Mercado internacional: 

Os preços Spot, na Bolsa de Valores de Chicago em setembro, não conseguiram se manter acima de UScnts 900/bu e fecharam o mês em média no valor de UScents 876,53/bu, oscilando entre UScents 845,00/bu e UScents  internacionais tiveram uma pequenaalta de 2,4%, e, se comprados a setembro de 2018, os preços CBOT de setembro de 2019 estão, em média, 5% maiores

Os principais motivos dessa alta foram: compras feitas pela China de soja americana, expectativa de clima ruim na colheita americana de soja, redução da produção americana da safra 2019/20 e redução de estoque de passagem da safra 2019/20. O mercado espera novas reduções de estoques americanos ainda em outubro, e a expectativa de clima ruim, na época de colheita, devem dar sustentação aos preços internacionais. Além disso, apesar da improvável resolução da disputa comercial, os americanos devem fazer acordos bilaterais com a China para vender pequenas quantidades de soja, como tem ocorrido até o momento, e isso também deve dar sustentação aos preços CBOT, que devem ter força finalmente, mantendo-se acima de UScents 900/bu. Porém, cabe salientar, que qualquer mortificação nos fundamentos de mercados atuais podem trazer os preços internacionais para baixo, como exemplo, uma nova retaliação comercial entre Estados Unidos e China, aquecendo a competição comercial.

Mercado nacional

Com os preços internacionais abaixo de US$ 9,00/bu e com os prêmios de portos inferiores a UScents 100/ bu, os preços nacionais continuam a ter como suporte o dólar acima de R$ 4. Os prêmios de porto que no início de setembro estavam cotados no valor UScents 135/bu, finalizaram o mês no valor de UScents 95/bu e já estão cotados em UScents 88/bu no dia 4 de outubro. Também em setembro o dólar variou entre R$ 4,04 e R$ 4,18, é que mantiveram os preços nacionais em alta nos preços médios de R$ 74 a saca de 60 quilos.

A safra 2019/20 brasileira de soja em grãos foi estimada no valor de 120,40 milhões de toneladas, com um aumento de área de 1,9%, ficando em 36,57 milhões de hectares. Porém, esse número tem como base uma produtividade média estatística, portanto, há grandes chances que, caso não haja nenhum problema climático no decorrer do desenvolvimento da safra e colheita, o número de produção poderá ser maior. Esse aumento tímido de área de soja para a safra 2019/20 é decorrente da incerteza sobre a disputa comercial, dos baixos preços internacionais e, principalmente, elevado custo de produção, pois a rentabilidade financeira dos agricultores de soja tem baixado nos últimos anos e as aberturas de novas áreas, além de muito caras, têm produtividades menores que as áreas consolidadas.

Com os preços internacionais e prêmios de portos em baixa, tendo como suporte aos preços nacionais apenas o dólar, que também encarece o custo de produção, os agricultores estão mais cautelosos. Além disso, existe o risco de problemas climáticos no decorrer da safra. Assim, levando em consideração o número preliminar de 120,4 milhões de toneladas, as exportações foram calculadas em apenas 72 milhões de toneladas, podendo ter um aumento, a depender do quanto os americanos possam exportar e quanto de soja a China vai consumir. A demanda interna deve ter um aumento levando em consideração o crescimento de produção de carnes para exportação e, principalmente, ao aumento do percentual de biodiesel, passando de B11 para B12. Independentemente do valor da safra, não haverá um estoque de passagem alto e, principalmente, não haverá problemas de abastecimento interno para
soja em grãos, farelo e óleo de soja.

Os preços para a safra 2019/20 dependerá do andamento da safra brasileira, do valor do dólar frente ao real, prêmio de porto,os preços de fretes. Caso não haja nenhuma surpresa, os preços praticados internamente, em 2020, devem ficar um pouco maior que o praticado em 2019, pois há grandes possibilidades de um aumento de consumo/importação chinesa, redução de área planta e produção americana, culminando em um menor estoque de passagem deste país. Isso, caso não haja nenhuma surpresa na tratativa comercial entre americanos e chineses e excesso de oferta mundial de soja para a safra 2019/20.

Fonte: Boletim de Acompanhamento da Safra de Grãos, outubro de 2019.v 17, safra 19/20.

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