A cotação do algodão em pluma subiu em agosto, impulsionada pela postura firme dos vendedores, que estiveram atentos às valorizações no mercado internacional. Mesmo com o avanço, após operar acima da paridade de exportação por sete meses consecutivos, o preço doméstico ficou, em média, 1,5% abaixo desse parâmetro em agosto, situação que não era observada desde dezembro/25.
No cenário externo, os preços foram impulsionados pelas condições desfavoráveis das lavouras dos Estados Unidos, especialmente no Texas, onde o calor intenso e a seca aumentam os riscos de redução da produção e, consequentemente, da oferta global. A valorização do petróleo no mercado internacional também sustentou os valores da pluma.
No Brasil, agentes estiveram atentos aos avanços da colheita e do beneficiamento da safra 2025/26, priorizando os contratos a termo, especialmente os destinados à exportação. Além do cumprimento das programações, parte dos players aproveitou a alta dos valores para firmar novos contratos e fechar negócios que estavam em aberto.
Assim, a disponibilidade de lotes permaneceu limitada no spot, levando compradores com necessidade imediata a pagar mais por novas aquisições, sobretudo quando encontravam a qualidade desejada. A maior liquidez, contudo, continuou limitada pelo desacordo entre compradores e vendedores.
Nesse cenário, entre 31 de julho e 31 de agosto, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma (pagamento em oito dias) avançou 3,83%, fechando em R$ 4,3648/lp no dia 31 – o maior valor nominal desde 13 de julho de 2025, quando havia atingido R$ 4,3750/lp. A média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 4,2393/lp em agosto, elevação de 3,17% em relação a julho/26 e a maior média real desde junho/25 (R$ 4,4053/lp). Na comparação com agosto de 2025, o aumento real foi de 4,03%, considerando-se os valores deflacionados pelo IGP-DI de julho/26.
Em dólar, a média à vista do Indicador foi de US$ 0,8194/lp em agosto, 3,8% abaixo da média do primeiro vencimento negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures), de US$ 0,8518/lp, e 14,3% inferior à média de US$ 0,9561/lp do Índice Cotlook A, referência internacional para a pluma posta no Extremo Oriente.
MERCADO INTERNACIONAL – Entre 31 de julho e 31 de agosto, o Índice Cotlook A avançou significativos 14,14%, fechando a US$ 1,0130/lp no dia 31 – o maior valor nominal desde 12 de março de 2024 (US$ 1,0160/lp). No mesmo período, a valorização de 2,13% do dólar frente ao Real, cotado a R$ 5,182 nessa segunda-feira, também contribuiu para a alta expressiva de 16,9% da paridade de exportação (FAS), calculada pelo Cepea. Assim, a paridade ficou em R$ 4,5755/lp (US$ 0,8830/lp) no porto de Santos (SP) e em R$ 4,5860/lp (US$ 0,8850/lp) no porto de Paranaguá (PR).
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), os quatro primeiros contratos também subiram em agosto. Entre 31 de julho e 31 de agosto, o contrato Outubro/26 avançou 13,91%; o Dezembro/26, 13,88%; o Março/27, 14,13%; e o Maio/27, 14,04%. Vale considerar que, para o contrato mais líquido, o Dezembro/26, o encerramento de agosto, de US$ 0,9314/lp, é o maior desde a sua abertura, em janeiro de 2024.
COLHEITA E BENEFICIAMENTO – No campo, a colheita da safra 2025/26 no Brasil alcançou 82% da área até 27 de agosto, segundo a Abrapa, avanço de 16 pontos percentuais em relação à semana anterior. Dentre os principais estados produtores, Mato Grosso havia colhido 88% da área, enquanto na Bahia o percentual era de 57%. O beneficiamento, por sua vez, atingiu 39% da produção brasileira até a mesma data, também conforme dados da Abrapa, avanço de sete pontos percentuais em comparação com 20 de agosto. Em Mato Grosso, o beneficiamento alcançou 22% da produção, e na Bahia, 38%.
ICAC – Segundo os últimos dados divulgados pelo Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac), a produção mundial de algodão na safra 2026/27 está estimada em 26,2 milhões de toneladas, volume 3% inferior ao da temporada anterior. Essa estimativa resulta de uma área cultivada de 30,34 milhões de hectares, aumento de 0,56% em relação à safra 2025/26, e de uma produtividade de 863,49 kg/ha, que deve ser 3,55% menor que a da safra anterior.
O consumo mundial foi projetado pelo Comitê em 25,89 milhões de toneladas, apenas 0,24% maior do que o previsto para a safra 2025/26 e 1,15% abaixo da oferta global. As exportações mundiais são estimadas em 9,66 milhões de toneladas, com retração de 1,65% em relação à temporada anterior. Sendo assim, os estoques finais mundiais devem atingir 18,23 milhões de toneladas, alta de 1,67% em relação à projeção para a safra 2025/26.
Para o Brasil, o Icac estima que a área cultivada com algodão deve recuar 5,53%, para 2,05 milhões de hectares. Somado ao recuo de 2,86% na produtividade (1,9 t/ha), o volume produzido pode ser 8,24% inferior ao da safra 2025/26, ficando em 3,9 milhões de toneladas na temporada 2026/27. O consumo, por sua vez, pode ser 4,72% maior, atingindo 754 mil toneladas na safra 2026/27. No entanto, as exportações brasileiras podem recuar 7,39% em relação à safra anterior, para 3,12 milhões de toneladas na temporada 2026/27, ainda assim o segundo maior volume da série histórica. Nesse cenário, os estoques finais podem subir 2,23% na safra 2026/27, atingindo 1,24 milhão de toneladas.
CAROÇO DE ALGODÃO – O mercado de caroço registrou negociações pontuais em agosto, com agentes acompanhando o avanço do beneficiamento da safra 2025/26 e o cumprimento dos contratos a termo. Além disso, compradores estiveram cautelosos em realizar novas aquisições, diante do receio de que o aumento da oferta pudesse pressionar os preços e dificultar as vendas de farelo e torta de algodão.
Em Lucas do Rio Verde (MT), a média foi de R$ 744,58/t, quedas de 3,2% frente a julho e de 4,3% em relação a agosto/25, dados deflacionados pelo IGP-DI de julho/26. Em Campo Novo do Parecis (MT), a média atingiu R$ 774,11/t, com retrações de 6,1% no comparativo mensal e de 11,4% no anual. Em Primavera do Leste (MT), o valor médio foi de R$ 789,85/t, baixas de 14,3% frente ao mês anterior e de 13,1% em relação a agosto de 2025.
Em Barreiras (BA), a média foi de R$ 1.026,77/t, com ligeira elevação de 0,1% frente a julho, mas recuo de 12,8% em relação a agosto/25. Em São Paulo (SP), a média foi de R$ 1.244,06/t, 8% inferior ao mês anterior e 10,1% menor que no ano anterior.
Fonte: Cepea




