A Embrapa Soja irá apresentar relevantes tecnologias para o sistema produtivo da cultura soja, por meio de cinco palestras e uma live, durante a Feira Internacional dos Cerrados – AgroBrasília, que irá ser realizada de 6 a 13 de julho, em formato digital. Os pesquisadores irão apresentar informações sobre o inoculante (Azototal) para incrementar o capim-braquiária; a metodologia de Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo (DRES); o método de avaliação de potássio a campo para a cultura da soja (Fast-K); cultivares de soja convencional (não-transgênicas) e o equipamento para produção de broto de soja, o Tecnobroto.

Entre os destaques na plataforma on-line da Agrobrasília, estão as lives na programação oficial. No dia 10, às 16h, o pesquisador Adilson de Oliveira Jr., da Embrapa Soja, abordará o Fast-K: tecnologia para determinar potássio em soja em condições de campo. O potássio (K) é o segundo nutriente mais exigido e também o segundo mais exportado pela cultura da soja. Esta alta exportação (cerca de 20 kg/ha de K2O para cada tonelada de grãos) pode levar à redução da disponibilidade de K no solo, caso os produtores não reapliquem quantidades de fertilizantes potássicos compatíveis com as exportadas.

Fast-K é uma ferramenta rápida para a avaliação do teor de K nas folhas de soja. O método permite corrigir possíveis deficiências nutricionais com agilidade, sendo uma interessante alternativa de diagnóstico em comparação as atuais análises laboratoriais de rotina, que são mais demoradas. Porém, estas análises continuam sendo importantes para a avaliação dos demais nutrientes. A proposta da tecnologia é melhorar o manejo nutricional da soja, de acordo com o pesquisador. “Ao realizar o teste foliar no campo, a assistência técnica ganha tempo para tomar as decisões mais acertadas em relação à correção da deficiência de potássio ainda na safra em curso, uma vez que o potássio tem influência direta na produtividade”, detalha o pesquisador. Mais informações www.embrapa.br/soja/fast-k

Inoculante para capim-braquiária

A Embrapa Soja, em parceria com a empresa Total Tecnologia, desenvolveu o inoculante Azototal – com estirpes selecionadas da bactéria Azospirillum brasilense – que é o primeiro produto com potencial para incrementar a produção de massa do capim-braquiária. O pesquisador Marco Antonio Nogueira, da Embrapa Soja, irá destacar os benefícios dessa tecnologia que promove o aumento na produção de biomassa e no conteúdo de proteína da braquiária.

De acordo com os pesquisadores Mariangela Hungria e Marco Antonio Nogueira, que participaram do desenvolvimento da tecnologia, a inoculação com o Azototal resulta em um incremento de 15% na produção de biomassa da braquiária e de 25% no conteúdo total de proteína, em comparação às parcelas que não receberam o produto. “Esses números são excepcionais e podem impactar positivamente a agropecuária”, relatam os pesquisadores.

Azospirillum brasilense é classificada como “bactéria promotora do crescimento de plantas”. O principal efeito desse microrganismo é a produção de fitormônios, que resultam, principalmente, em incrementos consideráveis na biomassa de raízes. “Com o maior crescimento das raízes, a capacidade da forrageira para explorar o solo em busca de nutrientes e água é ampliada e permite, inclusive, maior aproveitamento do fertilizante aplicado”, explica a cientista da Embrapa.

DRES – Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a Embrapa, apoiadas por diversas instituições, desenvolveram um método inovador de avaliação visual da estrutura superficial dos solos tropicais e subtropicais, denominado Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo (DRES). Com resultados obtidos diretamente no campo e sem a necessidade de avaliações laboratoriais, o DRES permite, de forma rápida, a tomada de decisão sobre práticas de manejo para melhorar a qualidade dos solos.

A estrutura do solo é componente essencial da fertilidade, porque influencia o comportamento físico, químico e biológico do solo, dando sustentação à produtividade agrícola. Até agora no Brasil, a estrutura das camadas superficiais do solo vinha sendo avaliada por meio de métodos quantitativos que não a caracterizavam precisamente e eram de difícil aplicação e interpretação em condições de campo. “O DRES foi desenvolvido para atender as especificidades de monitoramento da qualidade do solo brasileiro de forma rápida e fácil. Nosso intuito é facilitar o diagnóstico e melhorar os critérios para a tomada de decisão sobre a adoção de práticas de manejo que melhorem a qualidade estrutural do solo”, avalia Henrique Debiasi, pesquisador da Embrapa Soja. Mais informações em https://www.embrapa.br/en/dres

Cultivares de soja convencional

Apesar de ser um nicho de mercado, a Embrapa sempre manteve ativo, em seu portifólio de cultivares de soja, as variedades convencionais (não-transgênicas). São 47 anos de melhoramento genético ininterruptos de soja convencional, o que possibilita à Embrapa lançar anualmente novas cultivares de soja não-transgênicas para diferentes regiões produtivas. “Sempre buscamos maior ganho produtivo com estabilidade. Além disso, para garantir maior sustentabilidade da lavoura, buscamos agregar características tais como resistência a diferentes nematoides e/ou doenças foliares e de solo”, explica o pesquisador Carlos Lasaro Pereira de Melo.

Nas últimas três safras, a Embrapa também agregou às cultivares convencionais as tecnologias SHIELD (cultivares com resistência à ferrugem da soja) e BLOCK (cultivares com tolerância aos percevejos).  De acordo com o pesquisador Pereira de Melo, são vários os motivos que têm levado produtores a optarem pela soja convencional. Além de manter os elevados patamares de produtividade, a soja convencional é livre de taxa tecnológica, cobrada das cultivares Intacta, por exemplo.

Outro atrativo é que muitos produtores conseguem maior bonificação, quando vendem para compradores – geralmente agroindústrias processadoras de soja e/ou cooperativas – que exportam o grão convencional ou seus subprodutos de processamento com maior valor agregado para mercados mais exigentes como a Europa ou mesmo países asiáticos.

Pereira de Melo destaca ainda outras duas importantes justificativas técnicas pela escolha da soja não-transgênica. “Estas cultivares são importantes para rotação de tecnologias, o que mitiga os efeitos negativos do uso sucessivo do glifosato e assim reduz a possibilidade de surgimento de plantas daninhas resistentes a esse herbicida. A soja convencional também é usada como opção de refúgio, garantindo maior longevidade da tecnologia Intacta no sistema de produção”, enfatiza.

Procurada pelo setor produtivo, a Embrapa ajudou a organizar o programa Soja Livre, que surgiu com o objetivo de garantir a liberdade de escolha ao produtor rural que enfrentava dificuldades de acesso às sementes convencionais no mercado. Confira o portifólio da Embrapa https://www.embrapa.br/en/soja/convencional/cultivares

Tecnobroto

O Tecnobroto é um equipamento desenvolvido pela Embrapa para produzir brotos de soja, de forma automatizada e sem produtos químicos. O Tecnobroto é de baixo custo e pode ser desenvolvido por comunidades, associações de produtores e agricultores familiares. A Embrapa disponibiliza gratuitamente a tecnologia para montagem do Tecnobroto. As informações estão disponíveis no hotsite www.embrapa.br/soja/tecnobroto.

O custo da montagem do equipamento é de aproximadamente R$3 mil. Além de paladar agradável, os brotos de soja têm alto valor nutritivo, devido principalmente ao alto teor de proteína. O pesquisador Marcelo Álvares de Oliveira, da Embrapa Soja, diz que a produção do broto de soja, com o Tecnobroto, leva entre três e sete dias e pode ser feita em qualquer época do ano sem a necessidade de solo, de fertilizantes, de agrotóxicos e de luz solar direta. “Para cada quilo de semente de soja, produzimos cerca de 2,5 kg de brotos”, explica.

Fonte: Embrapa

Texto originalmente publicado em:
Embrapa Soja
Autor: Lebna Landgraf - Embrapa Soja

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