O manejo de pragas, doenças e plantas daninhas é indispensável no cultivo da soja visando reduzir a interferência desses agentes no crescimento e desenvolvimento da cultura e evitar perdas significativas na qualidade e quantidade dos grãos.

A área foliar da soja está diretamente relacionada com a fotossíntese realizada pela planta, refletindo na produção de fotoassimilados, os quais serão destinados as exigências metabólicas da planta e acúmulo de matéria seca. Contudo, o acúmulo de matéria seca na soja não é uma função linear, sendo maior no período reprodutivo da cultura em virtude da formação e enchimento dos grãos.

Figura 1. Marcha de acúmulo de nutrientes e matéria seca na cultura da soja.

Fonte: Embrapa – Radar da Tecnologia Soja.

Pragas como lagartas desfolhadoras podem causar redução significativa na área foliar fotossinteticamente ativa da soja, refletindo em menor produção de fotoassimilados e menor acúmulo de matéria seca. Tendo em vista a capacidade dessas pragas em causar injurias, o monitoramento e controle dessas é fundamental para reduzir as perdas de produtividade.



Segundo Hoffmann-Campo et al. (2000), com a adoção do MIP – Manejo Integrado de Pragas, uma enorme quantidade de produtos químicos deixou de ser empregada e/ou passou a ser utilizada de forma mais consciente no controle de pragas na cultura da soja. Um dos critérios que contribuiu para a redução dos custos de produção e menor utilização de inseticidas no MIP foi o uso do Nível de Ação (NA) para determinar o início do controle das pragas.

Mas quais os níveis de ação para iniciar o controle de pragas como lagartas desfolhadoras?

Segundo Bueno et al. (2010), para a cultura da soja recomenda-se o nível de ação de 30% de desfolha no período vegetativo da cultura e 15% no período reprodutivo da soja. Quando relacionado o NA ao número de insetos, os autores recomendam o início do controle quando forem observadas 20 lagartas grandes por metro de fileira de soja.

Figura 2. Exemplo da evolução da desfolha ao longo do ciclo da soja com a indicação do momento correto para realização do controle (Bueno et al., 2010).

Fonte: Bueno et al. (2010).

A maior susceptibilidade da soja á desfolha no período reprodutivo da cultura, também foi observada por Martins (2019), corroborando as afirmações de Bueno et al. (2010). Sendo assim é possível afirmar que maiores cuidados devem ser tomados para evitar a desfolha nos períodos reprodutivos da soja.

Embora os Níveis de ação apresentados por Bueno et al. (2010) pareçam um tanto quanto elevados num primeiro momento, avaliando “Diferentes níveis de desfolha nos componentes de produção da soja”, Alves; Bellettini; Bellettini (2020) observaram que independente do período de ocorrência da desfolha (vegetativo ou reprodutivo), considerando os níveis de desfolha avaliados de 16,7% e 33,3%, não ouve diferença significativa na produtividade da soja.

Veja também: Atenção para lagartas e corós nos estádios iniciais do desenvolvimento da soja

O fato pode estar relacionado com a capacidade compensativa da soja e a possibilidade de desenvolvimento de brotações em gemas axilares, possibilitando com que a planta consiga se recuperar de injúrias foliares. Sendo assim, os níveis de ação apresentados por Bueno et al. (2010) ainda se mostram eficientes na determinação do início do controle de lagartas desfolhadores, sendo uma interessante ferramenta para utilização no MIP.

Confira o trabalho realizado por Alves; Bellettini; Bellettini (2020) clicando aqui!

Referências:

ALVES, G. H. T.; BELLETTINI, S.; BELLETTINI, N. M. T. DIFERENTES NÍVEIS DE DESFOLHA ARTIFICIAL NOS COMPONENTES DE PRODUTIVIDADE DA SOJA. Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 9, p. 64799-64815, sep. 2020.

BUENO, A. F. et al. NÍVEIS DE DESFOLHA TOLERADOS NA CULTURA DA SOJA SEM A OCORRÊNCIA DE PREJUÍZOS À PRODUTIVIDADE. Embrapa, Circular Técnica, n. 79, 2010.

HOFFMANN-CAMPO, C. B. et al. PRAGAS DA SOJA NO BRASIL E SEU MANEJO INTEGRADO. Embrapa, Circular Técnica, n. 30, 2000.

MARTINS C. L. EFEITO DA DESFOLHA NA CULTURA DA SOJA NA MICRORREGIÃO DE PARAGOMINAS, ESTADO DO PARÁ. Universidade Federal Rural da Amazônia, 2019.

 

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