Por Elmar Luiz Floss- Diretor do Instituto INCIA

A safra de soja 2019/2020, tem sofrido com efeitos climáticos adversos, em várias regiões do Brasil. A partir do oeste do Paraná, até o Centro-Oeste e Matopiba, houve um atraso nas chuvas, retardando a implantação da cultura da soja e, em algumas regiões, comprometendo o cultivo do milho em sucessão. O mesmo ocorreu na região norte do Paraguai. Com as primeiras as primeiras chuvas, e, considerando o atraso na semeadura muitos agricultores, fizeram a semeadura em solos secos (“plantio no pó”). E, a emergência não ocorreu ou foi muito baixa.

No Sul do Brasil, as chuvas em excesso no mês de novembro, também atrasaram a semeadura. E, em muitos casos, a semeadura foi realizada com umidade excessiva no solo, e, a emergência foi menor que o ideal.

Nas duas situações, por falta ou por excesso de chuva, a população de plantas de soja não é a ideal. Em muitos casos, foi realizado replantio, e, ainda assim, a população final está abaixo do ideal. Em muitos casos, não há mais tempo para nova semeadura.

A demanda por informações dos produtores é grande, sobre práticas de manejo que possam promover o desenvolvimento maior dessas plantas emergidas, fechando melhor as linhas ( melhor aproveitamento da luz solar) e através de ramificação lateral, aumentar o número de legumes/vagens por plantas.

O processo da ramificação

Na maioria das cultivares de soja cultivadas no Brasil, o número de legumes/vagens, principal componente de rendimento da cultura, depende da ramificação lateral. Quanto mais cedo a planta ramificar, maior o número de axilas por ramo e maior é o rendimento.

As ramificações podem ser formadas nos nós do pecíolo das folhas cotiledonares, unifolioladas e trifolioladas, iniciando a partir dos estádios V3 até o estádio V6. Essa indução, ocorre, quando o teor do hormônio citocinina (produzida nas raízes) no nó, for maior do que a concentração de auxinas (produzidas pelas folhas). Por isso há uma correlação positiva entre número de raízes (síntese de citocininas) e a emissão maior e mais cedo de ramificações laterais, especialmente, dos cultivares de hábito de crescimento indeterminado.

No entanto, com as condições inadequadas na semeadura, as plantas emergidas tem menor vigor, e, por consequência apresentam um menor crescimento de raízes, limitando  a eficiência na absorção de água e nutrientes, bem como a síntese das citocinas.



Como aumentar a ramificação lateral?

Para minimizar os problemas da baixa população de plantas de soja, podem ser utilizadas algumas práticas de manejo, para estimular o desenvolvimento de maior número de ramos laterais e seu crescimento.

Aplicação de bio reguladores/ bio estimulantes

A aplicação de bio reguladores vegetais (sintéticos ou naturais), com concentração maior de citocininas do que de auxinas, no estádio V3 a V6( juntamente com a aplicação de herbicidas ou a primeira aplicação de fungicida), estimula a ramificação lateral. Como para quebrar a dominância apical, gerada pela produção de auxinas pelas folhas, inibe a ramificação lateral, é de fundamental importância que os bio reguladores apresentam concentração maior de citocininas do que de auxinas. Os extratos de algas, apresentam hormônios, porém em concentrações baixas, bem como de aminoácidos precursores de hormônios (triptofano, arginina e lisina).

Aplicação complementar de molibdênio (Mo) e cobalto (Co)

o Mo e o Co exercem um papel essencial na fixação biológica de N, o nutriente mais extraído (80-84 kg.t-1) pela planta de soja (aproximadamente 5% da biomassa seca total). O Mo também é importante na redução do nitrato absorvido do solo, com o cofator da enzima nitrato redutases.

Com maior disponibilidade de N aumenta a taxa de crescimento das plantas e das ramificações laterais, pois é constituinte da clorofila (acelera a fotossíntese), DNA/RNA ( acelera o crescimento), aminoácidos/proteínas (especialmente, a síntese de enzimas), hormônios (citocinas), dentre outros compostos nitrogenados essenciais da célula

Aplicação de fósforo

A aplicação de fósforo (P) líquido (ácido fosfórico ou MAP purificado). O P também é importante na síntese de fosfolipídios, constituintes das membranas celulares e dessa forma acelera o crescimento.

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