A lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda) acomete culturas como soja e milho, entre outras de interesse econômico, e é considerada uma praga de difícil controle em virtude de suas características comportamentais e casos de tolerância ou resistência a determinados inseticidas.

Embora o emprego de inseticidas químicos ainda seja a forma mais usual para controle dessa praga em grandes culturas, medidas de manejo complementares devem ser utilizadas de forma integrada para melhorar e eficiência de controle da lagarta-do-cartucho e reduzir a possibilidade da ocorrência de novos casos de resistência a inseticidas.

Uma das estratégias viáveis, é a utilização do controle biológico, onde microrganismos, a exemplo do Baculovirus atuam diretamente no controla da lagarta-do-cartucho. Embora o uso do Baculovirus não seja nenhuma novidade na agricultura, novas biotecnologias visando potencializar a ação desse microrganismo no controle da lagarta-do-cartucho vêm sendo desenvolvidas.

Uma dessas biotecnologias é o Baculomip SF, que é um inseticida microbiológico composto pelo vírus entomopatogênico Baculovirus spodoptera multiple nucleopolyhedrovirus (SfMNPV), desenvolvido por meio de uma parceria público-privada formada entre a Embrapa e a empresa Promip (Embrapa, 2021). Baculomip SF é altamente eficaz no controle exclusivo da lagarta-do-cartucho e por ser natural, não deixa resíduos na cultura, não causa danos ao meio ambiente e ao aplicador e ainda contribui para a redução da aplicação de defensivos químicos (Promip).



Contudo, alguns cuidados necessitam ser tomados a fim de garantir a melhor eficiência no controle da lagarta-do-cartucho, sendo necessário que a primeira aplicação deva ocorrer ainda nos primeiros sinais de ataque da lagarta na lavoura, o pH da calda deve estar entre 3 e 8 e as aplicações devem ser realizadas preferencialmente à tardinha ou a noite, não sendo recomendada a aplicação nos horários mais quentes do dia.

Além disso, por ser necessário a ingestão do produto pela lagarta para que ocorra a morte dela, a tecnologia de aplicação é de suma importância para a boa eficácia de controle, sendo necessário a boa cobertura da planta. Após a ingestão do Baculomip SF aplicado no campo, a lagarta demora em torno de 5 dias para morrer, porém a partir de 48 horas ela diminui a alimentação e altera o comportamento e a sua coloração (Promip). O inseto necessita raspar a planta para se tornar infectado, e, quando isso ocorre, a lagarta reduz sua alimentação em até 93% (Embrapa, 2021).


Veja mais: Danos e monitoramento de lagartas em milho


Tendo em vista os aspectos observados, o Baculomip SF pode ser considerado uma promissora ferramenta para uso no manejo integrado da lagarta-do-cartucho em culturas agrícolas como soja e milho, contribuindo para o manejo da resistência da praga e maior sustentabilidade das culturas.

Confira o vídeo abaixo.


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Referências:

EMBRAPA. NOTÍCIAS: NOVO BIOINSETICIDA USA MICRORGANISMO COM ALTA EFICIÊNCIA NO CONTROLE DA LAGARTA-DO-CARTUCHO, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/65539256/novo-bioinseticida-usa-microrganismo-com-alta-eficiencia-no-controle-da-lagarta-do-cartucho >, acesso em: 20/10/2021.

PROMIP. BACULOMIP SF, EXTREMAMENTE EFICAZ NO COMBATE À LAGARTA-DO-CARTUCHO. Disponível em: < https://promip.agr.br/baculomip-sf/ >, acesso em: 20/10/2021.

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