Agosto foi marcado por forte recuperação dos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul. A baixa disponibilidade do cereal e a necessidade de recomposição dos estoques das indústrias sustentaram reajustes nas ofertas de compra, enquanto produtores permaneceram firmes nas pedidas.
Com o avanço das cotações, entretanto, a dificuldade de repasse ao arroz beneficiado aumentou a resistência dos compradores a novos reajustes. Na reta final do mês, mesmo com maior disponibilidade em parte das regiões, a atuação da demanda externa, sobretudo nas proximidades do Porto de Rio Grande, manteve os preços sustentados.
Nas primeiras semanas de agosto, produtores consultados pelo Cepea ofertaram poucos lotes, mantendo expectativas de valores mais elevados. Ao mesmo tempo, compradores relataram dificuldades para recompor estoques e precisaram elevar as ofertas em diferentes momentos para estimular novas vendas. A expectativa em torno das aquisições anunciadas pelo Governo Federal no final de julho também permaneceu no radar dos agentes ao longo de agosto. Até o início de setembro, porém, ainda não havia sido divulgado o edital com as regras para a operacionalização das compras, mantendo indefinições quanto à efetivação da medida.
A restrição de matéria-prima se intensificou ao longo da primeira metade do mês. Em casos pontuais, indústrias chegaram a suspender temporariamente as vendas de arroz beneficiado por não conseguirem adquirir volumes suficientes para atender aos novos pedidos. Compradores também buscaram alternativas para viabilizar aquisições e houve negociações em que aceitaram preços mais elevados, mas com prazos de pagamento mais longos. Ainda assim, a postura retraída dos vendedores limitou a liquidez.
À medida que as cotações avançaram, porém, aumentou a resistência de parte das indústrias em atender aos valores pretendidos pelos produtores. Agentes relataram dificuldade em repassar ao arroz beneficiado os reajustes observados na matéria-prima, o que reduziu o espaço para novas altas nas ofertas de compra. A diferença entre as expectativas de compradores e vendedores, que havia diminuído em semanas anteriores, voltou a aumentar, e os negócios permaneceram pontuais mesmo diante da necessidade de aquisição das indústrias.
Na reta final de agosto, a dinâmica de comercialização apresentou nova mudança. Agentes consultados pelo Cepea relataram aumento da disponibilidade de arroz em casca em parte das regiões acompanhadas, permitindo inclusive o fechamento de lotes maiores do que nas semanas anteriores. A maior oferta, contudo, não resultou em recuo das cotações. Além da manutenção de pedidas firmes pelos produtores, a demanda internacional ganhou relevância, sobretudo nas regiões próximas ao Porto de Rio Grande. O interesse externo levou compradores a elevar suas ofertas para determinados lotes e deu novo suporte aos preços.
Em regiões mais distantes do Porto, por outro lado, os custos com frete dificultaram algumas operações, ao elevar o valor final do cereal. Dessa forma, mesmo com interesse comprador, a localização dos lotes e os custos logísticos também condicionaram as negociações no período.
As condições climáticas foram outro fator acompanhado pelos agentes durante agosto. As chuvas dificultaram carregamentos e o transporte do cereal em determinadas regiões e provocaram interrupções pontuais no fornecimento de energia elétrica. Além dos impactos sobre a comercialização, as precipitações limitaram os trabalhos de preparo do solo em algumas áreas, aumentando as preocupações quanto à implantação da safra 2026/27.
Preços regionais – No acumulado de agosto, a média do Indicador CEPEA/IRGA-RS (58% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi de R$ 74,24/saca de 50 kg, alta de 15,65% frente à média de julho, de R$ 64,20/sc.
A valorização ocorreu em todas as seis microrregiões que compõem o Indicador. A Depressão Central apresentou a maior valorização mensal, de 17,54%, com a média passando para R$ 70,24/sc em agosto. Na Campanha, a alta foi de 16,74%, para R$ 73,07/sc, enquanto, na Fronteira Oeste, o avanço foi de 16,50%, com média de R$ 74,78/sc. Na Planície Costeira Interna, a valorização chegou a 14,54%, para R$ 76,16/sc. Na Zona Sul, o preço médio aumentou 13,86%, para R$ 75,52/sc, e, na Planície Costeira Externa, a alta foi de 13,60%, com média de R$ 73,78/sc.
Para as demais faixas de rendimentos acompanhadas pelo Cepea, o preço médio do arroz de 50% a 57% de grãos inteiros no Rio Grande do Sul subiu 15,70% entre jul/26 e ago/26, a R$ 72,06/sc de 50 kg. Os grãos com 59% a 62% de inteiros se valorizaram 16,35% no período, com a média passando para R$ 75,63/sc. Já para o produto de 63% a 65% de grãos inteiros, o preço avançou 15,89% no mesmo comparativo, a R$ 76,39/sc.
Varejo – Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), divulgados pelo IBGE em 28 de julho, apontam estabilidade de 0,06% no conjunto de produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras. Para o arroz, especificamente, houve queda de 0,81% na coleta realizada entre 17 de junho e 15 de julho. No acumulado dos últimos 12 meses, o recuo chega a 15,06% na média nacional.
Fonte: Cepea




