O pH é um dos principais fatores influenciadores da disponibilidade de nutrientes no solo, sendo que solo ácidos (com baixo pH), tendem a apresentar baixa disponibilidade de nutrientes.

Figura 1. Relação entre pH e disponibilidade de nutrientes no solo.

Embrapa (2013).

O inadequado pH do solo pode resultar em má nutrição das plantas em consequência da baixa disponibilidade de nutriente, prejudicando o crescimento e desenvolvimento de uma cultura agrícola, podendo até mesmo comprometer sua produtividade em casos mais extremos. Sendo assim, a correção do pH do solo torna-se essencial em solos ácidos, visando promover a boa disponibilidade de nutrientes e boa produtividade da cultura.

Se tratando de correção da acidez do solo, o insumo mais conhecido e utilizado é o calcário, entretanto, uma das características do calcário é sua baixa mobilidade no solo, o que torna extremamente dificultoso a correção da acidez em camadas mais profundas do solo, especialmente em sistemas de plantio direto consolidado.



Mas existe alguma alternativa para melhorar a condição do solo em profundidade sem que seja necessário o revolvimento do solo para incorporação do calcário?

Uma das alternativas é a utilização do gesso agrícola. O gesso agrícola é fonte de enxofre (S) e cálcio (Ca) (Embrapa), e pode ser utilizado para a redução da saturação de alumínio nas camadas mais profundas do solo por apresentar maior mobilidade em comparação ao calcário (Broch & Ranno, 2009).

Conforme observado por Broch & Ranno (2009), a aplicação de gesso agrícola reduz a saturação de alumínio nas camadas mais profundas, entretanto, os autores destacam que o gesso não neutraliza a acidez do solo fazendo-se necessária a correção prévia da camada superficial (0-20 cm) com calcário.

Figura 1. Redução na saturação por alumínio na CTC da camada subsuperficial (abaixo de 20 cm) de um solo argiloso (55 – 60% argila) 6 (seis) meses após a aplicação de altas doses de gesso agrícola em superfície, Maracaju/MS. FUNDAÇÃO MS, 2008 (Broch & Ranno, 2009).

Fonte: Broch & Ranno (2009)

Avaliando a influência da aplicação de gesso agrícola, com e sem calcário nos atributos químicos do solo e na produtividade de milho e soja, em sistema plantio direto, Zandoná et al. (2015) observaram que o gesso agrícola aumenta os teores de Ca2+, redistribui o Mg2+ para as camadas de 10-20 cm e 20-40 cm e diminui os teores de Al3+ na camada de 20-40 cm.

Além disso, assim como Broch & Ranno (2009), Zandoná et al. (2015) observaram que a utilização do gesso agrícola proporcionou aumento da produtividade da soja. Segundo Broch & Ranno (2009), com o uso de 700 kg.ha-1  de gesso agrícola os autores já obtiveram resultados que apontam um incremento de produtividade de aproximadamente 12sc.ha-1 com relação a testemunha, a qual não recebeu gesso.

Figura 2. Produtividade da soja (sc.ha-1) em resposta à utilização de doses crescentes de gesso agrícola, safras 1999/00 a 2001/02, em solo argiloso (55% argila) com baixos teores de enxofre disponível, em Maracaju/MS. FUNDAÇÃO MS, 2008 (Broch & Ranno, 2009).

Fonte: Broch & Ranno (2009)

Da mesma forma, Zandoná et al. (2015) observaram incremento de produtividade de soja, na ordem de aproximadamente 11% com o uso do gesso agrícola até a dose de 2 t.ha-1.

Em virtude de suas características, o gesso agrícola pode ser aplicação a lanço em superfície, seguindo as recomendações técnicas. Para cálculo da dose, Broch & Ranno (2009) destacam ser possível a utilização do modelo proposto por Souza & Lobato (1996), que leva em consideração a um fator de multiplicação adimensional e a porcentagem do teor de argila do solo em questão, com base na análise de solo, onde:

D.G. (kg.ha-1) = 50 x Argila (%)

Em que:

D.G. = Dose de Gesso a Aplicar (kg.ha-1)

50 = Fator de multiplicação adimensional

Argila (%) = Teor de argila obtido na análise de solo (%)

(Broch & Ranno, 2009)

Tendo em vista os aspectos observados e a importante contribuição do gesso agrícola para o sistema produtivo, pode-se dizer que o gesso agrícola é uma interessante ferramenta quando utilizada de forma correta, entretanto, não substitui o calcário para a correção da acidez do solo.

Veja também: Gesso agrícola e seu uso

Referências:

BROCH, D. L.; RANNO, S. K. FERTILIDADE DO SOLO, ADUBAÇÃO E NUTRIÇÃO DA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja e Milho 2008/2009, 2009. Disponível em: < http://www.diadecampo.com.br/arquivos/materias/%7BF2C9E86E-A11D-49BA-83FD-D5C2E15DB72C%7D_02_fertilidade_do_solo_cultura_da_soja.pdf >, acesso em: 07/01/2021.

EMBRAPA. ENXOFRE E GESSO AGRÍCOLA. Embrapa. Disponível em: < http://www.cnpt.embrapa.br/publicacoes/sist-prod/cevada02/cev6-3-6.htm#:~:text=O%20gesso%20%C3%A9%20uma%20fonte,e%20de%20c%C3%A1lcio%20(Ca).&text=Alguns%20fertilizantes%20(superfosfato%20simples%2C%20sulfato,a/propriadas%20%C3%A0s%20necessidades%20das%20plantas. >, acesso em: 07/01/2021.

SOUSA, D.M.G. de; LOBATO, E. CORREÇÃO DO SOLO E ADUBAÇÃO DA CULTURA DA SOJA. EMBRAPA-CPAC, Circular Técnica n. 33, 1996.

ZANDONÁ, R. R. et al. GESSO E CALCÁRIO AUMENTAM A PRODUTIVIDADE E AMENIZAM O EFEITO DO DÉFICIT HÍDRICO EM MILHO E SOJA. Pesq. Agropec. Trop., Goiânia, v. 45, n. 2, p. 128-137, abr./jun. 2015, Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/pat/v45n2/1517-6398-pat-45-02-0128.pdf >, acesso em: 07/01/2021.

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