Este trabalho objetiva-se em fazer uso de modelagem matemática para permitir uma melhor visualização de oscilações em séries históricas, sendo esse, de fundamental importância para a tomada de decisões e observações de fatores que possam estar inferindo no aumento ou diminuição de índices produtivos ou de áreas para colheita, visto que essas variáveis poderão ser analisadas por sua taxa média de forma individualizada ou levando em consideração anos safras-¹ observados.

Autores: Rodrigo Batista Pinto¹; Deyvielen Maria Ramos Alves²; Deyviane Ramos Alves³;
Paulo Sergio Rodrigues de Lima4; Marcelo Laranjeira Pimentel²; Wanderson Cunha Pereira5

Introdução

Utilizado na alimentação, com grande importância econômica, é caracterizado por diversas formas de utilização, desde a alimentação animal à indústria de alta tecnologia. Devido seu potencial produtivo, composição química e valor nutricional, constitui-se uma das culturas mais importantes, mais cultivada e consumida em escala mundial (Porto, 2010; Arnuti et al., 2017). A importância do cultivo do milho, não está apenas em se produzir uma cultura anual, ou em fatores socioeconômicos, mas por possuir de maneira versátil, desdobramentos até para produção animal, destacando-se como um dos mais importantes produtos do setor agrícola nacional (Cruz et al., 2005).

No agronegócio brasileiro, a cadeia produtiva do milho é uma das mais importantes, considerando apenas a produção primeira, a qual corresponde por aproximadamente 40% da produção de grãos do país. Junto a soja, é o insumo básico para a produção de rações animais, na avicultura e suinocultura, mercados com extremas de competição a nível internacional e geradores de receita para o Brasil (Vale et al., 2015). Quase a totalidade, cerca de 90% dos produtores de milho no Brasil enquadra-se na agricultura familiar, que faz a utilização mínima de insumos externos e cultivo em condições climáticas que não sejam favoráveis para o bom desenvolvimento e altas produtividades da cultura (Duarte, 2010).

A adubação tem sido um viés de saída para o baixo rendimento da cultura do milho em minas gerais, esse rendimento reduzido deve-se principalmente ao índice tecnológico empregado na produção da cultura (Gomes et al., 2005). Na maioria das vezes em que se observa o comportamento de variáveis respostas de uma cultura, por meio de dados brutos disponibilizado em páginas governamentais ou não governamentais, é possível notar algumas disparidades quanto à realidade local, quer seja a nível nacional ou a nível municipal, pois se tem séries históricas que não permitem, por sua grandeza de quantidade numérica, a visualização de pequenas oscilações no decorrer de um ano/safra, tornando alterações expressivas em suavemente expressivas.

Por isso, este trabalho objetiva-se em fazer uso de modelagem matemática para permitir uma melhor visualização de oscilações em séries históricas, sendo esse, de fundamental importância para a tomada de decisões e observações de fatores que possam estar inferindo no aumento ou diminuição de índices produtivos ou de áreas para colheita, visto que essas variáveis poderão ser analisadas por sua taxa média de forma individualizada ou levando em consideração anos safras-¹ observados.

Material e Métodos

Para a realização do trabalho, utilizaram-se dados de séries temporais, totalizando 10 anos/safras, no quais, foram analisadas: produção e produtividade da cultura da soja na região norte do Brasil, por meio de dados obtidos no banco de dados de Produção Agrícola Municipal (PAM) disponível no sistema do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Analisaram-se os dados de produção e produtividade, por meio da taxa média empregada no software Microsoft Excel, considerando-se as variáveis respostas da cultura do milho. Utilizou-se também a variável área colhida, para tomada de discussões com os resultados das demais variáveis, pois os resultados de modelagem para a variável não foram significativos e quando comparados aos dados originais obtinham resultados bastante semelhantes, descartando, com isso, a possibilidade de analisá-lo de forma divergente. A fórmula da Taxa média, a modelagem matemática usada no trabalho, é dada
pela fórmula:

Em que,
∆x = intervalo entre os anos;
x0 = Ano estudado.
A modelagem matemática dá-se por três etapas: nas duas primeiras se calcula a taxa mais e a taxa menos, adequando a fórmula para a menor taxa, nessa, onde se lê ∆x, leia-se -∆x, após o cálculo das duas variáveis, na terceira e última etapa, calcula-se a média aritmética entre os valores encontrados, tendo-se a taxa final, que é a taxa média da variação para os anos estudados.

Resultados e Discussão

Conforme Figura 1A, observam-se algumas quedas de área colhida, consideradas de grande expressividade, estando estas nos anos de 2007, 2009, 2010 e 2013. Diferente desses anos, os anos de 2014 e 2015 apresentam-se de forma contínua para o crescimento de área colhida, segundo os dados do IBGE. Ao comparar-se a Figura 1A com a Figura 1B, têm-se que a produção (t) acompanha, quase que por totalidade as oscilações ocorridas na variável área colhida, sendo estritamente proporcional à mesma, quando analisada via dados brutos. A Figura 1C apresenta oscilações divergentes às áreas colhidas (ha) e a produção, obtendo apenas alguns pontos correlacionados, como a tendência de crescimento linear observada a partir de 2014 à 2015 e mostrando-se quase constante entre os anos de 2008 à 2010. Entretanto, para a variável produtividade a queda expressiva em 2010 nas demais variáveis, não afetou a produtividade nas lavouras de milho, conforme observado na Figura 1C, pelos dados do IBGE.

Figura 1. (A,B e C): Dados brutos do IBGE para as variáveis área colhida (ha), produção
(t) e produtividade.

Conforme a Figura 2 observa-se uma similaridade da taxa média obtida com os dados brutos do IBGE, entretanto, no ano de 2009 é possível notar uma queda, não observada nos dados brutos, seguida de um aumento de 2011. O ano de 2013 apresenta queda, assim como observada nos dados brutos, em todas as variáveis.

Figura 2. Taxa média para a variável produção da cultura do milho de 2005 a 2015.

Nota-se na Figura 3 oscilações bastante expressivas, durante os anos de 2005 a 2013, seguido de um crescente linear entre os anos de 2014 a 2015. Os anos que possuíram baixas produtividades, segundo os resultados da taxa média foram os anos de 2006, ano safra 2009/2010 e 2013. Os fatores que mais inferem na baixa produtividade em milhocultura, além de adubações insuficientes ou inadequadas, são os fenômenos climáticos extremos, estando relacionados principalmente à disponibilidade hídrica (Marengo et al., 2011). Acompanhando a produção de milho a produtividade em 2007 e 2011 apresentou grandes taxas, equivalente ao observado na variável produção, assim como os anos de 2014 e 2015 demonstram um crescente em ambas variáveis.

Figura 3. Taxa média para a variável produção da cultura do milho de 2005 a 2015.

Conclusão

As aplicações de modelagens matemáticas para explicar possíveis oscilações em variáveis respostas de cultura, como a cultura do milho, mostram-se imprescindíveis, pois facilitam a visualização de dados em escala temporal (série histórica) e não perdendo a visualização de quedas e aumentos condizentes com a realidade da cultura e das lavouras.


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Referências

ARNUTI, F. CECAGNO, D.; MARTINS, A. P.; BALERINI, F.; MEURER, E. J.; SILVA, P. R. F. da. Intensidade de irrigação e manejo da adubação nitrogenada de cobertura no milho em sistema de plantio direto consolidado. Colloquium Agrariae, v. 13, n.3. 2017, p.29-40. DOI: 10.5747/ca.2017.v13.n3.a171

CRUZ, J. C.; PEREIRA FILHO, I. A. Hora da escolha. Cultivar; Grandes Culturas, Pelotas, v. 7, n. 77, set. 2005. Milho. Caderno Técnico Cultivar, Pelotas, n. 77, p. 4-11, set. 2005. Encarte.

DUARTE, J. O.; CRUZ, J. C.; GARCIA, J. C.; MATTOSO, M. C. Economia da produção cultivo
de milho. Sete Lagoas, Embrapa Milho e Sorgo, 2010.

GOMES, J.A; SACAPIM, C. A.; DE LUCCA, B. A.; SOARES, P.F.V. SAGRILO, E.; F. M.Adubação orgânica e mineral, produtividade do milho e características físicas e químicas de um Argissolo Vermelho-Amarelo. Acta Scientiarum Biological Sciences, v.27, n.3, p.521-529, 2005.

MARENGO, J.A.; TOMASELLA, J. ; ALVES, L. ; SOARES, W.;;RODRIGUEZ, D.A. “The Drought
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PORTO, A. P. F. Cultivares de milho submetido a diferentes espaçamentos e manejos de capinas no planalto da conquista – BA. Dissertação. Vitória da conquista – BA. 2010.

Informações dos autores

¹ Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Santarém/PA.

² Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Santarém/PA.

³ Acadêmica do curso de bacharelado em Saúde, Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Santarém/PA.

Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Capitão Poço.

Docente da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Capitão Poço/PA.

Disponível em: Anais do II Congresso Online para Aumento de Produtividade do Milho e Soja (COMSOJA), Santa Maria, 2019.

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