O nitrogênio (N) é o elemento mineral mais requerido pela soja, devido à sua utilização na produção de proteína no grão e de importantes biomoléculas. Essa demanda de N é suprida principalmente pela fixação biológica de nitrogênio (FBN) e por outras fontes de N (mineralização da matéria orgânica, água de irrigação, entre outras). Na soja, o N derivado via FBN pode variar de 0 a 98% (Salvagiotti et al. 2008). Devido a isso, a inoculação com cepas efetivas de Bradyrhizobium para aumentar a capacidade da FBN é de extrema importância. Porém, mais do que aumentar a dose de inoculante ou investir na aquisição de cepas de alta eficácia, a correção química do solo para potencializar a função da FBN apresenta importância igual ou maior do que os fatores comentados anteriormente.

Um estudo conduzido por Alves et al. (2021), em um sistema de integração lavoura-pecuária sob plantio direto, avaliou o efeito da calagem sobre a nodulação, a FBN e a produtividade da soja em um solo ácido (pH inicial de 4,0 e saturação por alumínio de 50%). Ao longo de duas safras, os resultados mostraram que, entre todos os fatores avaliados incluindo estratégias de fertilização e pastejo, a calagem foi o único que apresentou efeito significativo sobre essas variáveis.

O trabalho demostrou que pH do solo e a saturação por alumínio foram as propriedades químicas mais determinantes da fixação biológica de nitrogênio, respondendo por 76% da variação observada: em solos com pH igual ou superior a 5,1, o nitrogênio fixado alcançou em média 335 kg ha⁻¹, contra apenas 129 kg ha⁻¹ em solos mais ácidos e com saturação por alumínio superior a 32% (Figura 1)

Figura 1. Árvore de inferência condicional para o efeito das propriedades químicas do solo (pH e saturação por alumínio) sobre o N-fixado (kg ha⁻¹) em um Argissolo ácido, com ou sem calagem, no sul do Brasil (apenas para a safra 2018/19). O retângulo central do boxplot abrange do primeiro ao terceiro quartil dos dados. A linha sólida dentro do retângulo representa a mediana, o “×” representa a média, e as linhas verticais acima e abaixo da caixa estendem-se até os valores mínimo e máximo, respectivamente.
Fonte: Alves et al. (2021)

Esses resultados evidenciam que a calagem vai muito além da simples correção da acidez do solo: ela cria as condições químicas necessárias para que a fixação biológica de nitrogênio ocorra em seu potencial máximo, refletindo em maior nodulação, maior crescimento das plantas e, consequentemente, maior produtividade.



Referências:

ALVES, A.F. et al. Biological N2 fixation by soybeans grown with or without liming on acid soils in a no-till integrated crop-livestock system. Soil & Tillage Research, v. 209, 104923, 2021.  Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0167198720307054 >, acesso: 24/09/2026.

SALVAGIOTTI, F. et al. Nitrogen uptake, fixation and response to fertilizer n in soybeans: a review. Field Crops Research, V. 108, n.1, p. 1-13, 2008. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378429008000555 >, acesso: 20/09/2026

WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.

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