezsafrasz-z5zlevantamentoz2025.pdf >, acesso: 21/01/2026

LAMAS, F. M.; FERREIRA, A. C. de B.; YAMAOKA, R. S. Implantação da cultura. In: BELOT, J. L.; VILELA, P. M. C. A. (ed.) Manual de boas práticas de manejo do algodoeiro em Mato Grosso. 4. Ed. Cuiabá: IMAmt, p 170-179, 2020.

WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.

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