A identificação dos estádios fenológicos da soja é fundamental para o planejamento e a tomada de decisões relacionadas ao manejo da cultura. O conhecimento do estágio de desenvolvimento das plantas permite adequar práticas culturais, aplicações de defensivos agrícolas, adubação e outras intervenções às necessidades específicas da lavoura em cada período do ciclo.

Além de orientar o posicionamento das práticas de manejo, a utilização de uma escala fenológica padronizada facilita a comunicação entre produtores, técnicos, pesquisadores e demais profissionais envolvidos na produção. Dessa forma, a identificação precisa dos estádios de desenvolvimento contribui para maior assertividade das recomendações e para a eficiência das operações realizadas no campo.

A escala fenológica proposta por Fehr e Caviness (1977) divide o desenvolvimento da soja em duas fases principais: vegetativa, representada pela letra V, e reprodutiva, representada pela letra R. Cada fase é subdividida em estádios que permitem caracterizar o desenvolvimento da planta ao longo do ciclo.

Na fase vegetativa, os estádios são identificados, com exceção de VE (emergência) e VC (cotiledonar), por uma sequência numérica: V1, V2, V3, V4, V5, V6… Vn. A numeração considera o número de nós da haste principal que apresentam folhas verdadeiras completamente desenvolvidas, permitindo acompanhar de forma objetiva a evolução do crescimento vegetativo da soja (Neumaier et al., 2020).

Tabela 1. Estádios vegetativos da soja.
Fonte: Neumaier et al. (2020)

Um dos principais desafios na identificação dos estádios vegetativos da soja está na correta interpretação do desenvolvimento da planta, especialmente na determinação de quais nós devem ser considerados na definição do estádio fenológico. Para facilitar essa avaliação, uma regra prática é utilizada para determinar quando uma folha pode ser considerada completamente desenvolvida.

De acordo com esse critério, uma folha é considerada completamente desenvolvida quando está aberta e as bordas dos folíolos da folha localizada no nó imediatamente superior não mais se tocam. Assim, a abertura dos folíolos do último nó permite contabilizar o nó imediatamente abaixo na determinação do estádio vegetativo.

Por outro lado, quando as bordas dos folíolos da folha do nó superior ainda estão em contato, a folha do nó imediatamente abaixo ainda não deve ser considerada completamente desenvolvida. Consequentemente, esse nó não deve ser contabilizado na definição do estádio fenológico da planta. Esse critério é especialmente importante para evitar a superestimação do estádio vegetativo e garantir maior precisão na tomada de decisão quanto ao momento das práticas de manejo.

Figura 1. Folíolos com bordos que não mais se tocam.
Foto: Norman Neumaier. Imagem com qualidade otimizada pelo uso de IA.

Para exemplificar esse critério, considere a Imagem 2. Caso os bordos dos últimos folíolos ainda estivessem se tocando, a folha do nó imediatamente abaixo não seria considerada completamente desenvolvida e, portanto, a planta estaria no estádio V1.

Entretanto, como os bordos dos folíolos do último nó já estão abertos e não mais se tocam, a folha localizada no nó imediatamente abaixo deve ser considerada completamente desenvolvida e incluída na contagem. Dessa forma, a planta apresentada na imagem encontra-se no estádio V2, correspondente ao segundo nó da haste principal.

Figura 2. Soja em estádio V2.
Foto: Norman Neumaier. Imagem com qualidade otimizada pelo uso de IA.

A identificação do período reprodutivo é mais simples. Seu início é definido pela abertura de, pelo menos, uma flor em qualquer nó da planta, caracterizando o estádio R1. A partir desse momento, os estádios reprodutivos subsequentes são determinados de acordo com as características descritas na Tabela 2.

Tabela 2. Estádios reprodutivos da soja.
Fonte: Neumaier et al. (2020)

Conforme destacado por Neumaier et al. (2020), o estádio R5 também pode ser subdividido em subperíodos, conforme a classificação proposta por Ritchie et al. (1977). Essa subdivisão considera o avanço da granação dos grãos, sendo: R5.1, grãos perceptíveis ao tato, correspondendo a aproximadamente 10% de granação; R5.2, de 11% a 25%; R5.3, de 26% a 50%; R5.4, de 51% a 75%; e R5.5, de 76% a 100% de granação (Figura 3).

Figura 3. Subdivisão do estádio R5 da soja na escala de Fehr & Caviness (1977).
Fonte: Tagliapietra et al. (2022). Imagem com qualidade otimizada pelo uso de IA.

Essa subdivisão permite detalhar com maior precisão o desenvolvimento da soja e contribui para o adequado posicionamento das práticas de manejo, especialmente aquelas relacionadas à nutrição e ao manejo fitossanitário. Para determinar corretamente o subestádio de R5, é necessário realizar um corte longitudinal do legume e avaliar o grau de desenvolvimento dos grãos.

A correta identificação dos estádios de desenvolvimento da soja é fundamental não apenas para o posicionamento adequado das práticas de manejo, mas também para estabelecer uma comunicação mais precisa entre técnicos e produtores. A utilização de uma classificação padronizada facilita a interpretação do desenvolvimento da cultura e contribui para a tomada de decisões mais assertivas ao longo do ciclo da soja.

O material completo desenvolvido por Neumaier e colaboradores (2020), com mais informações sobre a ecofisiologia da soja pode ser acessado clicando aqui!



Referências:

NEUMAIER, N. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA. Embrapa, Sistemas de Produção, n.17, Tecnologias de Produção de Soja, cap. 2, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123928/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 04/09/2026.

TAGLIAPIETRA, E. L. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 2, 2022.

ZANON, A. J. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 1, 2018.

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