1- Como ocorre a infecção do milho com molicutes?

Alimentando-se da seiva de uma planta de milho doente, a cigarrinha adquire os molicutes (apenas um, ou ambos), que então se multiplicam nos seus tecidos, infectando as glândulas salivares, durante um período de 3 a 4 semanas, podendo esse tempo, denominado período latente, ser reduzido em condições de temperaturas elevadas. Essas cigarrinhas portadoras de molicutes tornam-se então infectantes e, quando se alimentam de plântulas de milho sadias, transmitem esses patógenos para o floema dessas plantas.

2- Qual o tempo necessário de alimentação da cigarrinha na plântula de milho para transmitir os molicutes?

 Em um período de tempo variável entre uma e 24 horas que a cigarrinha se alimenta na plântula, ocorre a transmissão dos molicutes.

3 – Todas as cigarrinhas transmitem molicutes para as plântulas de milho?

Não. É muito importante ressaltar que nem todas as cigarrinhas que chegam em uma lavoura de milho jovem são infectantes com molicutes.

4 – Quais os efeitos e os sintomas do enfezamento do milho?

A planta de milho com enfezamento forma menos raízes que a planta sadia, apresenta internódios mais curtos, pode tornar-se pequena e improdutiva, ou apresentar altura quase normal, espigas pequenas, falhas na granação, e apresenta sempre sintomas foliares característicos. Essa planta seca precocemente.

Os sintomas foliares dos enfezamentos são descoloração nas margens e na parte apical das folhas e, em seguida, secamento ou avermelhamento, especialmente nas folhas superiores da planta, sendo essa coloração variável para diferentes cultivares de milho.

O dano por enfezamentos, em uma lavoura de milho, é diretamente proporcional à quantidade de plantas doentes, podendo ser severo.

5 – O que favorece alta incidência dessas doenças?

São fatores que favorecem a incidência e os danos por enfezamentos: 1- as condições climáticas com temperaturas elevadas (acima de 17 °C à noite e de 27 °C de dia), que favorecem a multiplicação mais rápida dos molicutes, tanto nas plantas doentes quanto nas cigarrinhas; 2- a ocorrência de muitas lavouras de milho em diferentes idades, permitindo sobreposições do ciclo da planta, que favorece a multiplicação e a migração das cigarrinhas de lavouras com plantas adultas para novas lavouras com plântulas nos estádios iniciais de desenvolvimento, levando os molicutes; 3- a presença contínua, no campo, de plantas de milho oriundas de grãos remanescentes de colheita anterior (denominadas tiguera ou milho-guacho), que podem servir de reservatório tanto de molicutes quanto de cigarrinhas; 4- o nível de susceptibilidade das cultivares de milho, que podem favorecer a multiplicação dos molicutes nas plantas em que a cigarrinha adquire os molicutes, ou nas novas plântulas infectadas.

6 – Em quais regiões brasileiras os enfezamentos são mais frequentes?

Essas doenças são mais comuns nas regiões quentes do território nacional, onde se cultiva o milho em mais de uma safra no ano.

7 – A cigarrinha transmite apenas os agentes causais dos enfezamentos?

Não. Além dos molicutes, a cigarrinha transmite também o vírus agente causal da doença denominada risca (Maize rayado fino virus).

8 – Quais são os sintomas da virose risca?

Essa virose caracteriza-se pela presença de numerosos pontos cloróticos paralelos às nervuras secundárias da folha, e pode ser visualizada nas folhas de plântulas ou plantas adultas de milho.

9 – O que pode ser feito para controlar os enfezamentos?

Não há uma medida altamente efetiva capaz de, isoladamente, controlar os enfezamentos e a virose risca. A utilização de medidas preventivas pode reduzir ou evitar a incidência dessas doenças.

É importante enfatizar que saber identificar essas doenças é condição essencial para se adotar medidas para escapar da sua ocorrência e evitar reduções em produtividade, ou grandes perdas.

Medidas para escapar ou ao menos minimizar sua incidência necessitam ser simultaneamente adotadas por todos os produtores de milho, quando, ocorrendo em alta incidência, estejam causando prejuízos expressivos em determinada região. Essas medidas incluem, essencialmente: eliminar o milho tiguera, evitar semeaduras vizinhas a lavouras com alta incidência das doenças, tratar as sementes com inseticidas, diversificar e rotacionar cultivares de milho, sincronizar ao máximo a época da semeadura. Cultivares resistentes, se disponíveis, devem ser rotacionadas para evitar adaptação de variantes dos patógenos e perda da resistência ao longo do tempo de cultivo por vários anos seguidos.

Fonte: Embrapa.

Texto originalmente publicado em:
Embrapa
Autor: Embrapa

5 Comentários

  1. Estou com esse problema gostaria que se possível vocês me passacem como devo fazer o controle pois os danos são visíveis ainda com a planta pequena.

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