Durante seu ciclo de desenvolvimento, a soja está sujeita a interferência de inúmeros fatores bióticos e abióticos que podem reduzir sua produtividade ou atém mesmo compromete-la. O controle de doenças, assim como de pragas e plantas daninhas é fundamental para manter o potencial produtivo da cultura, diminuindo a interferência desses fatores na produtividade da soja.

Dentre as doenças encontradas no cultivo da soja, a mancha-alvo, causada pelo fungo Corynespora cassiicola é uma das principais. Segundo Grigolli & Grigolli (2018), a doença é encontrado em praticamente todo o território brasileiro e pode se hospedar em plantas daninhas como a Trapoeraba (Commelina benghalensis), o autor destaca que os principais sintomas foliares são manchas com halo amarelado e pontuações escuras no centro, também podem ocorrer manchas nas hastes e nas vagens da soja, além disso em alguns casos pode-se observar podridão das raízes, entretanto, tudo irá depender da severidade e agressividade da infecção.

Figura 1. Sintomas de mancha-alvo em folhas de soja.

Foto: Maurício Stefanelo – Ceres Consultoria

Segundo Grigolli & Grigolli (2018), as reduções na produtividade da soja serão dadas em função da agressividade e severidade da doenças, sendo necessárias infestações em torno de 25 a 30% para que sejam observadas perdas significativas na produtividade da soja, entretanto, é necessário realizar um controle eficiente da doença para evitar reduções significativas na produtividade da cultura.



No estudo conduzido por diferentes pesquisadores em rede, publicado por Godoy et al. (2019), intitulado “Eficiência de fungicidas para o controle da mancha-alvo, Corynespora cassiicola, na cultura da soja, na safra 2018/19: Resultados sumarizados dos ensaios cooperativos”, os autores objetivaram avaliar a eficiência de diferentes fungicidas no controle da mancha-alvo durante a safra 2018/19.

Para realização do experimento foram implantados 23 experimentos durante a safra 2018/19, em 15 instituições distintas, abrangendo os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Bahia.

Os produtos utilizados para o controle da doença e condução dos experimentos podem ser visualizados na figura 2.

Figura 2. Ingrediente ativo (i.a.), produto comercial (p.c.) e dose dos fungicidas nos tratamentos para controle da mancha-alvo da soja, safra 2018/19.

Fonte: Godoy et al. (2019).

O delineamento experimental utilizado foi o delineamento de blocos casualizados (DBC). As aplicações iniciaram-se no pré-fechamento das linhas, aos 47 dias (± 4 dias) após a semeadura. O intervalo entre a primeira e a segunda aplicação foi de 16 dias (± 3 dias), entre a segunda e a terceira aplicação foi de 15 dias (± 1 dia) e entre a terceira e a quarta aplicação (11 ensaios) foi de 14 dias (± 1 dia) (Godoy et al., 2019).

Para a realização da análise estatística das variáveis severidade e produtividade foram utilizados dados de 19 e 10 locais do ensaio respectivamente. Os autores destacam que em virtude de não ocorrência ou ocorrência em baixa intensidade da mancha-alvo, os dados de alguns locais não puderam ser utilizados na análise estatística, assim como para a variável produtividade, tendo em vista que alguns locais de condução do experimento tiveram suas produtividades impactadas pela incidência de ferrugem da soja ou períodos de seca.

Os resultados de encontrados por Godoy et al. (2019) de severidade da doença, assim como produtividades alcançadas e porcentagem de controle da mancha-alvo podem ser observados na figura 2.

Figura 3. Severidade da mancha-alvo (SEV), porcentagem de controle em relação à testemunha sem fungicida (%C), produtividade (PROD) e porcentagem de redução de produtividade (%RP) em relação ao tratamento com a maior produtividade, para os diferentes tratamentos. Safra 2018/19. (Godoy et al., 2019).

Fonte: Godoy et al. (2019).

Conforme observado por Gogoy et al. (2019), a menor porcentagem de controle ocorreu quando utilizando o fungicida carbendazim, entretanto, os autores destacam que esse apresentou controle superior a testemunha, salientando a sensibilidade da doença aos fungicidas. Já o maior controle foi observado quando utilizado fluxapiroxade + protioconazol. Cabe destacar que as maiores produtividades foram observadas para os tratamentos com bixafen + protioconazol + trifloxistrobina (T3 – 3964 kg.ha-1), azoxistrobina + tebuconazol + mancozebe (T9 – 3917 kg.ha-1) e fluxapiroxade + protioconazol (T6 – 3912 kg.ha-1) (Godoy et al., 2019).

Quando compara a testemunha com a maior produtividade obtida, segundo Godoy et al. (2019) uma redução de produtividade de 15,9% foi observada. Confira o trabalho completo clicando aqui!

Tendo em vista os aspectos observados, é possível concluir que o controle de mancha-alvo é fundamental para evitar perdas de produtividade da cultura da soja, sendo assim é necessário realizar um manejo adequado, utilizando o posicionamento correto de fungicidas visando a melhor eficiência de controle da doença. O trabalho realizado por Godoy et al. (2020) auxilia no posicionamento de fungicidas no controle de mancha-alvo, sendo um interessante ferramenta na definição do fungicida a ser utilizado no controle dessa doença.


Veja também: Uso de Níquel na redução da severidade de ferrugem asiática em soja


 

Referências:

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA MANCHA-ALVO, Corynespora Cassiicola, NA CULTURA DA SOJA, NA SAFRA 2018/19: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 149, jul. 2019.

GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. MANEJO DE DOENÇAS NA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção, 2018.

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