No sistema de produção soja-milho safrinha, os danos causados por percevejos no estabelecimento da cultura do milho estão entre as principais causas da perda de produtividade. O inseto alimenta-se preferencialmente na região do colo das plântulas, introduzindo o estilete no colmo para sugar a seiva e injetando saliva tóxica. Esse processo ocasiona lesões e necroses no tecido foliar, encharutamento e perfilhamento anômalo, comprometendo severamente o estande e o rendimento final de grãos (Fernandes; Ávila, Silva, 2019).
Figura 1. Percevejo acometendo o milho no estádio inicial do desenvolvimento da planta.
Embora os percevejos possam atacar o milho em diferentes estádios de desenvolvimento, os maiores prejuízos ocorrem na fase inicial da lavoura. A dinâmica populacional da praga na soja atinge o pico ao final do enchimento de grãos, resultando em expressivo aumento de insetos no encerramento do ciclo. Falhas no controle ou a ausência de manejo nessa etapa favorecem a permanência das populações durante a entressafra, sobretudo no intervalo entre a colheita da soja e a semeadura do milho safrinha.
Figura 2. Dinâmica populacional do percevejo barriga-verde no sistema de produção soja-milho.

Nesse contexto, sobretudo na sucessão soja-milho, deve-se considerar que os percevejos já podem estar presentes na área antes mesmo da semeadura do milho. Embora o monitoramento constante auxilie no planejamento do manejo, o tratamento de sementes (TS) com inseticidas figura como uma das estratégias mais eficazes para proteger a cultura na fase crítica inicial.
Ao avaliar a eficácia de diferentes inseticidas químicos via TS no controle de adultos de Diceraeus melacanthus, Fernandes; Ávila; Silva (2019) constataram que os maiores índices de controle do percevejo-barriga-verde foram obtidos com clotianidina (90% a 97,5%) e tiametoxam (80% a 97,5%). Esses resultados evidenciam a alta eficiência dos neonicotinoides para o manejo da praga no milho via tratamento de sementes.
Contudo, vale destacar que mesmo os inseticidas mais eficientes via tratamento de sementes apresentam período residual limitado. Dessa forma, é indispensável intensificar o monitoramento após a emergência para determinar a necessidade de complementação com pulverizações pós-emergentes. Para o percevejo-barriga-verde (Diceraeus furcatus e Diceraeus melacanthus), o nível de ação recomendado durante o desenvolvimento inicial do milho (da emergência até V4) é de 0,5 percevejo/m² ou 1 percevejo a cada 10 plantas.
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Referências:
FERNANDES, P. H. R.; ÁVILA, C. J.; SILVA, I. F. CONTROLE DO PERCEVEJO Dichelops melacanthus POR MEIO DE INSETICIDAS APLICADOS NAS SEMENTES DE MILHO. Embrapa Agropecuária Oeste, Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, n. 82, 2019. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1112233/1/BP822019CREBIO.pdf >, acesso em: 02/09/2026.
GARCIA, A. N. COMO DEVEMOS REALIZAR O MANEJO DE PERCEVEJOS NO MILHO SAFRINHA? KWS Sementes, informativo Agroservice. Disponível em: < https://pt.scribd.com/document/823140125/kws-br-informativo-agroservice-percevejo-milhosafrinha >, acesso em: 02/09/2026.






