O manejo e controle de plantas daninhas é essencial para evitar a matocompetição e com ela perdas produtivas. Buva (Conyza spp.) e capim-amargoso (Digitaria insularis) são plantas daninhas comumente encontradas em lavouras comerciais e apresentam difícil controle por possuir elevada produção de sementes, dispersão facilitada e resistência a herbicidas.

Entretanto, além da buva e do capim-amargoso, outra espécie de planta daninha vem se destacado por suar características fisiológicas, elevado potencial em causar danos e evolução geográfica. Trata-se do caruru, planta daninha que apresenta rápido crescimento, elevada produção de sementes e vários fluxos de emergência.

Dentre as principais espécies de caruru, podemos destacar o caruru-gigante (Amaranthus palmeri) e o Amaranthus hybridus, esse último com duas variedades comuns, o Amaranthus hybridus var. patulus (caruru-branco) e o Amaranthus hybridus var. paniculatus (caruru-roxo) (Lorenzi, 2014).



O Amaranthus palmeri é considerada uma praga quarentenária, até então, presente apenas no Estado do Mato Grosso. Já o Amarahtus hybridus apresenta crescimento populacional no território brasileiro, sendo observado com frequência em áreas do Sul.

Ainda que essa planta daninha não tenha sido considerada um grande problema na agricultura brasileira nas safras 2019/2020 e 2020/2021, cabe destacar o A. hybridus apresenta resistência múltipla aos herbicidas inibidores da ALS e da enzima EPSPS no Brasil (Heap, 2021).

Veja também: A problemática trazida pelo caruru

Em levantamento realizada pela Aapresid, de 20015 a 2017 o A. hybridus foi a espécie de planta daninha que apresentou maior crescimento geográfico, estando presente em mais de 70 partidos/departamentos Argentinos (figura 1).

Figura 1. Plantas daninhas com maior crescimento geográfico de 2015 a 2017.

Fonte: Aapresid (2018)

O crescimento geográfico do A. hybridus em território Argentino toma dimensões assustadoras, passando de planta daninha pouco preocupante em 2013 para planta daninha presente em quase todo território Argentino em 2017.

Figura 2. Evolução geográfica de A.hybridus na Argentina.

Fonte: Aapresid – REM

O fato destaca a capacidade da planta daninha em perpetuar a espécies e expandir sua população, isso se dá principalmente pela elevada produção de sementes, vários fluxos de emergência e resistência da daninha a herbicidas. Com isso em vista, a evolução territorial do A. hybridus em solo Argentino nos leva a um questionamento: no Brasil ocorrerá o mesmo?

Fica evidente a necessidade de rever algumas práticas de manejo e buscar alternativas que possibilitem o controle efetivo dessa planta daninha ainda em início de infestação, caso contrário, há boas chances do caruru vir a ser uma das principais ou se não a principal planta daninha em lavouras brasileiras nos próximos anos.

Referências:

AAPRESID. TOP 10 DE LAS MALEZAS DIFÍCELES QUE MAS AVANZARON, 2018. Disponível em: < https://www.aapresid.org.ar/blog/top-10-de-las-malezas-dificiles-que-mas-avanzaron/ >, acesso em: 12/02/2021.

AAPRESID-REM. MAPAS REM DE MALEZAS. Disponível em: < https://www.aapresid.org.ar/wp-content/mapa-de-malezas-comparacion-201320152017.html >, acesso em: 12/02/2021.

HEAP, I.  THE INTERNATIONAL HERBICIDE-RESISTANT WEED DATABASE. Disponível em: < http://weedscience.org/Pages/Species.aspx >, acesso em: 12/02/2021.

LORENZI, H. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO E CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS: PLANTIO DIRETO E CONVENSIONAL. Instituto Plantarum, ed. 7, 2014.

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