Autores: Maurício Siqueira dos Santos¹; Luiz Eduardo Braga², Eduardo Argenta Steinhaus³, Luiz Francisco Warpechowski4, Juliano Ricardo Farias5 e Marcelo Gripa Madalosso6.

Introdução 

Um dos principais grãos da agricultura moderna e uma das principais commodities produzidas, a soja (Glycine max (L.) Merrill) desempenha papel fundamental na economia de alguns países, segundo Blanc & Vaz Júnior (2017) é uma das principais fontes para a alimentação animal, e também serve como matéria prima para a alimentação humana. No Brasil, a crescente expansão populacional demonstra a necessidade de elevar as produtividades buscando alternativas que possibilitem essa elevação. Embora na safra passada menores produtividades tenham sido observadas nas regiões Sul do Brasil, mais especificamente no Rio Grande do Sul em decorrência das condições climáticas desfavoráveis, a Conab estimou um aumento da produção de soja brasileira de aproximadamente 4,6% em relação ao ano anterior (safra 2018/19).

A busca pela sustentabilidade do cultivo aliada a altas produtividade é cada vez mais constante na sojicultora brasileira, segundo Moreira et al. (2017), uma das ferramentas que possibilitou o aumento da sustentabilidade do cultivo foi a implantação do sistema plantio direto (SPD), trazendo inúmeros benefícios ao sistema produtivo. Entretanto, assim como a busca pela sustentabilidade do cultivo é fundamental a busca do aumento da produtividade da lavoura, sendo uma das ferramentas para isso, a escolha e posicionamento de cultivares mais produtivas.

Sendo assim, o objetivo desse trabalho foi avaliar a produtividade média de cultivares de soja cultivadas em Santo Ângelo, Rio Grande do Sul.

Material e Métodos 

O experimento foi conduzido na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI, Campus Santo Ângelo, coordenadas geográficas 28° 16’ 37,26’’ Sul e 54° 16’ 14,40’’ Oeste, com altitude média em relação ao nível do mar de 277m. Conforme Hüller et al. (2011), o clima segundo a classificação climática de Köppen é subtropical úmido do tipo Cfa, com temperaturas médias anuais de 21,8 °C e precipitação média anual acumulada de 1734,5 mm. O solo predominante da região é classificado como Latossolo Vermelho Distrófico Típico (Streck et al., 2002).

O experimento foi conduzido em faixa, com quatro repetições para cada tratamento, as parcelas apresentavam dimensões de 5 x 3,15 (comprimento e largura respectivamente). A soja foi semeada no dia 13 de novembro de 2019, a densidade utilizada foi de 15 sementes por metro, para a adubação de base foram utilizados 330 kg.ha-1 do fertilizante formulada 02-23-23. O espaçamento entre linhas utilizado para o cultivo da soja foi de 0,45m, foram semeadas 7 linhas por parcelas. Para compor a amostra da parcela foram colhidas as 5 linhas centrais, desprezando as bordaduras, sendo assim a área útil de cada parcela foi de 6,75m².

A soja foi cultivada em sistema de sequeiro, as precipitações médias durante o período de condução do experimento podem ser observadas na figura 1. A colheita foi realizada dia 30 de marco de 2020, após esta, o material foi avaliado, os resultados tabulados e posteriormente realizada a o teste de médias a 5% de probabilidade de erro.

Para compor os tratamentos foram utilizadas 23 cultivares de soja as quais estão apresentadas na tabela 1. O manejo fitossanitário adotado para ambas as cultivares seguiu as recomendações técnicas para a cultura.

Resultados e Discussão

Dentre os 23 materiais avaliados, a cultivar que se mostrou mais produtiva nas condições do presente estudo foi a cultivar CZ15B70 IPRO, com produtividade média de 2.585,45 kg.ha-1, já a cultivar menos produtiva foi a NA 4823, com produtividade média de 562,60 kg.ha-1. Mais de 70% das cultivares aqui estudadas apresentaram produtividades médias inferiores a 2.000,00 kg.ha-1, fato que pode ser atribuído as baixas precipitações durante a condução do experimento proporcionando condições desfavoráveis para crescimento e desenvolvimento da soja. As produtividades médias das 23 cultivares testadas no presente estudo podem ser observadas na tabela 1.

Conclusão 

Com base nos aspectos observados, pode-se concluir que ambas as cultivares de soja aqui testadas tiveram suas produtividades prejudicadas pelos períodos de baixa precipitação na safra 2016/20.

Referências 

BLANC, R. B.; VAZ JÚNIOR, C. Avaliação de produtividade de cultivares de soja em Pinhão –PR. TECH & CAMPO, Guarapuava, 1: 77-89, 2018.

CONAB. Levantamento de grãos confirma produção acima de 250 milhões de toneladas na safra 2019/2020. Companhia Nacional de Abastecimento, disponível em: <https://www.conab.gov.br/ultimas-noticias/3371-levantamento-de-graos-confirma-producaoacima-de-250-milhoes-de-toneladas-na-safra-2019-2020>, acesso em: 07/08/2020.

HÜLLER, A.; RAUBER, A.; WOLSKI, M. S.; ALMEIDA, N. L.; WOLSKI, S. R. S. Estrutura fitossocioecológica da vegetação arbórea do parque natural municipal de Santo Ângelo, Santo Ângelo, RS. Ciência Florestal, Santa Maria, 21: 629-639, 2011. MOREIRA, S. D.; TOMAZ, R. S.; LIMA, R. C. Avaliação de produtividade da cultura da soja semeado sobre três cultivares de Urochloa sp. em SPD e sistema convencional. Fórum Ambiental de Alta Paulista, 13: 100-110, 2017.

STRECK, E. V. et al. Solos do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, 2002. 107 p.

Informações sobre os autores: 

  • ¹ Mestrando do programa de pós-graduação em Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria/RS. E-mail: mauricios.agronomia@gmail.com
  • ² Estudante do curso de agronomia URI Campus Santo Ângelo e membro do grupo de proteção de plantas URI Santo Ângelo, Santo Ângelo/RS. E-mail: luizbragalb@hotmail.com
  • ³ Estudante do curso de agronomia URI Campus Santo Ângelo e membro do grupo de proteção de plantas URI Santo Ângelo, Santo Ângelo/RS. E-mail: eduardosteinhaus@outlook.com
  • 4 Estudante do curso de agronomia URI Campus Santo Ângelo e membro do grupo de proteção de plantas URI Santo Ângelo, Santo Ângelo/RS. E-mail: warpeagro@gmail.com
  • 5 Professor Dr. em entomologia URI Campus Santo Ângelo e coordenador do Grupo de Proteção de Plantas URI Santo Ângelo, Santo Ângelo/RS. E-mail: julianofarias@gmail.com
  • 6 Professor Dr. em fitopatologia URI Campus Santo Ângelo e coordenador do grupo de proteção de plantas URI Santo Ângelo. E-mail: madalossomg@gmail.com

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