Na região de clima temperado no sul do Brasil, o intervalo de tempo entre as culturas de verão, como soja e milho e feijão e a cultura do trigo é de aproximadamente três meses, período no qual é possível a implementação de outras culturas visando o aporte de nutrientes e aumento da produtividade da cultura sucessora, o controle de plantas daninhas e a preservação do solo, evitando a erosão nesse período.

Além do nabo-forrageiro (Raphanus sativus L.), outras espécies de coberturas verdes como a ervilha-forrageira (Pisum sativum L.), ervilhaca-peluda (Vicia villosa Roth) e crotálaria-juncea (Crotalaria juncea L.) também mostraram efeito benéfico para a cultura do trigo (VOSS et al., 2004; NUNES et al., 2011; VIOLA et al., 2013). Segundo Aita e Giacomini (2003), a maior parte da liberação do N após a formação da cobertura morta ocorre nos primeiros quinze dias, o que pode favorecer a implantação da cultura logo após a formação da cobertura; por outro lado, as plantas de cobertura podem liberar substâncias alelopáticas (ALMEIDA, 1991) e afetar o desenvolvimento da cultura subsequente (PURVIS, 1990).


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Pensando nisso, em trabalho apresentado e publicado nos anais da 37ª Reunião de Pesquisa de Soja, os pesquisadores Debiasi, H.; Balbinot Junior, A. A. e Franchini, J. C. realizaram um trabalho intitulado “Culturas para cobertura do solo entre a colheita da soja e a semeadura do trigo como estratégia para maior diversificação dos sistemas de produção”, com o objetivo de avaliar a produção de fitomassa da parte aérea de diferentes espécies vegetais para cobertura do solo na janela soja-trigo, e sua influência sobre a produtividade das culturas graníferas semeadas em sucessão.

Esses autores concluíram que a utilização de culturas de cobertura do solo na janela trigo-soja é viável na região Norte do Paraná, onde o trabalho foi realizado, aumentando a produtividade da soja sem alterar a de trigo. O nabo forrageiro, o milheto e os consórcios milheto + nabo forrageiro e milho + nabo forrageiro são as melhores alternativas para uso na janela trigo-soja. Confira abaixo os resultados.

Tabela 1. Massa seca da parte aérea (MSPA) das culturas de cobertura aos 47 dias após a semeadura, e produtividade de grãos de soja e trigo em função dos tratamentos.

Fonte: Debiasi, et al.; (2018).

Confira o trabalho completo clicando aqui.

Em trabalho realizado por Neto e Campos, (2017) em Ponta Grossa, PR, com plantas de cobertura antecedendo a cultura de trigo, os autores concluíram que o maior rendimento de trigo foi obtido na cobertura morta de girassol. Nas demais coberturas o rendimento não diferiu do pousio sem plantas. Além disso, o melhor desenvolvimento inicial do trigo foi observado nas coberturas de girassol, nabo-forrageiro e ervilha-forrageira. A crotalária não teve bom desenvolvimento neste período (outonal) que antecede o trigo e também não se detectou efeito no rendimento do trigo nos períodos de tempo de plantio após a formação da cobertura morta, mas no plantio do trigo imediatamente após a formação da cobertura houve redução de estande no resíduo de ervilha-forrageira e nabo-forrageiro.

Confira os resultados obtidos pelos autores abaixo.

Figura 1 – Biomassa seca das culturas de cobertura na época de corte com rolo-faca e dessecação, nas três épocas de plantio (as épocas de plantio das coberturas relacionam-se com as épocas de plantio do trigo após o manejo para formação da cobertura morta; primeira, segunda e terceira época de plantio das coberturas correspondem a trinta, quinze e zero dias antes do plantio do trigo, respectivamente). Média de três anos (Safras 2011 a 2013). (Barras representam Intervalo de Confiança da média – 95%).

Fonte: Neto e Campos, (2017).

Tabela 2. Rendimento do trigo (kg ha-1). Média de três anos (Safras 2011 a 2013).

Fonte: Neto e Campos, (2017).

Acesse o trabalho completo clicando aqui. 



Elaboração: Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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