“A combinação entre inovação, pesquisa, segurança jurídica e investimentos em infraestrutura foi determinante para a transformação da sojicultura brasileira nas últimas décadas e para a consolidação do Brasil como maior produtor e exportador mundial da oleaginosa.” A afirmação foi feita pelo líder do negócio de soja da Bayer Brasil, Fabiano Oliveira, durante workshop sobre biotecnologia e inovação, acompanhado pela Safras News nesta segunda-feira (15), em São Paulo.
Segundo Oliveira, o mundo consumia cerca de 220 milhões de toneladas de soja há 20 anos e precisou incorporar aproximadamente 200 milhões de toneladas adicionais nesse período. Nesse contexto, o Brasil assumiu papel de destaque e hoje responde por cerca de 60% da soja fornecida ao mercado global.
Ele destacou que a soja foi um importante vetor de desenvolvimento econômico no país, contribuindo para a evolução de municípios produtores como Cascavel (PR), Lucas do Rio Verde (MT) e Luís Eduardo Magalhães (BA).
Ao abordar os fatores que permitiram o avanço da produção brasileira, Oliveira apontou quatro pilares fundamentais: ambiente institucional favorável à inovação, investimentos em infraestrutura, desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições tropicais e perfil empreendedor do agricultor brasileiro.
Segundo o líder, a existência de um ambiente seguro para investimentos estimulou o desenvolvimento do mercado de sementes e biotecnologia. Dados apresentados durante o evento mostram que o número de cultivares registradas no Brasil passou de 450 em 2005/06 para 2.743 em 2025/26.
Oliveira também destacou a relação entre inovação e produtividade. Em comparação com outros grandes produtores mundiais, o Brasil registra produtividade média de 62 sacas por hectare, acima de Estados Unidos (53), Argentina (48), China (33) e India (16).
Na avaliação do especialista, a biotecnologia teve papel importante nesse avanço. Dados apresentados no workshop indicam ganhos médios de produtividade próximos de 10% a 12% em diferentes regiões produtoras. “No Rio Grande do Sul, por exemplo, o desempenho médio passou de 77 para 87 sacas por hectare nos materiais avaliados, avanço de 12%”, acrescenta.
O líder de soja da companhia acrescentou que a biotecnologia representa atualmente menos de 4% do investimento total por hectare da cultura da soja. “O ambiente regulatório brasileiro, apoiado por instrumentos como a Lei de Propriedade Industrial, a Lei de Proteção de Cultivares e a Lei de Biossegurança, foi decisivo para estimular investimentos e inovação no setor”, pontuou.
Por fim, Oliveira avaliou que o Brasil seguirá tendo papel relevante no atendimento da demanda global por alimentos, além de oportunidades ligadas à transição energética e às fontes renováveis de energia.
Autor/Fonte: Luciana Abdur – luciana.abdur@safras.com.br (Safras News)




