Entre 1985 e 2014, a área com soja na Argentina aumentou seis vezes e passou de três para 19 milhões de hectares, com um rendimento de 1.988 a 2.774 quilos por hectare. Para analisar o progresso das cultivares nacionais na Argentina, os técnicos do INTA e PROSOJA estudaram o ganho genético em produtividade, óleo e proteína das principais variedades liberadas de 1980 até o presente. Uma prévia do que será exibido em Mercosoja nos dias 4 e 5 de setembro em Rosário.

Segundo Diego Santos – especialista em ecofisiologia vegetal no INTA Paraná, Entre Ríos, e membro do grupo PROSOJA – “Nos últimos 30 anos, houve um claro e significativo ganho genético nos grupos de maturidade (GMs) 3 , 4, 6 e 8”.

Nessa linha, ele apontou que “em 78% dos aumentos de desempenho nacional entre 1984 e 2015 se deve ao aprimoramento genético, dados que excedem a média histórica mundial são de 50%”. Os 22% restantes foram resultado de manejo por produtores e interação genética por agronomia.

Por sua vez, ele indicou que a taxa média de ganho genético era de 19,2 quilos por hectare por ano e acrescentou que, em média, a concentração de óleo cresceu e a de proteína diminuiu, com base no aprimoramento genético.

Maricel Gallardo – especialista do INTA Paraná, Entre Ríos – disse que “essas mudanças de qualidade foram mais acentuadas nos grupos de maturidade posteriores, especialmente no grupo VI, e menos evidentes nos grupos mais antigos”.

Do estudo, também emergiu que o ganho mínimo foi encontrado no GM5 com 8,2 quilos por hectare, enquanto o máximo foi no GMs 3 e 6 com 30,2 e 29,7 kg ha-1 a-1, respectivamente. Por sua vez, a análise mostra que de 2014 a 2016, na Argentina, o GM 4 foi o mais semeado com 37,3% da área ocupada, enquanto os GM 5 e 3 cobriram 27,0 e 16,7 %, respectivamente.

Em relação à contribuição do INTA no melhoramento genético, o especialista do Paraná não hesitou em destacar seu papel preponderante por meio de seu programa específico, a partir do qual busca desenvolver cultivares com qualidade específica de grão e resistência a doenças e insetos, a fim de evitar ou reduzir à aplicação de produtos fitossanitários.

Com relação à clara expansão do cultivo de soja na Argentina entre 1985 e 2014, Santos explicou que “é um produto com uma notável simplicidade de implementação, boa tolerância e rusticidade que tem o que permite, ao contrário de outras gramíneas, que mesmo em situações difíceis, produz grãos. ” Além disso, ele reconheceu que “a soja é um grão de marketing imediato e garantido”.

De qualquer forma, ele reconheceu que “hoje tudo está mudando e, por três anos, o ritmo de expansão da soja diminuiu em favor de outras culturas e pastagens”.

Os resultados surgem de uma rede nacional de testes comparativos de produtividade de cultivares comerciais de soja, realizados em 16 localidades, de Tucumán a Buenos Aires.

Uma rede federal de testes

Os resultados resultam de uma rede nacional de testes comparativos de desempenho de cultivares comerciais de soja, realizados por especialistas do INTA e do grupo PROSOJA em 16 localidades que vão de Tucumán, com grupos de maturidade tardia, ao sul de Buenos Aires, com grupos iniciais.

“O particular desses ensaios é que, cada um deles reuniu variedades de soja do mesmo grupo de maturidade, mas de antiguidade diferente. Todos eles, lançados de 1980 até o presente ”, afirmou Santos. Além disso, ele acrescentou que os testes de medição de desempenho foram repetidos em seis campanhas e, nas três últimas, proteínas e óleo também foram medidos.

Com relação à articulação com o PROSOJA, Santos não hesitou em garantir que “essas iniciativas público-privadas enquadradas em associações livres pelo cultivo aprimorem o trabalho de pesquisa e nos permitam trabalhar com verdadeira sinergia”.

Por sua vez, o especialista reconheceu que existem muitas variedades de soja com uma renovação muito alta a cada ano e, dependendo da duração do ciclo, os dias da semeadura à colheita são classificados em grupos de maturidade (GM).

GM 3 são as mais antigas, ciclo curto e recomendação adaptação e sul do país, onde os verões em termos de temperatura são mais curtos e sul Buenos Aires para o Rio Vale Preto da Baixa. 

No outro extremo, encontra-se o longo ciclo GM 8 e são adaptados e recomendados para o norte do país, como Chaco, Santiago del Estero e Tucumán. Lá, em termos de temperatura, as estações de crescimento do verão são longas e dificilmente congelam. No centro estão todos os outros: GMs 4, 5, 6 e 7.

“Quase toda a região semeia principalmente GMs 4 e 5”, disse Santos, observando que, entre os GMs 4, na época, DM4800 RR de Don Mario, aos 5 anos, o NA 5009 RG de Nidera , enquanto em 6 o A 6001 RG e o A 6401 RG, também de Nidera e reconhecido por ser o primeiro resistente a glifosato no país e no mundo, lançado no mercado em 1996.

Fonte: Adaptada de INTA – Informa

Texto originalmente publicado em:
INTA Informa
Autor: INTA

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