O manejo e controle de plantas daninhas é indispensável para evitar a matocompetição, reduzindo a interferência de plantas daninhas em plantas cultivadas, possibilitando boa produtividade e rentabilidade da lavoura. Para um manejo eficiente e sustentável, deve-se conhecer as principais espécies de plantas daninhas presentes na área de produção, bem como as espécies mais preocupantes e de difícil manejo.

Com o uso indiscriminado de certos herbicidas para controle de plantas daninhas, não é difícil encontrar casos de resistência dessas plantas a herbicidas, dificultando ainda mais o controle dessas daninhas. Além da já conhecida resistência a herbicidas da Buva (Conyza spp.) e do capim-amargoso (Digitaria insularis), outras plantas daninhas vem ganhando destaque por apresentarem difícil manejo. Uma delas é o Capim-massambará (Sorghum halepense), planta daninha conhecida como sorgo-de-alepo pelos Argentinos, e que vem preocupando agricultores por lá.



A planta é perene, com reprodução por sementes e por rizomas e mais adaptada a verões quentes e chuvosos; em regiões com geadas, há morte da parte aérea e de alguns rizomas, que rebrotam na primavera, fato que dificulta ainda mais o controle da daninha (Concenço; Machado; Ceccon, 2012).

Figura 1. Capim-massambará (Sorghum halepense).

Foto: Aapresid

A resistência simples dessa planta daninha no território Argentino a herbicidas inibidores da ACCase e EPSPs e a resistência múltipla a eles já era conhecida desde 2015 (Heap, 2021), entretanto, o que chama atenção agora são os princípios ativos os quais se dão essa resistência, sendo o mais novo deles o Clethodim.

Conforme dados da Aapresid, agora foi observada a resistência múltipla do capim-massambará aos ativos glifosato, haloxifop e clethodim, fato extremamente preocupante do ponto de vista de manejo. Resultados gerais de estudos realizados em território Argentino visando avaliar a sobrevivência de populações dessa planta daninha submetida a aplicação dos ativos citados anteriormente demonstram sobrevivência de 57% das populações ao glifosato, 14% ao haloxifop e 3% ao clethodim. Valores mínimos de dose dos herbicidas acordo com a recomendação para a cultura foram utilizados para o presente estudo.

Contudo, o que chama atenção e gerou a queixa de resistência do capim-massambará ao clethodim foi a sobrevivência de 75 e 77% de uma população da planta daninha submetida ao herbicida, em duas repetições. Em seguida, estudos mais aprofundados foram realizados confirmando a resistência da planta daninha ao clethodim.

Dessa forma, fica o alerta aos agricultores brasileiros, sendo necessário cautela no manejo de plantas daninhas, monitorando possíveis casos de resistência para que o capim-massambará futuramente não venha a integrar o time de plantas daninhas resistentes a herbicidas em território brasileiro.

Confira a matéria completa sobre o caso de resistência do capim-massambará na Argentina clicando aqui!

Foto de capa: Aapresid


Veja também: Alelopatia do azevém – uma ferramenta interessante no manejo integrado de plantas daninhas



Referências:

AAPRESID. “SORGO DE ALEPO MULTIRRESISTENTE”, 2021. Disponível em: < https://www.aapresid.org.ar/rem/sorgo-de-alepo-multirresistente/ >, acesso em: 18/03/2021.

AAPRESID. LO QUE DEJÓ EL EVENTO DE LA REM SOBRE SORGO DE ALEPO MULTIRRESISTENTE, 2021. Disponível em: < https://www.aapresid.org.ar/blog/lo-que-dejo-el-evento-de-la-rem-sobre-sorgo-de-alepo-multirresistente/ >, acesso em: 18/03/2021.

AAPRESID. REVISTA RED DE INNOVADORES, n. 191, 2021. Disponível em: < https://www.aapresid.org.ar/blog/revista-red-de-innovadores-n-191/ >, acesso em: 18/03/2021.

CONCENÇO, G.; MACHADO, L. A. Z.; CECCON, G. ESPÉCIES DE Sorghum IMPORTANTES: IMPORTÂNCIA E MANEJO EM SISTEMAS PRODUTIVOS. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 180, 2012. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/69595/1/COT2012180.pdf >, acesso em: 18/03/2021.

HEAP, I. THE INTERNATIONAL HERBICIDE-RESISTANT WEED DATABASE, 2021. Disponível em: < http://weedscience.org/Pages/Species.aspx >, acesso em: 18/03/2021.

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