A firme demanda global, as condições climáticas irregulares no Hemisfério Norte e as incertezas quanto aos possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a safra 2026/27 impulsionaram as cotações de soja no Brasil, em agosto. A intensificação dos conflitos no Oriente Médio também deu suporte às cotações.

A alta nos preços foi reforçada pela retração de uma parte dos vendedores, que, atentos a esses fatores, mostraram preferência por postergar novas negociações. No entanto, para comercializar no mercado spot, muitos desses agentes aceitaram um prazo de pagamento mais alongado, mas a preços maiores. Do lado da demanda, indústrias brasileiras intensificaram as aquisições para recompor e garantir os estoques.

Além disso, com o fim do período do vazio sanitário no Paraná, produtores já iniciaram a semeadura da nova safra (2026/27) na primeira semana de setembro. Parte do estado de São Paulo e o estado de Mato Grosso também já encerraram o período obrigatório da medida fitossanitária. Com isso, o mês de setembro deve ter o foco no clima e no avanço das atividades de campo.

Quanto aos preços, o Indicador CEPEA/ESALQ – Paranaguá se valorizou expressivos 5,7% entre as médias de julho e agosto e 6,9% entre ago/25 e ago/26, encerrando o último período em R$ 150,15/sc de 60 kg, o maior valor desde dezembro de 2023 em termos reais (IGP-DI de julho/26). O Indicador CEPEA/ESALQ – Paraná avançou significativos 5,9% entre os dois últimos meses e 6,3% no comparativo anual, a média de R$ 142,55/sc 60 kg em agosto, o maior valor desde novembro/24, em termos reais.

Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, entre julho e agosto, os preços da oleaginosa subiram 6,3% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e 7% no de lotes (negociações entre empresas). No comparativo anual, os aumentos foram de 5,8% no balcão e de 6,7% no de lotes.

A alta no mercado nacional, por sua vez, foi limitada pela diminuição da demanda externa pela soja do Brasil. De acordo com a Secex, o Brasil exportou 9,8 milhões de toneladas do grão, queda de 26,8% frente ao mês passado e aumento de 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. É o menor volume embarcado desde fevereiro deste ano, o que é comum para este período de aproximação da entrada da safra norte-americana. Porém, vale ressaltar que, na parcial deste ano (de janeiro a agosto), o Brasil exportou 92,79 milhões de toneladas de soja em grão, um recorde para o período.

Na CME Group (Bolsa de Chicago), o contrato de primeiro vencimento da soja avançou 0,03% de julho para agosto, a US$ 11,9890/bushel (US$ 26,43/sc de 60 kg). De agosto/25 a agosto/26, no entanto, houve avanço de 19,2%.

FARELO DE SOJA – A maior disputa pelo farelo de soja disponível elevou o prêmio de exportação no Brasil e o preço FOB, dando suporte também às cotações internas. De acordo com a Secex, o Brasil exportou 2,34 milhões de toneladas de farelo de soja em agosto, 0,8% a mais que o embarcado em julho e 23% acima do escoado há um ano.

Com isso, em Paranaguá (PR), o preço FOB do farelo de soja referente ao embarque do primeiro vencimento foi de US$ 405,32/tonelada em 28 de agosto. Este é o maior patamar desde setembro/24. Diante disso, no spot nacional, o preço do farelo de soja na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, se valorizou 6,8% de julho para agosto e 13,4% de agosto/25 a agosto/26, em termos reais.

Já na CME Group, o contrato de primeiro vencimento do farelo de soja teve média de US$ 316,12/tonelada curta (US$ 348,46/t) em agosto, recuo de 1,1% frente a julho. No comparativo anual, por sua vez, o contrato de primeiro vencimento avançou significativos 11,7%.

ÓLEO DE SOJA – As cotações do óleo de soja também avançaram no mercado brasileiro em agosto. Embora a demanda externa tenha reduzido 36,2% de julho para agosto, o volume escoado no último mês, de 197,22 mil toneladas, é 30% superior ao exportado há um ano. Além disso, na parcial deste ano (até agosto), o Brasil embarcou 1,5 milhão de toneladas de óleo de soja, 43,4% a mais que o escoado em período equivalente do ano passado.

Diante disso, levantamento do Cepea mostra que o óleo de soja posto na região de São Paulo, com 12% de ICMS, se valorizou 2,7% de julho para agosto, para R$ 6.703,75/t. No comparativo anual, porém, observa-se queda de 7,6%, em termos reais.

Na Bolsa de Chicago, o contrato de primeiro vencimento do óleo de soja teve média de US$ 0,6893/lp (US$ 1.519,65/t) em agosto, queda de 3,5% frente a julho. Frente a agosto de 2025, contudo, houve expressiva alta de 29,7%.

Fonte: Cepea



 

FONTE

Autor:Cepea

Site: Agromensais Cepea

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