A cultura de trigo apresenta desenvolvimento predominantemente satisfatório no Estado, embora as condições meteorológicas das últimas semanas tenham imposto restrições pontuais ao crescimento das plantas e à finalização da semeadura. O excesso de precipitações manteve elevada a umidade dos solos, dificultando o tráfego de máquinas, as adubações nitrogenadas em cobertura e as aplicações fitossanitárias, mas sem ocasionar atrasos expressivos nas operações.
Nas lavouras mais desenvolvidas, o aumento da radiação solar, no final do período, favoreceu a retomada do crescimento e o avanço para as fases reprodutivas iniciais (3%). Já as áreas implantadas mais tardiamente (97%) estão em desenvolvimento vegetativo e perfilhamento.
De forma localizada, foram observados acamamento, erosão hídrica, danos por granizo e encharcamento em solos com limitações de drenagem, mas de reduzida representatividade sobre a área cultivada.
A elevada umidade relativa, o molhamento foliar prolongado e as temperaturas amenas intensificaram a pressão de doenças foliares, exigindo monitoramento constante e continuidade das estratégias de controle. Apesar dos impactos localizados, o potencial produtivo continua, de maneira geral, dentro das expectativas para a safra.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, as condições climáticas menos restritivas em parte da região permitiram a retomada da adubação nitrogenada em cobertura e das aplicações de herbicidas e fungicidas, anteriormente limitadas pelas precipitações. As temperaturas amenas proporcionaram boas condições para o início da fase reprodutiva.
Na de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, a semeadura sofreu atraso em razão das chuvas intensas e frequentes durante o mês de julho, devendo ser concluída em breve. As áreas implantadas apresentam germinação e estabelecimento inicial adequados. Os elevados volumes de precipitação provocaram perdas restritas a áreas de baixada e erosão hídrica em alguns pontos, mas sem reflexos significativos sobre o potencial produtivo esperado.
Na de Ijuí, o desenvolvimento das lavouras está satisfatório, apesar da baixa luminosidade e da elevada umidade do solo. As plantas exibem coloração verde-pálida, maior estatura, entrenós alongados e folhas mais estreitas, características associadas às condições ambientais. Nas áreas onde os acumulados de chuva ultrapassaram 100 mm, observa-se saturação hídrica do solo, o que ocasiona estagnação temporária do crescimento, além de amarelecimento das plantas, especialmente em locais com maior compactação.
Houve acamamento parcial provocado por ventos intensos associados às chuvas, mas as plantas se recuperam gradualmente. Os processos de erosão se concentram nas áreas de maior declividade. Já a sanidade das lavouras está satisfatória, mesmo sob ambiente favorável ao desenvolvimento de doenças.
Na de Passo Fundo, os cultivos estão em desenvolvimento vegetativo (50%) e perfilhamento (50%). Prosseguiram as adubações nitrogenadas em cobertura, realizadas conforme as condições de trafegabilidade.
Na de Pelotas, a semeadura foi encerrada sem atingir a intenção inicial de cultivo, totalizando aproximadamente 4.000 hectares, correspondentes a cerca de 90% da área inicialmente prevista. O excesso de chuvas, nas últimas semanas de julho, impossibilitou o
deslocamento de máquinas e inviabilizou a implantação das áreas remanescentes.
Na de Santa Rosa, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo (93%), e 6% ingressam na fase de floração. A elevada umidade e as temperaturas amenas aumentaram o risco de doenças foliares. Contudo, as condições meteorológicas restringiram as janelas para as aplicações de fungicidas, permitindo intervenções apenas em períodos pontuais.
Em Santo Antônio das Missões, o episódio de granizo atingiu aproximadamente 500 hectares em desenvolvimento vegetativo, ocasionando acamamento das plantas. Porém, há expectativa de recuperação da maior parte do potencial produtivo Na de Soledade, os cultivos se desenvolvem dentro da normalidade, apesar das precipitações intensas, registradas nas últimas semanas. A maior parte (70%) se encontra em perfilhamento, e 30% estão em elongação do colmo. Embora tenham sido observados processos de erosão laminar, evoluindo pontualmente para erosão em sulcos, e acamamento em depressões naturais do terreno, esses danos ainda apresentam baixa repercussão sobre o potencial produtivo.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,63%, passando de R$ 69,80 para R$ 69,36 com pH padrão 78. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o preço é de R$ 75,00/sc. para produto disponível.
Fonte: Emater/RS




