A cultura de trigo apresenta retração significativa da área cultivada na Safra 2026 no Rio Grande do Sul. A estimativa realizada pela Emater/RS-Ascar projeta 814.220 hectares, redução de aproximadamente 30% em relação aos 1.166.163 hectares cultivados em 2025.
Apesar do recuo, o trigo permanece como o principal cereal de inverno do Estado. A produtividade média projetada é de 2.701 kg/ha, e produção estimada de 2,2 milhões de toneladas.
A redução da área cultivada é reflexo da combinação de menor rentabilidade, custos de produção elevados, restrições de crédito e maior percepção de risco climático para o ciclo de inverno. Também se observa redução do nível tecnológico em parte das áreas, como racionalização do uso de insumos e maior utilização de sementes salvas.
A semeadura avançou na maior parte das regiões produtoras e alcança cerca de 70% da área projetada, favorecida pela redução dos volumes pluviométricos nas últimas semanas, embora áreas com elevada umidade do solo ainda apresentem ritmo mais lento. As lavouras implantadas apresentam, em geral, bom estabelecimento e desenvolvimento vegetativo inicial bem como emergência uniforme.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a estimativa é de 69.940 hectares cultivados, e a produtividade projetada é de 2.523 kg/ha. Na Fronteira Oeste, em Manoel Viana, a semeadura deverá se intensificar, pois o avanço inicial foi limitado pela insuficiência de umidade no solo. Caso se confirmem as projeções atuais, a área cultivada no município deverá recuar de 11.000 hectares na safra passada para 4.500 hectares em 2026.
Em Maçambará, o plantio está praticamente concluído nos 5.640 hectares previstos, e os produtores se concentram no manejo de plantas daninhas. Na Campanha, a semeadura foi iniciada, mas o avanço está lento devido às baixas temperaturas e ao excesso de umidade em áreas de maior teor de argila. Estima-se que 10% da área prevista tenha sido implantada em Bagé, Hulha Negra e Caçapava do Sul.
Na de Caxias do Sul, projeta-se o cultivo de 32.285 hectares e produtividade de 3.697 kg/ha, a mais elevada entre as regiões administrativas. O cultivo é relevante nos municípios de maior altitude. Nos Campos de Cima da Serra, a semeadura deverá iniciar após a umidade do solo atingir níveis adequados à operação das semeadoras.
Na de Erechim, são estimados 35.875 hectares, e produtividade projetada de 3.030 kg/ha. Apesar das restrições de crédito e da maior percepção de risco climático para a safra de inverno, o trigo é importante nos sistemas tradicionais de produção de grãos da região. Na de Frederico Westphalen, a área estimada é de 102.020 hectares e a produtividade é de 2.370 kg/ha. A semeadura alcança aproximadamente 90% da área prevista. As lavouras apresentam bom estabelecimento inicial e desenvolvimento vegetativo. A elevada nebulosidade, observada no período, reduziu parcialmente a disponibilidade de radiação solar, limitando o crescimento das plantas. Os produtores realizam o controle de plantas daninhas e a adubação nitrogenada em cobertura.
Na de Ijuí, são 227.000 hectares previstos, representando a maior área de trigo do Estado (cerca 30% do total). A produtividade projetada é de 2.645 kg/ha. Mais de 80% da área foi semeada, o que indica a antecipação do plantio em relação à safra anterior. Porém, no período, a semeadura transcorreu em ritmo mais lento em razão da elevada umidade do solo, concentrando-se principalmente entre os dias 16 e 17/06.
As lavouras apresentam estabelecimento satisfatório, caracterizado por emergência uniforme e adequado estande de plantas. A redução de preços dos fertilizantes nitrogenados tende a favorecer o incremento das doses aplicadas da adubação em cobertura.
Na de Passo Fundo, são estimados 78.130 hectares, com produtividade projetada de 3.154 kg/ha. A semeadura está concluída. As lavouras se encontram nas fases de germinação e início do desenvolvimento vegetativo, apresentando evolução satisfatória sob as atuais condições climáticas.
Na de Santa Maria, são estimados 49.925 hectares e produtividade de 2.852 kg/ha. A área representa redução de 36% em comparação à safra anterior. Aproximadamente 80% foram semeados. Na de Santa Rosa, a área projetada é de 179.430 hectares, segunda maior do Estado, com produtividade estimada em 2.566 kg/ha. A semeadura alcança 74% da área prevista.
As lavouras estão em desenvolvimento vegetativo. Nas áreas implantadas mais precocemente, foi realizada a adubação nitrogenada em cobertura antes das precipitações ocorridas em meados de junho, o que favoreceu o aproveitamento do nutriente. O aumento da insolação contribuiu para o crescimento das plantas e para a melhora das condições fitossanitárias. Não foram observadas ocorrências significativas de pragas ou doenças.
Na de Soledade, estimam-se 30.575 hectares cultivados e produtividade de 2.658 kg/ha. A semeadura avança em ritmo normal para a época, alcançando cerca de 70% da área prevista. As lavouras apresentam excelente estabelecimento e estande de plantas. Parte das áreas se encontra em germinação, emergência e crescimento inicial, favorecidas pelos baixos volumes pluviométricos, registrados nas últimas semanas.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RSAscar no Estado, aumentou 0,47%, passando de R$ 67,94 para R$ 68,26.
Fonte: Emater/RS




