Um dos principais fatores limitantes da produtividade de uma cultura é a nutrição das plantas. Para o cultivo do trigo não é diferente e além da importância da nutrição de plantas, outros fares tornam ainda mais complexo o cultivo do trigo e exemplo dos manejos fitossanitários e manejo da fertilidade do solo, fato que demanda cada vez mais técnica e perícia do agricultor para a produção da cultura.

Um dos nutrientes mais exigidos pela cultura é o Nitrogênio, sendo necessários cerca de 27 kg de Nitrogênio para cada Tonelada de grãos produzida (figura 1).

Figura 1. Quantidades extraídas e exportadas de nutrientes para a produção de uma tonelada de grãos de trigo.

Adaptado: Equipe Mosaic.

Em Live no Canal do Mais Soja o Prof. Doutor Thomas Martin aborda o tema “Pilares da inoculação no Trigo” chamando atenção para alguns aspectos interessantes no manejo da produção tritícola. Segundo Thomas, cerca de 27 kg de Nitrogênio são necessários para a produção de uma tonelada de grãos. Parece pouco, contudo quando convertido o valor para quilogramas de ureia e para uma produtividade média de 5 t.ha o investimento necessário em adubação nitrogenada para a cultura representa um custo médio de R$ 486,08 em ureia quando considerados valores médios de R$80,00 a saca de ureia (figura 1).

Figura 1. Custo médio aproximado da adubação nitrogenada com ureia para a produtividade média de 5 t.ha-1.

Contudo, apesar da adubação nitrogenada representar elevado custo de produção para o sistema, é fundamental dar aporte nutricional para que as plantas de trigo possam expressar seus potenciais produtivos. Thomas explica que ainda que feita a adubação correta, nem todo o nitrogênio posto no sistema é absorvido pelas plantas; segundo ele, e eficiência da adubação nitrogenada com ureia gira em torno de 50%, ou seja, parte do Nitrogênio é perdido por lixiviação, escoamento entre outras fontes de perda.

Apesar do elevado custo que a adubação nitrogenada representa ao cultivo do trigo, é fundamental trabalhar com a adubação de cobertura, visto que segundo DA SILVA et al. (2014) a cultura apresenta respostas positivas ao incremento da produtividade quando trabalhadas doses de nitrogênio até próximas a 120 kg.ha-1 (figura 2).

Figura 2. Resposta da produtividade do trigo em função de diferentes doses da adubação nitrogenada em cobertura para trigo cultivado em 2006 e 2007.

Adaptado: DA SILVA et al. (2014).

Além disso, o aporte nutricional com nitrogênio, conforme observado por PINNOW et al. (2013) contribui para a melhora de características qualitativas do trigo para a panificação, além de contribuir para o aumento da produtividade.

Já que o Nitrogênio é indispensável para o cultivo do trigo, Thomas traz uma alternativa interessante para diminuir os custos com adubação nitrogenada e aumentar a produtividade do trigo, trata-se da inoculação com Azospirillum brasilense.

A técnica é semente a inoculação da soja com Bradyrhizobium, contudo no caso do trigo a relação entre a planta e a bactéria é uma associação. Segundo HUNGRIA (2011), essa associação promove maior crescimento radicular de gramíneas além de aumento na produtividade das mesmas. Uma técnica simples, porém com muito potencial para auxiliar na diminuição de custos na adubação nitrogenada do trigo.

Veja também: Vigor de sementes –  um ponto importante também para o trigo 

Contudo, Thomas destaca que é importante fornecer condições adequadas para que a associação entre a planta e as bactérias ocorra. Ele exemplifica demonstrando o tamanho da bactéria e a distância necessária que a bactéria precisa percorrer para alcançar a semente de trigo.  Dados relativamente pequenos, mas que quando convertido o tamanho da bactéria para um carro popular e a distância necessária a ser percorrida em quilômetros, os valores tornam-se absurdos. Dessa forma Martin enfatiza a importância da colocação da bactéria perto das sementes e a melhor forma de faze-la é a partir de uma adequada inoculação.

Figura 3.  Representação esquemática da distância necessária que uma bactéria precisa percorrer para alcançar a semente de trigo quando afastada a um centímetro.

Thomas vai além, segundo o professor, “quanto menor a quantidade de nitrogênio disponível no sistema, maior a participação do Azospirillum”.  Na figura 4, é possível visualizar os dados obtidos através de pesquisas do Grupo de Pesquisas Coxilha, da UFSM, o qual Thomas é coordenador.

Conforme os dados observados, com a aplicação foliar de Azospirillum diferenças significativas de até 704 kg de produtividade são observadas, contudo Thomas reitera que quando menor a disponibilidade de nitrogênio maior a participação do Azospirillum e que o sucesso da sua utilização depende de uma séries de fatores como manejo, condições de uso e aplicação entre outros.

Figura 4. Desempenho de duas cultivares de trigo quando aplicado Azospirillum brasilense via foliar em cultivos com dose de 0 e 70 kg de nitrogênio por hectares.

Conforme recomendação de Martin, a aplicação foliar de Azospirillum brasilense deve ser realizada de forma isolada (sem a mistura de outros produtos) e preferencialmente no afilhamento do trigo.


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Referências:

DA SILVA, A. A. V. et al. ESTIMATIVA DA PRODUTIVIDADE DE TRIGO EM FUNÇÃO DA ADUBAÇÃO NITROGENADA UTILIZANDO MODELAGEM NEURO FUZZY. R. Bras. Eng. Agríc. Ambiental, v.18, n.2, p.180–187, 2014.

HUNGRIA, M. INOCULAÇÃO COM AZOSPIRILLUM BRASILENSE: INOVAÇÃO EM RENDIMENTO A BAIXO CUSTO. Embrapa, Documentos, n. 325, 2011.

PINNOW, C. et al. QUALIDADE INDUSTRIAL DO TRIGO EM RESPOSTA À ADUBAÇÃO VERDE E DOSES DE NITROGÊNIO. Bragantia, Campinas, 2013.

TABELA DE EXTRAÇÃO E EXPORTAÇÃO DOS NUTRIENTES NA CULTURA DO TRIGO. Equipe Mosaic. Disponível em: < https://www.nutricaodesafras.com.br/tabela-de-extracao-e-exportacao-dos-nutrientes-na-cultura-do-trigo/>, acesso em: 20/05/2020.

Sobre o autor: Maurício Siqueira dos Santos, Engenheiro Agrônomo formado pela UFSM. Atualmente Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola da UFSM e Integrante da Equipe Mais Soja.

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