Dentre o complexo de doenças que acometem a soja, a fusariose, também conhecida como podridão da raiz ou podridão radicular, é motivo de preocupação em muitas áreas de cultivo, demandando estratégias de manejo que possam minimizar a ocorrência da doença e seus danos á cultura.

Os fungos do gênero Fusarium, responsáveis pela fusariose, são amplamente distribuídos no solo, restos de plantas, substratos orgânicos e tecidos de plantas e animais, sendo comuns em diferentes zonas climáticas do planeta (Ventura & Costa, 2009). Além disso, a doença tende a ser mais severa em solos mal drenados e compactados, o que faz da rotação de culturas e do manejo do solo, algumas das principais medidas de manejo da fusariose, especialmente se tratando de fungos de solo como o Fusarium oxysporum.

No entanto, embora o solo seja a principal fonte de inóculo dos fungos do gênero Fusarium para a infecção das plantas, recentemente um estudo desenvolvido por Salgado-Neto e colaboradores (2025), intitulado “First report of a member of the Fusarium oxysporum species complex associated with Diabrotica speciosa larvae and adults collected from soybean fields in Brazil” constatou que os fungos do complexo Fusarium oxysporum também podem ser dispersos por vetores biológicos que contribuem para a dispersão da podridão radicular em soja.

Ao analisar a presença de fungos fitopatogênicos em larvas e adultos de Diabrotica speciosa (vaquinha), os autores identificaram a presença do fungo Fusarium oxysporum nos insetos, demonstrando que o inseto pode atuar como vetor de transmissão da podridão radicular e dispersão dos patógenos.



Figura 1. Dispersão de um isolado de FOSC (complexo de espécies Fusarium oxysporum) por Diabrotica speciosa em plantações de soja.
Adaptado: Salgado-Neto et al. (2025)

Vale destacar que essa é a primeira caracterização que associa a presença de fungos fitopatogênicos do gênero Fusarium a indivíduos de Diabrotica speciosa. Essa descoberta revela uma via de disseminação do FOSC (complexo de espécies Fusarium oxysporum), até então desconhecida em sistemas de soja, com novos “insights” sobre a epidemiologia da podridão radicular da soja e implicações para o desenvolvimento de estratégias de manejo mais eficazes (Salgado-Neto et al., 2025).

Nesse contexto, fica evidente a necessidade de atuar de forma integrada no manejo da podridão radicular da soja, atentando não só para medidas diretas de controle, como também para o controle de insetos que possam atuar como vetores da doença, como identificado no estudo desenvolvido por Salgado-Neto e colaboradores (2025). Sendo assim, o controle da vaquinha torna-se essencial, não apenas para reduzir os danos diretos a produtividade da soja, como também para reduzir a transmissão de doenças com a podridão radicular na cultura.

Confira o estudo completo desenvolvido por Salgado-Neto e colaboradores (2025) clicando aqui!


Veja mais: Diabrótica pode atacar vagens da soja?


Referências:

SALGADO-NETO, G. et al. FIRST REPORT OF A MEMBER OF THE Fusarium oxysporum SPECIES COMPLEX ASSOCIATED WITH Diabrotica speciosa LARVAE AND ADULTS COLLECTED FROM SOYBEAN FIELDS IN BRAZIL. Agr Forest Entomol, 2026. Disponível em: < https://www.researchgate.net/publication/403772429_First_report_of_a_member_of_the_Fusarium_oxysporum_species_complex_associated_with_Diabrotica_speciosa_larvae_and_adults_collected_from_soybean_fields_in_Brazil >, acesso em: 15/04/2026.

VENTURA, J. A.; COSTA, H. FUSARIUM: PATÓGENO DE FRUTEIRAS E GRÃOS. III Tropical Fusarium Workshop, UFRPE, 2009. Disponível em: < https://biblioteca.incaper.es.gov.br/digital/handle/item/2834 >, acesso em: 15/04/2026.

Foto de capa: Pereira, Paulo Roberto Valle da Silva.

 

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