A Farsul protocolou, nesta sexta-feira (25/9), dois novos ofícios junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para reforçar a cobrança por medidas urgentes diante da crise no abastecimento de diesel no Rio Grande do Sul. O protocolo ocorre um dia depois de o presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, ter se reunido novamente com representantes da agência para tratar do tema, que já se arrasta desde os preparativos para o início do plantio da safra de verão.

A entidade vem denunciando o problema desde o dia 11 de setembro, quando alertou para restrições e atrasos na entrega de diesel aos produtores, em um cenário semelhante ao vivido no início de 2026, durante a colheita de arroz e soja. Na ocasião, Domingos ponderou que “o plantio tem uma janela que não pode ser adiada indefinidamente. Sem diesel, o produtor perde o momento adequado, pode reduzir a área plantada e comprometer a produtividade”, e cobrou que o subsídio federal de R$ 1 por litro anunciado em 9 de setembro se traduzisse em preço e em combustível de fato disponível no campo.

Em 15 de setembro, a Farsul protocolou o primeiro ofício sobre o tema junto ao diretor-geral da ANP, Artur Watt Neto, pedindo fiscalização imediata das distribuidoras no Estado, divulgação regionalizada de estoques e entregas, esclarecimento dos critérios de alocação de volumes e um plano de contingência. Dias depois, em 23 de setembro, o presidente esteve em Brasília onde intensificou as tratativas com a agência, resumindo a urgência do problema, “Precisamos da solução para ontem”.

Os novos documentos, Ofício nº 100/2026 e Ofício nº 101/2026, foram assinados por Domingos e endereçados respectivamente a Artur Watt Neto, diretor-geral da ANP, e a Diogo Valério, superintendente de Distribuição e Logística do órgão. Ambos tratam do mesmo assunto, a atualização sobre restrições no abastecimento e a elevação dos preços do óleo diesel no Rio Grande do Sul, e trazem um levantamento coletado na própria sexta-feira junto a produtores rurais, sindicatos rurais e agentes de diferentes regiões do Estado.

Segundo a Farsul, os relatos confirmam que persistem restrições relevantes na oferta de diesel, sobretudo do tipo S500, além de limitação nas quantidades comercializadas, atrasos nas entregas e forte elevação de preços. Um quadro que, segundo os ofícios, permanece disseminado em diferentes regiões do estado, com empresas sem produto, entregas parciais e prazos incertos.

Entre os casos listados nos ofícios estão Girúá, sem disponibilidade de S500 há mais de 15 dias; Cruz Alta e Santa Maria, com ausência do produto e forte restrição até do S10; e São Vicente do Sul, onde pedidos de dez mil litros têm sido atendidos com apenas cinco mil. Em Tupanciretã, um produtor relatou ter recebido somente 4.500 litros do volume solicitado, sem disponibilidade de S500 para entrega na propriedade. Candelária e Pelotas também aparecem entre os relatos mais recentes, com TRRs sem previsão de fornecimento ou sem S500 disponível.

Os preços informados variam de R$ 6,09 a R$ 8,00 por litro conforme a região e o tipo de diesel. No agregado, a Farsul aponta que o litro do combustível passou de R$ 5,60 em agosto para R$ 7,15 em setembro (alta de aproximadamente 27,7% em um único mês) e de R$ 5,77 em maio, o que representa aumento de cerca de 23,9% no período.

Diante do cenário, a Farsul solicita à ANP a verificação imediata das condições de abastecimento de diesel no Rio Grande do Sul, com foco especial na disponibilidade do S500, nos volumes disponibilizados a TRRs e postos revendedores e nas razões para as restrições verificadas nas diferentes regiões do Estado. A entidade pede ainda manifestação da agência sobre as condições atuais de estoques, produção e distribuição, as perspectivas de normalização do abastecimento e a adoção das providências de fiscalização que a ANP entender cabíveis.

“A Farsul permanece à disposição para fornecer informações adicionais e colaborar com o acompanhamento da situação”, registram os ofícios, “reiterando a urgência de medidas que assegurem regularidade e previsibilidade no fornecimento de combustível aos produtores rurais gaúchos”. Com a safra de verão já em plantio, a entidade deve manter a cobrança junto à ANP e ao governo federal nos próximos dias, à espera de uma resposta concreta sobre a normalização do fornecimento.

Fonte: Farsul


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Autor:Farsul

Site: Farsul

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