Autores: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum e Jaciele Moreira.

As cotações do milho em Chicago voltaram a reagir um pouco durante a semana, apesar de o relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado no dia 12/05, ter sido amplamente baixista para o cereal. Assim, o fechamento desta quinta-feira (14) ficou em US$ 3,20, contra US$ 3,16 uma semana antes.

O relatório de oferta e demanda do USDA apontou o seguinte para o ano comercial 2020/21:

  1. A área semeada nos EUA seria de 39,2 milhões de hectares e a produtividade média esperada é de 11.204 quilos/hectare (186,7 sacos/ha);
  2. A produção de milho nos EUA atingiria a 406,3 milhões de toneladas, com um aumento de 59,3 milhões de toneladas sobre o ano anterior;
  3. Os estoques finais nos EUA somariam 84,3 milhões de toneladas, contra 53,3 milhões um ano antes;
  4. O preço médio aos produtores estadunidenses de milho, neste novo ano, ficaria em US$ 3,20/bushel, após US$ 3,60 um ano antes;
  5. A produção mundial de milho subiria para 1,187 bilhão de toneladas, adicionando 72 milhões de toneladas sobre o total do corrente ano comercial;
  6. Os estoques finais mundiais de milho chegariam a 340 milhões de toneladas, contra 315 milhões um ano antes;
  7. A produção do Brasil e da Argentina está projetada em 106 milhões e 50 milhões de toneladas respectivamente.

Dito isso, as vendas líquidas de milho estadunidense, na semana encerrada em 30/04, somaram 774.600 toneladas, representando um recuo de 36% sobre a média das quatro semanas anteriores.

Ao mesmo tempo, o plantio do milho avança celeremente nos EUA, atingindo a 67% da área até o dia 10 de maio, contra 56% na média histórica. O clima está normal, permitindo um plantio até mesmo precoce, o que tende a diminuir as perdas em caso de seca no auge do verão estadunidense.



Na Argentina e no Paraguai a tonelada FOB de milho fechou a semana em US$ 148,00 e US$ 112,50 respectivamente.

E no Brasil os preços continuaram com leve viés de baixa, sendo que o balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 44,17/saco, enquanto os lotes giraram entre R$ 46,50 e R$ 47,50/saco. Nas demais praças nacionais os lotes oscilaram entre R$ 35,00 em Sinop (MT) e R$ 50,00/saco na Mogiana paulista.

Dois elementos atuam sobre o mercado nacional neste momento: o clima na safrinha onde, além de geadas, já há regiões com falta de chuva e perdas nas lavouras (em São Paulo e no Norte do Paraná esta situação é mais evidente, embora a ocorrência de chuvas nesta última semana); e a intensa desvalorização do Real, a qual aumenta a competitividade do produto brasileiro na exportação. Em continuando assim, o viés de baixa tende a rapidamente ser revertido, mesmo com a entrada da safrinha a partir do final de junho. Neste momento, os preços nos portos giram entre R$ 49,00 e R$ 50,00/saco.

Diante disso, a BM&F continua precificando valores para julho bem abaixo do que está sendo indicado nos portos de embarque nacionais, acusando um descompasso entre o mercado bursátil e o físico. Algo que já ocorreu para o contrato de maio até o seu vencimento.

Dito isso, a colheita brasileira de milho de verão chegava a 88% da área no dia 08/05, contra 91% na média histórica. O grande atraso continua sendo em Minas Gerais e em Goiás/DF. (cf. Safras & Mercado)

Por outro lado, a comercialização da safrinha teria alcançado, no final da primeira semana de maio, a 36% do volume esperado, contra 30% um ano antes. O volume final foi revisto para baixo, ficando agora em 69,6 milhões de toneladas, contra 74,4 milhões no ano anterior. (cf. Safras & Mercado)

Enfim, a oferta e demanda brasileira de milho, no ano comercial 2020/21, indica uma produção total de 101,5 milhões de toneladas; uma demanda interna de 73,1 milhões de toneladas, sendo 64,8 milhões para a indústria de ração e 6,8 milhões para a fabricação de etanol; outras 30,4 milhões de toneladas deverão ser exportadas; ficando 9 milhões de toneladas em estoque final. Cerca de 12,2 milhões de toneladas serão transferidas entre Estados. (cf. Safras & Mercado)


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Fonte: Informativo CEEMA UNJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum (1) e de Jaciele Moreira (2).

1 – Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
2-  Analista do Laboratório de Economia da UNIJUI, bacharel em economia pela UNIJUÍ, Tecnóloga em Processos Gerenciais – UNIJUÍ e aluna do MBA – Finanças e Mercados de Capitais – UNIJUÍ e ADM – Administração UNIJUÍ

Texto originalmente publicado em:
CEEMA
Autor: CEEMA Unijui

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