A Estimativa Inicial da Safra de Inverno 2026, divulgada pela Emater/RS-Ascar em 22/06, a partir de levantamento realizado nos municípios produtores do Rio Grande do Sul, retrata um momento de possível transição no perfil produtivo das culturas de inverno no Estado. A projeção indica retração da área cultivada e pode estar acompanhada de reconfiguração dos sistemas agrícolas e de suas finalidades econômicas.
A diminuição agregada de área, de em torno de 10,8%, corresponde ao cultivo de aproximadamente 1,57 milhão de hectares, o que impacta diretamente na produção total, estimada em cerca de 3,73 milhões de toneladas, representando recuo superior a 22% em relação ao ciclo anterior.
Esse movimento está associado, sobretudo, à diminuição da participação de cereais tradicionais, como trigo, cevada e aveia-branca, historicamente vinculados à alimentação humana e animal Entre os principais fatores associados estão os elevados custos de produção e a maior percepção de risco climático e fitossanitário.
Em contrapartida, outras culturas de inverno apresentam expansão, especialmente a canola, que deverá dobrar a área cultivada. Soma-se a esse cenário a incorporação de 12.365 hectares de carinata, o que reforça a tendência de diversificação produtiva orientada à geração de matérias-primas de caráter energético. Nesse contexto, parte da produção de trigo passa a ser considerada também para usos industriais não alimentares, como a produção de etanol, a Oeste do Estado, contribuindo para a reconfiguração da função econômica das lavouras de inverno no Rio Grande do Sul.
No âmbito climático, os prognósticos para a Safra 2026 constituem elemento central nas decisões de planejamento. O uso de informações qualificadas e de ferramentas de apoio à decisão, como o SIMAGRO, tem sido fundamental no acompanhamento das condições agrometeorológicas e na orientação das operações de campo. O prognóstico de atuação do fenômeno El Niño, com tendência de temperaturas e precipitações acima da média, influenciou a tomada de decisão dos produtores, especialmente em cadeias mais sensíveis às variações climáticas, as quais dependem da qualidade de grãos para panificação ou malteação. Esse contexto contribui para a adoção de estratégias de mitigação de risco econômico.
Ao realizar esse levantamento e acompanhar a evolução das lavouras, a Emater/RS-Ascar reforça seu papel na geração de informações técnicas para o planejamento da agricultura gaúcha.
A readequação pode reduzir a oferta de grãos destinados à alimentação humana e animal, bem como pode evidenciar uma reorganização estrutural da agricultura de inverno, com maior integração à cadeia de bioenergia e redefinição das prioridades produtivas no Estado.
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Fonte: Emater/RS-Ascar




