No mundo de inovações tecnológicas, a calagem é uma das normas mais importantes da agricultura e o calcário agrícola é um insumo fundamental para grandes rendimentos nas plantações, porém, ainda hoje os agricultores possuem dúvidas sobre a calagem a partir do calcário agrícola.

Por isso, vamos ressaltar aqui alguns pontos fundamentais para entendermos melhor como o calcário funciona e quais as suas principais funções.


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O que é o calcário agrícola e quais as suas aplicações?

O calcário agrícola é um produto decorrente da fina moagem da rocha calcária. É necessariamente formado por carbonato de cálcio ou carbonato de cálcio de magnésio. Os solos brasileiros geralmente são muitos ácidos, por isso, é recomendado a execução da calagem.

A calagem, a partir do calcário agrícola tem objetivos fundamentais como extinguir decorrências tóxicas do alumínio, proporcionar no solo teores ideais de cálcio e magnésio, diminuir efeitos tóxicos do manganês e o mais imprescindível, adequar o pH da solução do solo, para que os nutrientes se tornem assimiláveis pelas raízes de diversas culturas.

Além das ativações dos procedimentos biológicos nos solos através das ações dos micro-organismos, necessários para a acessibilidade dos nutrientes e também no favorecimento a decomposição da matéria orgânica. Um bom calcário agrícola tem suas ações sobre a solução dos solos de forma imediata, sendo que aos 3 meses seu efeito é total na correção.


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Outros benefícios do calcário agrícola:

Fora a questão da correção do solo existem outros benefícios que devem ser mencionados entre eles estão:

  • Diminuição da implicação tóxica do Alumínio (Al);
  • Diminuição da retenção do Fósforo (P);
  • Aumento da disponibilidade do Nitrogênio (N), Fósforo (P), Potássio (K), Cálcio (Ca), Magnésio (MG), Enxofre (S) e Molibdênio (Mo) no solo;
  • Aumento da ação dos fertilizantes impedindo seu desperdício;
  • Aumento da firmeza dos tecidos às agressões externas como pragas e ventos, através do cálcio viabilizado pelo calcário que entra na composição das células das plantas;
  • Aumento da performance microbiana e a saída de nutrientes pela decomposição da matéria orgânica;
  • Melhoramento dos atributos físicos do solo, gerando melhor aeração e circulação de água;
  • Aumento da evolução radicular, fazendo com que as plantas desfrutem os nutrientes de um volume maior de solo e as torna mais resistentes à falta de chuvas;
  • Aumento da produtividade das culturas pelo resultado de um ou mais benefícios citados anteriormente.

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 Acidez no solo

A acidez no solo é definida como a concentração de íons H+ contidos na solução do solo. Acidez no solo é um identificador de falta de nutrientes.

As razões mais comuns da acidez são a saída de nutrientes pelas raízes das plantas, a erosão do solo e ainda o emprego de fertilizantes acidificantes.

As consequências da acidez do solo, além da carência de nutrientes, produzem o surgimento de espécies tóxicas tais como; Alumínio, Ferro, Manganês, ainda reduzindo a força da sucção de água e das adubações nitrogenada e fosfatada, amplificando os custos com insumos e diminuindo a produtividade.



Pensando nisso, na terceira temporada do Dicas Mais Soja, a Dr. Amanda Posselt, da UFRGS, comentou a respeito das funções que o calcário possui, bem como a época de aplicação e os cuidados que devem ser tomados com esse elemento fundamental para a agricultura.

Amanda ressaltou que o calcário, além de ser um corretivo de acidez do solo, por liberar hidroxilas neutralizando o hidrogênio, principalmente aquele que é oriundo da hidrólise do alumínio, que é o grande vilão do solo, ele também funciona como um adubo, fornecendo Cálcio e Magnésio, principalmente o calcário dolomítico, que possui esses dois nutrientes para o solo.

Em relação a época de aplicação, Amanda ressalta que temos que ter em consideração que esse insumo não é muito solúvel, levando um tempo médio de três meses para se dissolver completamente no solo.



Dessa forma, podemos considerar que um calcário com PRNT de 70%, em três meses 70% dele estará dissolvido no solo onde foi aplicado.

Amanda cita também que deve-se ter um certo cuidado em relação à aplicação, quando for realizada superficialmente e em altas quantidades, porque isso pode vir a prejudicar a planta que irá se estabelecer logo em seguida, principalmente em plântulas onde o pH do solo estiver mais alto, pode ocorrer deficiência de micronutrientes.

Para ouvir a conversa do pesquisador com o Mais Soja, assista o vídeo abaixo.



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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